Garcia de Orta. Governo admite recorrer a pediatras do privado para assegurar urgência

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Francisco Ramos, disse que a falta de médicos pediatras nas urgências do hospital Garcia de Orta “é uma situação que não é possível resolver de um momento para o outro”.

O serviço de urgências pediátricas no hospital Garcia de Orta poderá ser assegurado com médicos do setor privado até que haja uma solução definitiva, adiantou esta terça-feira o Governo, que admite rever o número de urgências pediátricas abertas em Lisboa.

“Poderemos ir buscar médicos pontualmente aos hospitais privados para assegurar o serviço onde há carências no serviço público, até que, naturalmente, haja possibilidade de colmatar essas falhas de forma mais firme e segura, nomeadamente através dos concursos, que também vão abrir, e, naturalmente, o Garcia de Orta terá as vagas necessárias para resolver os seus problemas”, disse aos jornalistas o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Francisco Ramos.

O secretário de Estado falava à entrada para a sessão de encerramento da conferência “SNS: O futuro começa hoje!”, que decorreu esta terça-feira na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Francisco Ramos afirmou que a falta de médicos pediatras nas urgências do hospital Garcia de Orta, em Almada, “é uma situação que não é possível resolver de um momento para o outro” e que têm que ser feitos esforços “para que haja soluções a curto prazo”, com a ajuda de outros hospitais públicos e com “a colaboração de entidades privadas”, que, além de hospitais privados, pode passar também pelo setor social, como as misericórdias.

“São essas entidades que estão a ser convocadas, mas o que gostava de assegurar aos portugueses é que tudo será feito para que os serviços continuem a ser prestados e com a qualidade que é devida a todos”, disse.

Questionado sobre o cenário de rever a organização das urgências pediátricas em funcionamento na área metropolitana de Lisboa, o secretário de Estado admitiu que possa haver uma revisão. “Acho que vale a pena questionar se, nomeadamente na cidade de Lisboa, faz sentido ter tantas portas abertas, sobretudo com o rótulo de urgência polivalente, mas esse é um trabalho que, naturalmente, terá que ser feito”, afirmou.

O Hospital Garcia de Orta informou na segunda-feira que a urgência do serviço de pediatria encerraria durante a noite e madrugada, até às 08h30 da manhã desta terça-feira, por “insuficiência de médicos pediatras para cumprir a escala noturna”. Este cenário já tinha acontecido na noite de sábado e na madrugada de domingo.

A falta de pediatras neste hospital já se arrasta há mais de um ano, quando saíram 13 profissionais do serviço, sendo que o lançamento de concursos também não foi suficiente para colmatar a carência porque “ninguém concorreu”, segundo o Sindicato dos Médicos da Zona Sul.

Numa carta enviada ao bastonário dos Médicos no início deste mês, os pediatras deste hospital pediram a intervenção urgente da Ordem na situação do serviço de urgência pediátrica por considerarem que não há condições mínimas de segurança para os doentes em vários momentos.

Miguel Guimarães considerou que o encerramento da urgência pediátrica do Garcia de Orta na noite de sábado representou uma “falência do Ministério da Saúde e do Estado”, que está há meses sem resolver a situação.

ZAP ZAP // Lusa

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