Guerra nuclear entre Rússia e Estados Unidos mataria 34 milhões de pessoas em poucas horas

Uma guerra nuclear entre a Rússia e os Estados Unidos mataria cerca de 34 milhões de pessoas em poucas horas, revelou uma nova investigação conduzida por cientistas norte-americanos.

A equipa de cientistas da Universidade de Princeton especializada em segurança e armas nucleares criou uma simulação apelidada de “Plano A”, na qual mostra a devastação que uma eventual guerra entre estes dois país provocaria, noticia a BBC.

De acordo com a emissora britânica, os danos seriam assustadores: em cerca de cinco horas, morreriam 34 milhões de pessoas e mais de 57 milhões ficariam feridas.

Os cientistas frisam na mesma investigação que o conflito se tornou “dramaticamente” mais plausível nos últimos dois anos, uma vez que tanto a Rússia como os Estados Unidos deixaram de apoiar medidas de controlo de armas.

“O risco de uma guerra nuclear aumentou dramaticamente depois de os Estados Unidos e a Rússia terem abandonado o tratado de controlo de armas nucleares (…) [Estes países] começaram a desenvolver novos tipos de armas nucleares e ampliaram as circunstâncias nas quais seria possível usar essas mesmas armas”, advertem.

A simulação, que resulta de um projeto do programa de Ciência e Segurança Global (SGS) da universidade norte-americana, contou apenas eventuais mortos e feridos, deixando de fora outros milhões de pessoas que poderiam contrair doenças ou outros problemas de saúde a longo prazo devido ao conflito, detalha o jornal britânico The Independent.

O objetivo da simulação, contaram os especialistas citados pela BBC, passa por chamar a atenção sobre as “consequência potencialmente catastróficas” de uma guerra nuclear entre os Estados Unidos e a Rússia.

Especialistas ouvidos pela emissora britânica consideram que estas simulações podem ser importantes para dissuadir potências mundiais a não chegarem a um confronto nuclear.

“Há já algum tempo que vemos este tipo de situações e são sempre alarmantes“, disse Sarah Kreps, professora da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, onde investiga os impactos da proliferação de armas de destruição em massa.

“Estas simulações são úteis para reforçar a dissuasão. Se não há transparência e se há otimismo sobre as consequências de um conflito nuclear, é mais provável que alguma das partes escale a sua posição, seja consciente ou inconscientemente”, apontou.

A guerra simulada

A equipa publicou no YouTube um vídeo com os resultados da simulação. A simulação começa com a Rússia a tentar impedir uma ofensiva dos Estados Unidos e de membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Na guerra simulada, os russos lançam um míssil nuclear de “advertência” na fronteira entre Alemanha, Polónia e República Checa. Com este ataque, o conflito escala: a Rússia envia aviões com um total de 300 ogivas nucleares e dispara mísseis de curto alcance contra base e tropas da OTAN na Europa.

Em resposta, a OTAN envia aviões que viajam rumo à Rússia com 180 ogivas nucleares. A esta altura do conflito, explica a BBC, o objetivo de cada força passa por evitar que o inimigo tenha oportunidade de se recuperar e, por isso, cada país lança ataques contra as 30 cidades mais povoadas do adversário.

Em cada bombardeio, seriam utilizadas entre 5 e 10 ogivas nucleares, dependendo do tamanho da cidade. O resultado: em 45 minutos, mais 85,3 milhões de vítimas, entre mortos e feridos. Em menos de cinco horas, haveria 91,5 milhões de vítimas: 34,1 milhões de mortes instantâneas e 57,4 milhões de feridos.

Estes números poderiam aumentar significativamente caso se contabilizassem as mortes a longo prazo causadas por resíduos radioativos deixados no ar.

Um outro estudo, também conduzido por cientistas norte-americanos, concluiu que uma guerra entre estas duas potências mundiais mergulharia o planeta num inverno nuclear que duraria pelo menos uma década e que afetaria todo o globo.

ZAP // BBC

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5 COMENTÁRIOS

  1. Não se importando com acordos firmados (que para ele não têm valor nenhum) Donald Trump abandonou o tratado nuclear com a Russia, em outubro de 2018. , argumentando, como de costume, que os Estados Unidos estavam em desvantagem. O perigo de tal atitude, e a relutância ou criticas do resto do mundo, para ele, é como se não existissem, não atingindo a enormidade do seu ego. O problema, é o sofrimento, ou aniquilação que uma guerra destas traria para o resto do mundo.

  2. Enquanto não se proceder a uma total e global desnuclearização militar teremos sempre esta ameaça sobre nós. Claro que se os líderes políticos e militares das potências nucleares fossem outros e nunca estas questões se colocariam. Mas o que temos é o Donald, o Vladimir, o Jong, etc… Enquanto assim for…

  3. P.S. Só 90 milhões de vítimas? Acho que são previsões muito optimistas…
    Basta pensar na potencial destruidor das armas modernas e comparar com o das únicas bombas nucleares alguma vez detonadas… Depois é pensarmos em aglomerados populacionais densamente povoados como Nova Iorque, Los Angeles, Moscovo e São Petersburgo (que seriam os primeiros alvos) e provavelmente chegaremos à conclusão que se trata de uma previsão muito conservadora…

    • Os primeiros alvos dos Russos seriam quase seguramente cidades Europeias, pelo menos a julgar pela simulação. Faz sentido, visto que o território dos EUA fica mais longe, e seria uma forma de rapidamente neutralizar uma série de países da NATO e aliados tradicionais dos EUA. De seguida, seriam provavelmente atingidos os alvos Americanos que refere. Em resumo, seria um descalabro para a civilização Ocidental.

  4. A América está sempre a prejudicar a Europa com os seus ataques desenfreados aos países do Oriente, isto tudo com o intuíto de vender armas e de prejudicar o seu principal concorrente na venda de armas – a Rússia. Como se explica a venda de “Javelins” à Ucrânia – armas anti-tanque made in USA , um acordo de 400 milhões de dólares com uma das tecnologias Americanas mais recentes com o objectivo claro de ameaçar os tanques Russos. Vender estas armas à Ucrânia, um país altamente corrupto, é certo que estas armas irão parar ao mercado negro (ex. Jihadistas) e um dia está claro que vamos todos pagar por isto.

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