A guarda costeira grega terá matado intencionalmente dezenas de pessoas

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(h) Guarda Costeira da Grécia

A guarda costeira da Grécia é suspeita de “empurrar refugiados para a morte”. Uma nova investigação da BBC diz que, no espaço de três anos, aquela polícia causou, deliberadamente, a morte de dezenas de imigrantes, no Mediterrâneo.

Uma investigação da BBC, divulgada esta segunda-feira, concluiu que, no período três anos, a guarda costeira grega causou a morte de dezenas de migrantes no Mar Mediterrâneo.

As 43 vítimas terão sido atiradas ao mar pela autoridade grega, de forma intencional, à chegada ao país, quando fugiam da guerra e da miséria.

Como detalha a BBC, no ano passado, registaram-se 263.048 chegadas de imigrantes à Europa por mar, tendo a Grécia recebido 41.561 (16%) dessas chegadas.

A lei grega permite que todos os migrantes que procuram asilo registem o seu pedido em várias ilhas, em centros de registo especiais. Mas as testemunhas da BBC foram detidas antes de poderem chegar a esses centros.

Há muito que o governo grego é acusado de devolver as pessoas “ao mar”. Suspeita-se que, em junho do ano passado, a guarda costeira da Grécia tenha provocado um naufrágio que matou cerca de 600 migrantes no Mediterrâneo.

Na altura, a Alarm Phone (organização responsável por uma linha de emergência para migrantes) denunciou a atuação da guarda costeira grega, que acusa de estar ciente da situação de risco em que o barco se encontrava, horas antes de ter enviado ajuda.

A organização sugeriu que os ocupantes do barco evitaram deliberadamente o contacto com as autoridades gregas devido a alegadas práticas desumanas para com os migrantes.

“Ouviram-nos gritar e, mesmo assim, deixaram-nos”

A investigação – apresentada no documentário Dead Calm: Killing in the Med? – analisou 15 incidentes entre maio de 2020 e maio de 2023 – que resultaram em 43 mortes.

O relato é feito na primeira pessoa por várioso sobreviventes, que ou foram atirados diretamente ao mar pelas autoridades ou perseguidos, já em terra.

Há também relatos migrantes que disseram ter sido postos em jangadas insufláveis sem motor, que depois se esvaziaram ou estavam furadas.

Mohamed, da Síria – que perdeu os filhos em setembro de 2022 -, conta que a jangada que lhes foi dada pela guarda costeira grega, para os recambiarem para águas turcas, não tinha a válvula devidamente fechada.

“Começámos imediatamente a afundar, eles viram isso… Ouviram-nos a gritar e, mesmo assim, deixaram-nos“, contou à BBC.

“A primeira criança que morreu foi o filho do meu primo… Depois disso, foi um a um. Outra criança, outra criança, e depois o meu primo desapareceu. De manhã, sete ou oito crianças tinham morrido. Os meus filhos só morreram de manhã… mesmo antes da chegada da guarda costeira turca”, lamentou.

Apanhado pelo Tinder

Romy van Baarsen, jornalista de investigação holandesa a viver na Grécia, conta que apanhou um membro das forças especiais gregas no Tinder, que lhe confessou que tinham ordens do governo para devolver as pessoas ao mar.

Quando a jornalista o questionava sobre o seu trabalho, nomeadamente sobre o que acontecia quando as suas forças viam um barco de refugiados, o militar confessou que tinha ordens “do ministro” para travar as embarcações.

Caso contrário, seria punido.

Grécia nega acusações

Em resposta à BBC, a guarda costeira grega rejeitou veementemente todas as acusações, garantindo que o seu pessoal trabalhou “incansavelmente com o maior profissionalismo, um forte sentido de responsabilidade e respeito pela vida humana e pelos direitos fundamentais (…) em total conformidade com as obrigações internacionais do país”.

“É de salientar que, de 2015 a 2024, a Guarda Costeira Helénica resgatou 250.834 refugiados/migrantes em 6.161 incidentes no mar. A execução impecável desta nobre missão foi reconhecida positivamente pela comunidade internacional”, acrescentou.

Miguel Esteves, ZAP //

2 Comments

  1. Tenho muita pena e condeno os actos cometidos mas alguém está a fazer alguma coisa para que terminar com este exodo mundial ?
    Como é possivel que um português vá para um país estrangeiro e se veja grego para se legalizar e reintegrar no
    mercado de trabalho desse país e em Portugal se chegue aos milhares e em 4 dias já têm nacionalidade
    portuguesa, vistos,~contratos, etc. ?
    Pois claro chegam e já tem RSI que em termos monetários pode ser 10x mais que o salário que ganhavam.
    Prevejo um mau futuro para Portugal, para estas politicas e vida social.

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