Alterações climáticas estão a impedir a recuperação da Grande Barreira de Coral

Richard Ling / Flickr

Cientistas da Austrália e dos Estados Unidos verificaram uma descida histórica no surgimento de novos corais na Grande Barreira de Coral. O culpado é o aquecimento global.

A Grande Barreira de Coral, na Austrália, foi atacada pelo fenómeno de branqueamento em massa em 2016 e 2017. O branqueamento não atingiu este ecossistema em 2018, mas continua a influenciar a vida dos seus organismos.

De acordo com um artigo científico, recentemente publicado na Nature, estes branqueamentos consecutivos causaram uma diminuição de 89% no surgimento de novos corais no ano passado.

Em 20 anos, a Grande Barreira enfrentou quatro branqueamentos em massa: em 1998, 2002, 2016 e 2017. Durante fenómeno, a água aquece mais do que seria suposto e os corais ficam esbranquiçados. Isto acontece porque as algas, que vivem em simbiose com os corais e lhes dão cor, deixam de fazer a fotossíntese e passam a produzir substâncias tóxicas.

Os corais ficam sem acesso aos nutrientes dados pelas algas e, como consequência, ficam desnutridos e podem mesmo morrer. As perdas causadas por este fenómeno foram substanciais. Só em 2016, morreram 30% dos corais rasos da Grande Barreira.

Segundo o Público, recentemente, uma equipa de cientistas analisou as relações entre os corais adultos e a produção de larvas antes e depois dos branqueamentos de 2016 e 2017.

A relação é conhecida como “recrutamento de larvas” e, neste processo, os corais reproduzem-se através da produção de largas designadas plânulas. Depois, essas larvas dispersam-se no plâncton até colonizarem o recife e, no final, dão origem a novos corais.

Segundo Andrew Baird, do Centro de Excelência para o Estudo dos Recifes de Coral (ARC) e um dos autores do estudo, este recrutamento é essencial para a recuperação dos recifes. “Sem bebés não pode haver adultos“, disse ao Público.

“Como consequência da mortalidade em massa de corais adultos em 2016 e 2017 devido ao stress térmico, a quantidade de recrutamento de larvas desceu para níveis históricos de 89% em 2018″, lê-se no artigo.Como houve uma perda de corais adultos, houve uma diminuição de 89% na reposição de novos corais na Grande Barreira – “corais mortos não têm bebés”, ressalva Terry Hughes, líder da equipa, num comunicado do ARC.

“As larvas de corais que são produzidas todos os anos são componentes vitais da resiliência da Grande Barreira de Coral”, sublinha Baird, destacando que a diminuição no recrutamento de larvas foi mais grave na secção Norte da Grande Barreira e nos corais do género Acropora.

O aquecimento global comprometeu gravemente a capacidade de os recifes recuperarem dos branqueamentos”, resume o cientista.

Na prática, tudo se resume a um ciclo: as alterações climáticas causam o branqueamento, o branqueamento mata os corais adultos, os corais mortos não produzem larvas e, sem larvas, não se pode recuperar da perda de adultos causada pelas alterações climáticas.

ZAP //

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