Varoufakis confirma: Grécia não vai pagar ao FMI

Alexandros Vlachos / EPA

O ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, durante um encontro do Syriza no parlamento grego

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, confirmou hoje que a Grécia não vai reembolsar o empréstimo de cerca de 1.600 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que vence hoje.

Questionado por jornalistas, que o esperavam à entrada do Ministério das Finanças em Atenas, sobre se a Grécia iria fazer o pagamento, Varoufakis respondeu laconicamente, antes de entrar. “Não“.

A ministra-adjunta das Finanças da Grécia, Nadia Valavani, tinha hoje adiantado, em declarações à televisão pública grega, que Atenas não iria reembolsar o empréstimo de cerca de 1.600 milhões de euros ao FMI, salvo se fosse encontrada uma solução de última hora que permitisse enfrentar este pagamento e evitar entrar em “incumprimento”.

Valavani insistiu que para fazer o reembolso não seria necessário um novo acordo com as instituições (Comissão Europeia, BCE e FMI) porque faz parte do programa de resgate vigente.

Até às 18:00 horas em Washington (00:00 em Lisboa), a Grécia pode efetuar este reembolso que agrupa três pagamentos de junho, caso contrário entrará em incumprimento em relação ao FMI.

ValavaniNadia / Facebook

A ministra-adjunta das Finanças da Grécia, Nadia Valavani

A ministra-adjunta das Finanças da Grécia, Nadia Valavani

Se a Grécia não pagar hoje, é iniciado um processo de tramitação, que, como recordou Valavani, pode durar um mês até que seja declarado o incumprimento.

Neste sentido, o ministro das Finanças francês, Michel Sapin, considerou que o não pagamento da Grécia ao FMI hoje não teria “grandes consequências”.

Uma vez que se confirme que a Grécia não pagou, espera-se que a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, informe o Conselho Executivo da instituição, possivelmente no mesmo dia.

Um dia crucial para a liquidez da Grécia voltará a ser quarta-feira, quando se espera que o Conselho de Governadores do BCE decida se mantém a provisão de créditos de urgência à banca grega.

O BCE tem mantido as injeções de liquidez para garantir a solvência dos bancos, mas não aumentou o ‘plafond’ dos créditos de cerca de 90.000 milhões de euros, que depois das elevadas saídas de depósitos das últimas semanas dificultou a situação das entidades financeiras.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, responsabilizou o Eurogrupo por ter provocado a decisão do BCE de não aumentar os empréstimos ao não aceitar o pedido da Grécia para ampliar o prolongamento do resgate, com o objetivo de realizar com calma o referendo do próximo domingo.

Segundo o primeiro-ministro grego, esta decisão do BCE desencadeou a imposição pelo Governo de restrições bancárias na última segunda-feira.

Governo grego ainda não reagiu à última proposta de Juncker

O Governo grego ainda não respondeu à última oferta apresentada pelo presidente da Comissão Europeia no sentido de se alcançar um “acordo de última hora” sobre a assistência financeira à Grécia, indicou hoje um porta-voz da Comissão Europeia.

Margaritis Schinas confirmou, na conferência de imprensa diária do executivo comunitário, que, na sequência de um telefonema do primeiro-ministro grego ao presidente da Comissão na segunda-feira à noite, Juncker, após consultar o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, explicou a Alexis Tsipras em que moldes poderia ser alcançado um compromisso de última hora que pudesse ser considerado pelo Eurogrupo numa reunião de emergência.

Segundo o porta-voz, e apesar de ter sido solicitada uma resposta até à meia-noite de segunda-feira, tal ainda não aconteceu até ao momento, “e o tempo agora é muito curto” para ainda se chegar a um acordo antes do final do atual programa de assistência, que termina hoje.

O programa europeu de assistência financeira expira hoje à meia-noite“, recordou mais que uma vez o porta-voz da Comissão, que confirmou ainda estarem em curso contactos entre Bruxelas e Atenas.

Relativamente à proposta apresentada por Juncker a Tsipras, Schinas confirmou o que fonte comunitária já adiantara hoje de manhã à Lusa: o Governo grego teria que aceitar a proposta que as instituições apresentaram na passada sexta-feira à noite e teria que se comprometer em fazer campanha pelo “sim” no referendo previsto para o próximo domingo.

Por outro lado, a UE atenderia às necessidades financeiras prementes das autoridades gregas e à questão da sustentabilidade da dívida, apontou.

/Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Cinco meses cheios de nada. Os extremistas têem agenda obscura. O povo grego que lixe… Venha a nacionalização da banca!?

  2. Isto chama-se ” Chantagem até à ultima”. O governo Grego, pelo facto de dever dinheiro ( embora o queira pagar) tem de paga-lo como a europa e principalmente Alemanha ( que lhe deve dinheiro à 70 anos e nunca pagou) querem. E ainda, tem de fazer o contrato que os outros querem assinando declarações e comprometendo-se a apoiar a posição poilitica que os seus pseudo amigos defendem. Sabem de uma coisa? ISTO NEM NA IDADE MÉDIA, QUANDO SE JURAVAM VASSALAGENS.

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