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Governo português negoceia distribuição de gás a partir de Sines com a Alemanha e a Polónia

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EPA/Marcin Obara

Primeiro-ministro António Costa com o homólogo polaco Minister Mateusz, em Varsóvia

Projeto conta com financiamento assegurado o Plano de Recuperação e Resiliência e do PT2030 e as objeções francesas parecem já não constituir um problema.

O Governo português está a negociar com os governos alemão e polaco a possibilidade de o porto de Sines passar a distribuir gás aos países da Europa, numa altura em que o bloco pretende acabar com a dependência do produto russo e precisa de uma alternativa. De acordo com o jornal Público, o gás seria transportado através do método transhippment — termo inglês para transbordo —, o que permitiria preencher algumas das carências europeias. A fonte do gás seria os Estados Unidos da América e o entrega feita por via de navios mais pequenos.

Apesar de o Governo português considerar outros países para o projeto, a mesma fonte noticia que que a Alemanha e a Polónia são os parceiros privilegiados. De acordo como o Executivo, citadas pelo Público, “o estudo técnico está completo” e esta trata-se de uma “solução viável, flexível e alternativa” resultante da “posição geográfica central no Atlântico”. Este é um argumento forte, a que se junta o facto de os portos do Norte da Europa estarem “muito congestionados”.

Apesar de o projeto implicar alterações e adaptações no porto de Sines, este investimento não é visto como um entrave ao Governo português, já que o as verbas seriam provenientes do Plano de Recuperação e Resiliência e do PT2030. No entanto. estes podem ser dispensados caso os privados entrem na equação. Tal como nota o Público, citando novamente fonte governamental, a verdade é que a “nova conjuntura geopolítica abre oportunidades para Portugal“.

Apesar da vontade política e da existência de financiamento, há entraves ao projeto português que já falhou anteriormente por oposição de França, por exemplo. Em declarações ao Público, Pedro Marques, eurodeputado socialista, reconhece-o. Tal objeção deve-se aos planos franceses de exportar eletricidade através do nuclear. Contudo, a cimeira de Versalhes parece ter sido um ponto de viragem, já que passar o gás através dos Pirinéus foi definido como “prioridade“. Juntamente com Portugal, Espanha também está apostada na luta, já que os dois países estão prontos “a receber o gás que vem dos Estados Unidos, poder gaseificá-lo e transformá-lo”.

A última semana ficou marcada pela aprovação pela Comissão Europeia de um plano de ação RepowerEU, com orçamento de 300 mil milhões de euros, que visa precisamente apoiar o investimento que ajudem a acabar com a dependência energética da Rússia. “Vamos aumentar o nosso nível de ambição e assegurar que que não dependemos mais dos combustíveis russos o mais depressa possível“, afirmou Ursula von der Leyen a propósito da aprovação.

Esta manhã, em Varsóvia, o primeiro-ministro, António Costa, afirmou que Portugal está em condições de contribuir para a autonomia energética da Europa, libertando-a da atual dependência do gás russo, através de fornecimento de gás e hidrogénio. Esta posição sobre a estratégia energética da União Europeia foi transmitida por António Costa em Varsóvia, durante uma conferência de imprensa conjunta com o seu homologo polaco, Mateusz Morawiecki.

Logo no início da conferência de imprensa, Mateusz Morawiecki rejeitou a ideia de Estados-membros da União Europeia continuarem a comprar gás e petróleo à Rússia e, a seguir, António Costa elogiou esse esforço que o Governo de Varsóvia está a fazer para assegurar a sua autonomia energética.

“Portugal é desde há muito tempo defensor da urgência de assegurar a transição energética baseada em renováveis. Temos condições para contribuir de uma forma duradoura para a autonomia energética da Europa”, sustentou, antes de falar nas potencialidades do porto de Sines ao nível do abastecimento de gás e hidrogénio. O primeiro-ministro salientou que a questão da energia foi uma das principais em análise nas conversações que manteve esta manhã com o seu homólogo polaco.

  ZAP //

2 Comments

  1. Mas que grande “treta”!
    “navios mais pequenos”? Não sabe fazer contas? Pensa que outros não sabem?

  2. Se os nossos parceiros a leste estiverem à espera da decisão do governo português bem estarão sujeitos a morrer congelados durante uns anos até esta ser tomada, a não ser que passem a enviar gás via aérea do novo aeroporto de Lisboa!

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