LMM. Greve de pilotos da TAP “é a mais imoral e impopular que se conhece”

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Mário Cruz / Lusa

Luís Marques Mendes

As ameaças de greve na TAP são “uma imoralidade”, considerou no domingo à noite o comentador Luís Marques Mendes, lembrando que os pilotos se submeteram voluntariamente a cortes salariais para que a companhia aérea “não fosse ao charco”.

Para o antigo líder do PSD, o Sindicato dos Pilotos está “a abusar” na demanda de reversão dos cortes. “A Administração já começou a fazer reversões, o que é discutível”, disse, questionando, na SIC: “Mas a TAP já deu lucro? Não!”.

No último trimestre deste ano, a TAP teve um prejuízo de 121 milhões de euros. “Para salvar a TAP da falência, o Estado “meteu” na Companhia 3,2 mil milhões de euros. Dinheiro dos impostos dos portugueses”, notou o comentador.

Marques Mendes referiu que os pilotos da TAP são dos trabalhadores mais bem pagos em Portugal. “É um escândalo que o Sindicato dos Pilotos ameace fazer greve se não houver reversões maiores”, disse, reforçando que “tem de haver bom senso”.

E declarou ainda: “tudo isto pode ser perfeitamente legal, mas tudo isto é completamente imoral. Uma greve destas, se ocorrer, vai entrar para o Guinness como a greve mais imoral e impopular que se conhece”.

“Explicações são um bocado esfarrapadas”

Sobre Jéssica Biscaia, a menina de 3 anos que viva em Setúbal, Marques Mendes declarou “a morte de uma criança que alegadamente foi usada como moeda de troca para pagar uma dívida de um bruxedo é algo de revoltante. Revoltante em relação à alegada ama e em relação à mãe”.

Embora considere que esta seja uma matéria das autoridades judiciais, levantou três questões: a responsabilidade da comunidade, o arquivamento do processo judicial e a urgência de reavaliar o sistema.

“É público que esta criança era agredida pela mãe à frente de toda a gente. Que muitas vezes aparecia com fome. Apesar de tudo isto, nunca houve uma denúncia. É aqui que nós, enquanto comunidade, falhamos. Gostamos muito de levantar o dedo acusador contra o Estado, mas não fazemos a nossa parte”, apontou.

A criança “esteve sinalizada pela CPCJ praticamente desde que nasceu. A Comissão quis aplicar-lhe uma medida de proteção. Considerava que era uma criança de risco. Depois, o processo transitou para a Justiça. E a Justiça há um mês arquivou-o. É preciso esclarecer esta contradição: a CPCJ considerava que a criança era um caso de risco; a Justiça considerou o contrário. Porquê?”, indagou o comentador.

“Esta criança tinha 5 irmãos. Nenhum vivia com a mãe. Uns com os avós. Outro com o pai. Outro ainda institucionalizado. Isto não deveria ser suficiente para a considerar uma criança de risco? Será que o Estado está mesmo a funcionar bem nestas questões? Será que as várias entidades falam umas com as outras? Que vão ao terreno, em vez de estarem só nos gabinetes? É importante reavaliar. Antes da Jéssica já houve outros casos. E depois da Jéssica pode haver outros”, frisou.

Aumento das pensões em 2023

Relativamente ao aumento das pensões em 202, avançado pelo primeiro-ministro, António Costa, o comentador indicou que, de facto, “terão um aumento muito acima do habitual”. Mas não “é por decisão do Governo” e sim “pela aplicação de uma lei de 2006”.

Segundo essa lei, explicou, “a atualização das pensões é feita em função da inflação do ano anterior e da média do crescimento do PIB nos dois anos anteriores. Como estes valores são altos, os aumentos serão grandes”.

Assim, “estimando uma inflação de 5,9% este ano e um crescimento médio do PIB (2021/2022) de 4,3%”, os aumentos em 2023 serão: para pensões até 886€, de 6,8%;
pensões entre 886€ e 2659€, de 6,4%; pensões acima de 2659€, de 5,9%”.

SNS. Mais dinheiro, piores resultados

Quanto à Saúde, referiu um relatório do Observatório Português do Sistema de Saúde, no qual foi divulgado que entre 2016 e 2022, o número de profissionais de saúde no Serviço Nacional de Saúde (SNS) aumentou em mais 30 mil. Contudo, a produtividade baixou 25% nesses seis anos.

De acordo com o relatório, que continuou a citar, essa quebra de produtividade deriva da passagem das 40 para as 35 horas de trabalho, do alto absentismo nos hospitais (12%) e da “forte concorrência do sector privado, que leva a excessiva rotatividade ou até à destruição das equipas do SNS”.

“Este retrato é independente e brutal, mas é importante para se agir”, sublinhou, acrescentando que o SNS “tem mais dinheiro e mais profissionais. Mas tem piores resultados do que tinha” e que a solução é reformar. “O SNS precisa de organização, gestão e avaliação”.

Risco de recessão na Europa “é grande”

O balanço “não é brilhante para a Ucrânia”, afirmou o comentador, indicando que o país “ganhou politicamente” mas “está a perder militarmente”, podendo “começar a perder o apoio da opinião pública ocidental” devido ao corte de gás na Europa por parte da Rússia. “O risco de recessão na Europa é grande”, apontou.

“A Ucrânia ganhou politicamente com a conquista do estatuto de candidata à União Europeia [UE]. Esta era há meses uma ambição impossível. A Ucrânia “vergou” os mais céticos e evitou que a UE desse um trunfo à Rússia. Foi uma grande decisão para a UE e uma grande motivação para os ucranianos”, notou.

No entanto, “militarmente, a Ucrânia está a perder terreno. Esta foi a semana mais difícil depois da queda de Mariupol”, com a perda de Severodonetsk. “Os russos estão a ganhar terreno no Donbass. E perdido o Donbass, há o risco de, a sul, a Rússia tentar impedir a Ucrânia de acesso ao mar. O cerco está a apertar-se”, disse.

“A superioridade militar da Rússia é enorme. Falta saber se as armas recebidas dos Estados Unidos e da Alemanha conseguem inverter a situação”, sublinhou.

  Taísa Pagno , ZAP //

5 Comments

  1. Fechem a TAP. Vendam a TAP. Sei que custa muitos tachos para a zona de “Lisboa” sobretudo a subzona do Rato. mas tenham paciência. Tem que ser. CORAGEM!

  2. Não estou de acordo com o grau de gravidade, é muito pior um Profissional da saúde fazer greves para usufruir de uns meros euros e talvez fins políticos, fazendo muito pior que os crimes de Putin que na ganancia de agregar territórios á base de bombas provoca mortes a crianças, mas este criminoso está em guerra, os Profissionais de saúde estão num Pais em Paz perturbada por estes profissionais, não vejo diferença de crime menor que o do Putin, mas sobre isto, nem MM nem nenhum doutor politico tem coragem de criticar são todos doutores da fornada sem princípios no tempo que se formava doutores á biqueirada, pelo cartão de Militante do Partido.

  3. No ultimo trimestre deste ano a TAP teve 121 milhões de prejuizos ???
    No ultimo trimestre deste ano?
    Afinal quantos trimestres tem este ano?
    E os pilotos têm razão de exigirem ver repostos os seus ordenados.
    Se o Sr. Pedro Santos defendeu que a TAP merecia uma Presidente estrangeira a ganhar mais de 40000€ por mês porque é que agora que se avizinha o regresso aos lucros na TAP não podem ser repostos os cortes feitos aos trabalhadores?

  4. Os colaboradores da TAP sempre viveram num pedestal que os políticos com o dinheiro dos outros (contribuintes) proporcionaram.
    Felizmente há a comissão europeia que tenta que esses colaboradores ponham os pés na terra e sintam na pele que se acabaram as mordomias. No entanto como bom tuga que se preze o pessoal tenta esticar a corda novamente esquecendo que quanto mais esticam mais vezes será necessário pedir esmolinhas a UE só que as consequencias serão sempre as mesmas, redução de pessoal e diminuição da influencia da empresa TAP entrando assim numa bola de neve em que o final será muito triste para esses colaboradores.

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