Tsipras respira de alívio (apesar da gravata) após “histórico” acordo sobre dívida

Yannis Kolesidis / EPA

Alexis Tsipras, de gravata, comemora acordo histórico

O Governo grego respirou hoje de alívio por ter podido fechar o terceiro resgate, após uma maratona do Eurogrupo que concluiu com um acordo que vai permitir ao país financiar-se pelos seus próprios meios mas que o manterá sob a estreita vigilância dos credores.

O primeiro-ministro grego tinha prometido que só usaria uma gravata quando o seu país saísse dos programas de resgate financeiro internacionais. O prometido é devido: esta sexta-feira, 8 anos e 3 resgates depois, o Eurogrupo aprovou a saída dos gregos do programa de assistência financeira, e Alexis Tsipras apareceu em público engravatado.

“As apostas fazem-se para serem ganhas. É um pouco difícil. Mas hei de habituar-me”, disse Tsipras. “Foi um acordo histórico para a dívida. Foi um acordo que foi além do que os mercados esperavam”, afirmou o primeiro-ministro, ao informar ao presidente da Grécia, Prokopis Pavlopoulos, dos resultados da maratona negocial.

Tsipras ressaltou que graças à extensão dos prazos de amortização dos empréstimos, a dívida tornou-se sustentável. Recalcou, no entanto, que o fecho do resgate não implica que a Grécia possa “deixar o caminho das reformas e da gestão prudente”, mas significa que deixa “o caminho espinhoso da austeridade”.

Os compromissos estão definidos, mas de agora em diante os Governos gregos “terão a liberdade de escolher que políticas aplicam para conseguir estes objetivos”, acrescentou.

O ministro das Finanças, Euclides Tskalotos, procurou lançar uma mensagem promissora à população ao prometer que as consequências do acordo deverão materializar-se em breve. O crescimento não virá só “para uns poucos, mas para muitos”. “Essa é a promessa do Governo grego”, assegurou Tsakalotos desde o Luxemburgo.

O acordo fechado esta madrugada no Luxemburgo amplia em dez anos os vencimentos dos empréstimos do segundo resgate, de 22 a 32 anos, e adia em dez anos, desde 2023 até 2033, a data em que a Grécia deve começar a devolver estes créditos e os seus juros.

Além disso, prevê um desembolso de 15.000 milhões de euros da última tranche, que vai engrossar os colchões de reservas até aos 24.100 milhões de euros e permitirá à Grécia cobrir as suas necessidades de financiamento durante 22 meses sem necessidade de recorrer aos mercados.

Os parceiros vão devolver a Atenas os juros gerados pela dívida grega do Banco Central Europeu (BCE) e dos bancos centrais da Zona Euro em pagamentos semestrais até 2022, o que se traduz num desembolso aproximado de 1.200 milhões anuais.

Este desembolso estará, no entanto, condicionado a que a Grécia siga com todo o rigor todos os compromissos adquiridos, o que será supervisionado a cada três meses, o dobro da frequência aplicada aos outros países que assinaram programas de assistência financeira.

Entre estes compromissos encontra-se manter um excedente primário de 3,5% do produto interno bruto (PIB) até 2022, e de 2,2% nos 37 anos posteriores até 2060.

O Governo de Tsipras deverá além disso aplicar as reformas pós-resgate aprovadas já a priori -um novo corte às pensões e a redução do mínimo isento de tributação-, duas medidas que geraram novas críticas entre a população e levaram a oposição a falar de um “quarto” programa de reformas, só que desta vez sem assistência financeira.

O principal partido da oposição, a Nova Democracia, sustentou que o acordo não fornece nenhuma redução ou perdão, apenas uma série de medidas “nada espetaculares”. A Nova Democracia prometeu que uma vez que assuma o Governo “vai corrigir” os “maus resultados” apresentados por Tsipras.

// EFE

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5 COMENTÁRIOS

  1. A gravata, serve para quê? Enfeitar?
    No Japão, em muitos escritórios, desistiram do seu uso e puderam diminuir os custos com o ar condicionado.

  2. Tsipras entrou pela porta da extrema esquerda, mas bem depressa caiu na real e meteu o socialismo na gaveta (onde já vi isto ? ).
    E como em Portugal, pode fazer a política de direita ( e de mercado ) indicada por Bruxelas (até usar gravata) , que os seus pares engolem todo o tipo de sapos. (será que também já vi isto por cá, Jerónimo ?!? )

  3. Caberá aqui esclarecer que hoje em dia na maioria dos países não se pratica nem políticas de esquerda nem de direita. Se houvesse verdadeiro capitalismo, as PMEs e os pequenos negócios tinham mais oportunidade e havería verdadeira e leal concorrência. Qualquer negócio podería participar numa maior ou menor fatia do mercado. Não é isso que se passa… O que se passa, é que os grandes interesses económicos corporativos (bancos, seguradoras, telecomunicações, farmacêuticas, hipermercados, transportadoras, construtoras e acima de tudo, as petrolíferas e outras energéticas), compram o poder político e encomendam leis que os protegem e privilegiam nos mercados e na justiça. Assim as elites económicas acumulam cada vez maior riqueza em detrimento de 99% da população que está cada vez mais pobre e impedida de ter hipóteses nos mercados.

    As grandes corporações económicas, além de terem cada vez mais dinheiro para comprar os políticos e as leis, inclusive através de lobbying e portas giratórias, subvertem ainda as regras da concorrência livre, cartelizando-se e comprando-se umas às outras para terem monopólios que esmagam e absorvem qualquer pequeno negócio que tente concorrer. Tudo isto apadrinhado por leis encomendadas a políticos corruptos. Depois para completar o ramalhete, o governo mete os contribuintes a resgatar os seus prejuizos e a financiar os seus investimentos (too big to fail). Mas depois os lucros, esses não são partilhados com os contribuintes nem sequer injectados na economia. Não, vão todos para Off-Shores para fugir aos impostos impunemente. Ficamos nós os 99% sozinhos a pagar impostos que uma vez mais, os vão financiar e resgatar sempre que necessário.

    Os governantes que perpétuam esta situação com leis e privilégios, depois têm sempre tachos como CEOs e accionistas nestas corporações. Esta promiscuidade entre poder político e grandes interesses económicos, que reduz o eleitorado e a cidadania a uma plantação de escravos modernas… É pois orquestrada por uma classe política em permanente conivência com um terceiro actor deste triunvirato mafioso: As grandes sociedades de advogados. Já repararam que a maioria dos políticos são advogados? E já viram que os corredores da Assembleia estão carregados de advogados das maiores sociedades?

    Meus amigos… Quem tem a ignorancia de confundir isto com capitalismo, não sabe nada do que é Liberalismo Clássico e deveria ler um bocadinho mais antes de falar. Não… Isto não são políticas de direita, nem capitalismo. Isto é crime político! Quem se ilude (uma vez mais por ignorância) de que política e economia não têm nada a ver com moral, também desconhece que Liberais Clássicos como Adam Smith se entitulavam “filósofos morais”. Poucas coisas estão por definição tão ligadas à moral e à ética, como a política e a economia, para poderem funcionar bem… E é a ausência de decência, de humanismo e de ética, que tem estado a atirar com o mundo para a desgraça económica enquanto 1% de elites ricas engordam à custa disso. Experimentem por exemplo ler Karl Polanyi, para peceber que Estado e Mercado Livre estão longe de ser opostos. Sem Estado não há esta desregulação dos mercados a que assitimos hoje em dia porque para que as leis possam ser feitas para privilegiar as elites, tem de haver Estado. Se não lutamos com o voto (mesmo que em branco) para combater este estado de coisas enquanto ainda existem regimes democráticos… Daqui a pouco é tarde demais, e temos uma realidade tipo “1984” de George Orwell, ou “O Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley.

  4. Certamente quando este cómico da esquerdalha grega e europeia tomou posse ninguém da sua laia pensaria vê-lo curvado perante a realidade que pretendia negar na altura, não só vergou perante todas as exigências da troika como participa hoje parecendo por vezes mais ferrenho do que aqueles a quem provocava e afirmava a pés juntos não ceder, de lobo mau passou a cordeirinho manso!.

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