A Grécia e o Euro estão hoje no fio da navalha

Simela Pantzartzi / EPA

O ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, durante um encontro do Syriza no parlamento grego

O ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, durante um encontro do Syriza no parlamento grego

Os ministros das Finanças do euro reúnem-se hoje no Luxemburgo para um Eurogrupo completamente focado na Grécia, mas sem um acordo à vista sobre o programa de resgate do país, que poderá estar à beira do incumprimento.

A menos de duas semanas de expirar o programa de assistência financeira a Atenas, ainda não há acordo entre a Grécia e os credores sobre as medidas a executar pelo país que permitam desbloquear os 7,2 mil milhões de euros da última tranche do programa de resgate.

As negociações serão abordadas hoje numa reunião dos ministros das Finanças da zona euro, no Luxemburgo, mas as duas partes já anteciparam que descartam a possibilidade de um acordo neste encontro.

Sem acordo, o país – com os cofres públicos praticamente sem dinheiro – fica à beira do incumprimento e mesmo de uma saída da zona euro, o famoso ‘Grexit’.

A Grécia tem de pagar 1,6 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional até final de junho.

Em julho e agosto, tem ainda de amortizar 6.700 milhões de euros de dívida ao Banco Central Europeu.

Incumprimento à porta

Apesar de o cenário de default parecer estar cada vez mais perto e de a Grécia e os parceiros europeus e credores (Comissão Europeia, FMI e BCE) estarem cada vez mais crispados, deverá assistir-se por estes dias a um último esforço, com negociações técnicas paradas à espera dos desenvolvimentos políticos.

Fala-se mesmo de uma cimeira extraordinária de líderes europeus para desbloquear um acordo, se neste Eurogrupo não houver avanços.

Desde fevereiro – quando o programa de resgate foi estendido até junho – que se arrasta o processo de negociações entre Atenas e os credores sobre as reformas a adotar pelo país.

Pelo meio, houve mudanças na equipa de negociadores, mensagens contraditórias, confrontos, fugas de informação, muita crispação e, sobretudo, poucos avanços.

Posições extremadas

A chanceler Alemã, Angela Merkel, afirmou esta quinta-feira que ainda é possível um acordo entre a Grécia e os credores.

“Estou convencida de que onde há vontade, há um caminho”, disse Merkel aos deputados alemães no Bundestag.

Mas as posições das duas partes têm vindo a extremar-se nos últimos encontros.

As reformas que mais afastam Atenas e credores têm que ver com cortes nas pensões, sobretudo nos complementos das reformas mais baixas, e subidas no IVA.

O Governo grego quer ainda uma estratégia para lidar com a elevada dívida do país, o que poderia ser feito através de uma nova reestruturação da dívida, que na Europa parece ser tema ‘tabu’.

Além do que um eventual incumprimento da Grécia significa para o país, há ainda a questão do contágio a outros Estados-membros da zona euro.

Apesar de vários líderes europeus tentarem desvalorizar este risco, o presidente do BCE, Mario Draghi, admitiu na segunda-feira que é impossível “especular” sobre essas consequências a médio e longo prazo, já que se entraria “em águas desconhecidas”.

Grexit pode acabar com o Euro

Euclides Tsakalotos, o líder da equipa de negociadores da Grécia, deu esta manhã uma entrevista à cadeia britânica Radio4, na qual deixa uma ameaça: “Se a Grécia sair do euro, o euro pode acabar

Segundo Tsakalotos, se a Grécia sair do Euro, “a união monetária passa a ser apenas um sistema de câmbios fixos”, e isso traria o “regresso das desvalorizações competitivas, dos nacionalismos —  o tipo de política que tínhamos nos anos 30″.

Gabriel Sakellaridis, porta-voz do Governo de Atenas, negou esta manhã que o Governo esteja a preparar um controlo de capitais na Grécia, caso falhe um acordo com os credores.

“Os depósitos bancários estão a salvo”, garante Sakellaridis.

Segundo o Observador, as notícias dos últimos dias dão conta de que estará a haver uma saída em massa de depósitos dos bancos gregos, que entre ontem e hoje terão perdido 1.4 mil milhões de euros em depósitos.

Cavaco e Governo: país está preparado

O Presidente da República admitiu hoje que “um acidente com um país na zona do Euro” terá efeitos negativos, mas disse acreditar que as consequências da situação grega podem ser contidas em relação a Portugal e à União Europeia.

“Todos os países da União Europeia estão preocupados, embora se diga – e eu concorde – que as instituições europeias estão melhor preparadas para enfrentar um acidente com um país da zona do Euro, alguns efeitos ocorrerão e não serão efeitos positivos“, afirmou o chefe de Estado, Cavaco Silva, durante uma conversa com os jornalistas em Bucareste, na Roménia.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, garante que Portugal está preparado “para alguma volatilidade dos mercados” se a Grécia for obrigada a sair do Eurogrupo.

“Portugal não será apanhado desprevenido. Nós estamos preparados para qualquer situação, mas na Zona Euro há mecanismos para responder”, garante Passos coelho.

“Fizemos o nosso trabalho de casa”, afirma o primeiro ministro.

ZAP / Lusa

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5 COMENTÁRIOS

  1. O que os radicais do bloco de esqª de lá conseguiram foi fazer com que os gregos retirassem os seus euros dos bancos… À cautela.

  2. Não se pense que este confronto está para acabar.nem sequer a 1a batalHa será decidida até ao final do mês. Te show mistura go on

  3. Era o melhor que nos acontecia, a Grécia cair e cair TODO o sistema obsoleto que estão ainda a tentar salvar com resgates e mais resgates.
    Vale mesmo a pena a usura? Não precisamos dela, de certeza. Dívidas que são praticamente impossíveis de se saldar, em que o POVO é quem mais sofre.
    Estamos fartos!
    Se a Grécia cair, os BRICS vão tomar conta do assunto. Gravem o que lhes digo.

    • Porque não as dívidas mais dívidas sobre dívidas… Por cá, a exemplo da dívida soberana também a dívida particular é descomunal… Empréstimos sobre empréstimos para pagar empréstimos… Viver sistematicamente acima do que “produzem”… Chame-se-lhe viver para a proeminência da barriga… Agora usura?

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