Greve da Autoeuropa pode custar até 5 milhões de euros

Dave Pinter / Flickr

Os trabalhadores da Autoeuropa iniciam, esta terça-feira, um dia de greve contra os novos horários de três turnos e trabalho aos sábados que terá início às 23h30 e termina às 00h00 de quinta-feira.

Segundo fonte sindical, os cerca de três mil trabalhadores que participaram nos plenários realizados na segunda-feira aprovaram uma resolução a confirmar a rejeição dos novos horários e a realização da greve convocada.

As compensações financeiras prometidas pela administração da Autoeuropa, um adicional de 175 euros por mês e mais um dia de férias para além das regalias previstas na legislação para o trabalho por turnos, não foram suficientes para demover os trabalhadores da Autoeuropa, que não aceitam a obrigatoriedade do trabalho ao sábado.

Segundo o Sitesul – Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul, para os trabalhadores da Autoeuropa não se trata de uma questão de dinheiro, mas da obrigatoriedade de trabalharem todos os sábados durante dois anos, período de tempo em que os trabalhadores só teriam dois dias de folga consecutivos de três em três semanas.

De acordo com o sindicato, os trabalhadores da Autoeuropa não receiam uma eventual deslocalização da produção do novo veículo T-Roc atribuído à fábrica de Palmela, até porque grande parte do investimento em causa foi suportado pelo Governo português.

Para o coordenador do Sitesul, Eduardo Florindo, algumas declarações a alertarem para o perigo de uma eventual deslocalização da produção “constituem apenas uma forma de pressão para que os trabalhadores aceitem os novos horários”.

Os novos horários propostos pela administração da Autoeuropa foram previamente negociados com os representantes dos trabalhadores, mas o pré-acordo foi rejeitado por mais de 74% dos funcionários da empresa, pelo que a Comissão de Trabalhadores apresentou o pedido de demissão.

As eleições para a nova Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa estão marcadas para 3 de outubro.

Segundo o Diário de Notícias, com esta greve, a primeira na história da Autoeuropa sem contar com greves gerais, a saída de 400 veículos das linhas de montagem, atual meta de produção diária da fábrica, fica posta em causa. Um paragem que pode custar até cinco milhões de euros à produção da fábrica do grupo Volkswagen em Portugal.

O montante equivale à média diária de faturação de 2015, segundo os dados da Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP). A este valor podem ser descontados os menores custos energéticos daquele dia e os salários dos trabalhadores que optem por fazer greve, escreve o jornal.

Tanto a Volkswagen como o Governo português esperam agora que a administração e os trabalhadores cheguem rapidamente a um consenso.

“Estou certo de que será possível chegar a um entendimento e a uma solução satisfatórias para todas as partes”, manifestou o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, que esteve reunido com o presidente da Volkswagen, Herbert Diess, na semana passada.

De acordo com o DN, a fábrica portuguesa do grupo Volkswagen prevê montar um total de 240 mil carros em 2018, mais do dobro dos números de 2016 (85.125 veículos).

ZAP // Lusa

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8 COMENTÁRIOS

  1. Andam a brincar com o fogo, depois digam que tem azar, deve haver “mãozinha” do estêrco pcp para destabilizar, que é o que eles mais gostam de fazer.

  2. “Quem tudo quer, tudo perde”.
    Depois queixem-se que a AutoEuropa foi para outro sítio…
    E aposto que estes trabalhadores adoram ir às compras aos sábados onde não pagam mais pelo trabalho ao sábado. Mas eles, não podem.

  3. “Greve pode custar 5 milhões de euros…”? é apenas uma perspectiva. Na realidade, se encherem muito o saco aos patrões, essa greve pode é resultar em desemprego dos 3 mil empregados. A China já está a ser a maior potência automobilística do mundo não tarda nada e estes sindicatos a brincar com o fogo. Depois vão queixar-se ao papa!!!!!

  4. Esta greve não é só pelos direitos dos trabalhadores da Auto Europa; é por todos aqueles que consideram os dois dias de descanso semanais uma conquista civilizacional a preservar no mundo civilizado e moderno em que vivemos (infelizmente, ainda, apenas numa pequena parte do Planeta). Inclusive já se pensa, nos países do Norte da Europa, na semana de trabalho de 30 horas, medida que ajudaria a diminuir o desemprego e libertaria o ser humano para outras actividades que não o trabalho, tais como o lazer, a familia, as artes, etc.
    Felizmente nem todos querem para Portugal e para as gerações vindouras um modelo de desenvolvimento baseado em longas jornadas de trabalho e baixos salários, voltando aos dias negros do inicio da Revolução Industrial.

    • Não, CHE, isso é a desinformação com que nos queres atirar areia aos olhos.
      Esta greve é uma fabricação do PCP através do seu braço laboral CGTP numa guerra de interesses para ganhar posição junto do governo e marcar o passo ao Bloco.
      É só isso que explica a desmesurada atenção que a greve está a ter nos medias, porque a greve só afeta a produção da AutoEuropa, apenas prejudica os lucros da AutoEuropa, e os trabalhadores da AutoEuropa.
      E aposto que daqui a uns meses estamos a ler noticias de que a AutoEuropa afinal se arrependeu de voltar a apostar em Portugal, vai deslocalizar para a China ou Paquistão, e que despediu outra vez 1000 ou 6 mil, e que é uma catástrofe social em Setúbal.
      Coisa que não me preocupa muito, porque não vivo em Setúbal e considero que a AutoEuropa, esses patifes, ir para o Paquistão explorar paquistaneses será para os ditos paquistaneses uma conquista civilizacional. E pensando no “bem maior da Humanidade”, isso é bom.
      Teremos sempre as laranjas.

  5. Exactamente!!
    Obrigatoriedade de trabalhar ao Sábado?
    Mas estamos onde?!
    Será que estes mafiosos do grupo VW tem consciência que estamos no século XXI ?
    Se aceitam, além do retrocesso civilizacional, daqui a pouco a pouco estão a ser obrigados trabalhar ao Domingo!…

  6. MR.Quero ver o sindicato a arranjar trabalho tão bem pago para tantos trabalhadores quando nos virmos a grandiosa auto Europa a sair de Portugal!!!!!!!!!!!!

  7. Medo, só vejo medo camuflado na maioria destes comentários; medo de perder o empregozinho, medo de as fábricas irem para a China ou para o Bangladesh, medo do futuro e mesmo do presente, medo do “outro”, concorrente ao mesmo naco de “felicidade” vagamente prometida, um pobre coitado que como nós é uma vitima encurralada; é por aí mesmo que este sistema neo-liberal se alimenta e avança na sua ansia devoradora de lucros e mais lucros, pelo medo e pela passividade de todos nós. Encheram-nos de dividas e obrigações e, não faltará muito, ou amochas e trabalhas de sol a sol ou puxamos-te o tapete e lá vai a casinha, as férias no Algarve e a universidade dos miúdos.

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