Os pais das crianças tentaram várias vezes receber o Zolgensma no Dona Estefânia, mas quatro médicos manifestaram a sua objeção.
O pedido de ajuda ao filho de Marcelo Rebelo de Sousa não foi a primeira tentativa dos pais das gémeas luso-brasileiras para tratarem a filha em Portugal.
De acordo com uma investigação da TVI, a família das crianças com atrofia muscular espinhal tentou primeiro receber o recebessem o medicamento mais caro do mundo, o Zolgensma, no Hospital Dona Estefânia, mas enfrentou a oposição dos médicos
Os emails trocados com os médicos do Dona Estefânica indicam que os pais das bebés contactaram o hospital a 14 de outubro de 2019, uma semana antes de Nuno Rebelo de Sousa enviar um email à Presidência da República, de acordo com o que indicou o próprio Marcelo.
O hospital negou o pedido, tendo a família insistido várias vezes até 15 de novembro. Quatro clínicos do Dona Estefânia mostraram a sua objeção ao tratamento e explicaram os seus argumentos nos emails, lembrando que o orçamento do hospital não previa este gasto, dado que o medicamento custa quatro milhões de euros.
“Em Portugal houve um caso muito excecional de administração de Zolgensma. Contudo as autoridades de saúde não têm uma posição definida e uniforme quanto aos casos restantes. Nomeadamente para os bebés com mais de oito meses de idade”, justifica um dos médicos, referindo-se ao caso da bebé Matilde.
Além disso, os médicos argumentaram que a transição do medicamento que estava a ser administrado às bebés no Brasil para o tratamento em Portugal não traria vantagens comprovadas, segundo estudos científicos.
As gémeas acabaram depois por ser tratadas no Hospital Santa Maria com o Zolgensma, num caso que está agora a ser investigado pelo Ministério Público por suspeitas de uma alegada cunha de Marcelo Rebelo de Sousa. O chefe de Estado nega ter tido uma interferência direta e afirma que reencaminhou o caso para o Governo.
Lacerda Sales rejeita ter marcado consulta
O antigo governante António Lacerda Sales afirmou esta terça-feira que nenhum secretário de Estado tem poder para marcar consultas e influenciar ou violar a consciência e a autonomia de qualquer médico, referindo-se ao caso das gémeas luso-brasileiras.
O ex-secretário de Estado da Saúde respondeu desta forma à agência Lusa sobre o seu alegado envolvimento no caso das gémeas luso-brasileiras. Segundo uma reportagem da TVI, a primeira consulta das gémeas terá sido solicitada por um secretário de Estado à directora do Departamento de Pediatria do Hospital Santa Maria.
Questionado sobre esta situação, António Lacerda Sales disse que “nenhum secretário de Estado, nem ninguém, tem poder para marcar consultas, nem para influenciar ou violar quer a consciência quer a autonomia de qualquer médico”.
Sublinhou ainda que “seria muito mau até que qualquer médico, no seu compromisso ético, se deixasse influenciar por alguém exterior à instituição ou por qualquer entidade exterior à instituição”.
Lacerda Sales não quis fazer mais comentários sobre o caso, afirmando que decorre um processo de inquérito na Justiça contra desconhecidos e que aguarda a sua conclusão.
“Se for notificado, obviamente, que responderei em sede própria, o DIAP [Departamento de Investigação e Acção Penal] e a IGAS [Inspecção-Geral das Actividades em Saúde], às questões que me colocarem. Antes disso, não posso, nem devo, antecipar como é óbvio coisa nenhuma”, declarou à Lusa Lacerda Sales, à margem da cerimónia da entrega por parte da Liga dos Bombeiros Portugueses da Medalha Comemorativa Covid-19 Gratidão às entidades da Saúde envolvidas na pandemia.
O antigo governante e deputado do PS disse não se recordar do caso das gémeas, referindo que se passaram quatro anos, com uma pandemia pelo meio, pelo que se torna “muito difícil” lembrar-se do que se passou na altura.
“Além disso, não tenho acesso a quaisquer documentos e, portanto, não consigo reconstituir na fita do tempo todo este processo e espero tranquilamente por ter acesso a esses documentos [para o poder fazer]”, salientou.
O caso das gémeas foi revelado numa reportagem da TVI, transmitida no início de Novembro, segundo a qual duas crianças luso-brasileiras vieram a Portugal em 2019 receber o medicamento Zolgensma para a atrofia muscular espinhal, que totalizou no conjunto quatro milhões de euros. Segundo a TVI, havia suspeitas de que isso tivesse acontecido por influência do Presidente da República, que negou qualquer interferência no caso.
O caso está a ser investigado pela Procuradoria-Geral da República, pela IGAS e é também objecto de uma auditoria interna no Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte, do qual faz parte o Hospital de Santa Maria.
ZAP // Lusa
Volto a perguntar: Porque razão, sendo elas brasileiras, não foram tratadas no Brasil? O Governo brasileiro não paga esta medicação? Os pais tinham dívidas ao Estado no Brasil? Lá, parece que quem é infrator, não cumpre com os seus deveres cívicos não tem direito a nada. Aqui deveria ser igual. Segundo as notícias, os pais das gémeas tinham muito dinheiro, pois tinham grandes dívidas ao Estado..
Como conseguiram, sendo os pais e elas de nacionalidade brasileira, nacionalidade portuguesa? Uns conseguem rapidamente e outros, nem com familiares portugueses conseguem. Toda esta história é muito estranho.
É exactamente disso que se trata, a cunha para algo funcionar como devia.
Corrupção endémica e clientelismo. Se falar com alguém que viveu na URSS vai ver que era assim.
O gaga do PR , tem e deve aos Portugueses um explicação cabal. O dinheiro é para tratar os portugueses e não os amigos do Filho do PR.
Se chegarmos à conclusão que teve a sua influencia deve demitir-se. Assim , como assim, já que estamos num pântano em termos de governo, o PR não faz falta nenhuma.
Agora a desculpa de todos é “não me lembro”, conforme foi aprendido com este governo. Portanto, e resumindo, esta medicação de milhões, paga por todos nós, foi roubada do hospital pelos pais das crianças.
O Lula, porque permitiu este “roubo” a Portugal? Então ele não é tão generoso?! Ou é só um fantoche?