Vila grega “engolida” pela mineração de carvão está quase abandonada

Em Anargyri, há décadas que se extrai lignite, uma forma de carvão de baixo poder calórico que, dado o seu transporte ser pouco rentável, costuma ser consumida próxima dos lugares onde é extraída.

Menos de um sétimo da energia usada no país tem origem no sol ou no vento e um terço provem do carvão. Além das consequências em termos de poluição, há uma outra que se vem tornando cada vez mais direta: o desaparecimento progressivo de vilas e aldeias junto às minas.

Em Anargyri, no norte da Grécia, a terra está cada vez mais negra e esburacada e as estradas cada vez mais irregulares – viver lá tornou-se inseguro.

Não há muito tempo havia cerca de 500 habitante. Agora restam 40. São os que não aceitaram a oferta que lhes fez uma empresa mineira de os mudar para apartamentos arrendados noutro lugar.

Um deles, Michalis Bitas, dono de uma exploração pecuária, contou ao New York Post que o efeito físico da mineração nas casas começou a ser visível em 1986, quando a mineração começou. “Começou a comer as casas lentamente, antes de passar a comer-nos a nós também”. Para explicar por que recusou a oferta da empresa, Bitas explica que não pode mudar as suas ovelhas e a maquinaria para um apartamento. Agora, esperam que a perda das suas casas seja compensada por inteiro.

A nível ambiental, a enorme dependência dos combustíveis fósseis que se verifica na Grécia faz soar o alarme dos ambientalistas. A recente conferência sobre alterações climáticas na Polónia reiterou os avisos sobre os perigos do carvão e 34 grupos publicaram uma carta a pedir ao primeiro-ministro grego que “não renda o país às consequências aterradoras” que se anunciam.

O presidente da PPC, a empresa estatal responsável pela mineração em Anargyri, reconhece que a lignite irá ser gradualmente substituída por outras fontes de energia. Mas nota que se trata de um “combustível estratégico, por ser o único inteiramente controlado” pela Grécia.

A pressão dos credores internacionais gregos também não ajuda. Entre outras exigências que o país aceitou, conta-se a privatização de três unidades de produção de eletricidade que funcionam à base de carvão. O governo tenta aproveitar ao máximo os seus recursos em carvão e gás natural, em especial nas zonas costeiras, para atrair investimento.

Em Anargyri, apesar da destruição das suas casas, os moradores têm sentimentos contraditórios sobre o carvão, uma vez que o PPC é um empregador chave – emprega cinco mil pessoas locais. A outra atração é que a lignite não é vulnerável a oscilações do mercado financeiro ou a choques geopolíticos, ao contrário do petróleo e do gás importados, que na Grécia provêm principalmente da Rússia.

ZAP //

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