A Ciência mostra-lhe como manter as gaivotas longe das suas batatas fritas

Nenhum pedaço de comida está seguro se uma gaivota estiver por perto. Mas um estudo recente encontrou um método científico para manter estes animais longe das suas batatas fritas. E não é tão difícil quanto pensa.

Mantenha a gaivota na sua mira e olhe para o animal intensamente, como se o estivesse a intimidar. Ao fazê-lo, não salva apenas a sua refeição, como também ajuda a salvar espécies ameaçadas, reduzindo o conflito entre humanos e gaivotas.

No artigo científico, publicado no dia 7 de agosto na Biology Letters, os investigadores referem que o conflito entre animais selvagens e humanos é uma das principais causas de declínio de espécies e do sucesso limitado dos esforços de conservação. “Mudanças no comportamento humano poderiam aliviar este conflito.”

Desta forma, uma equipa de investigadores, liderada por Madeleine Goumas, da Universidade de Exeter, no Reino Unido, decidiu analisar se o roubo protagonizado por estas aves poderia ser afetado pelo comportamento do humano, o lesado.

Os investigadores decidiram estudar gaivotas-prateadas (Larus argentatus), uma das mais famosas da Grã-Bretanha. Para investigar o conflito entre humanos e gaivotas, os cientistas procuraram estes animais nas cidades costeiras de Cornwall, no Reino Unido, e atraíram os pássaros com batatas fritas.

Este lanche tão apreciado pelas gaivotas foi colocado em sacos transparentes selados, para que a gaivota se sentisse tentada, mas não conseguisse comer as batatas. Esta técnica foi utilizada para evitar que uma recompensa inicial influenciasse o comportamento do animal.

Segundo o Science Alert, os sacos foram colocados no chão, perto de um dos investigadores, e a equipa usou um cronómetro para avaliar a aproximação da gaivota quando o cientista olhava para a ave ou, pelo contrário, desviava o olhar.

Cada vez que o investigador desviava o olhar, todas as 19 gaivotas usadas na experiência tocaram no saco de batatas fritas. No entanto, quando o cientista olhava para a gaivota, a ave demorava cerca de 21 segundos a mais, em média, para tocar na recompensa, ou não tocavam de todo.

Este comportamento “demonstra que as gaivotas usam pistas comportamentais dos humanos quando tomam decisões em ambientes urbanos, e que estes animais acham o olhar humano aversivo”, escreveram os cientistas no artigo científico.

“Se a aversão ao olhar humano é uma resposta aprendida, as gaivotas que foram afugentadas pelos humanos podem aprender a associar o contacto humano com o perigo potencial. Em alternativa, a aversão ao olhar pode estar presente na eclosão, sendo que as gaivotas podem generalizar as características de um olho vertebrado.”

Ainda que não esteja claro por que as gaivotas não gostam de ser vigiadas, esta investigação mostra que o conflito entre humanos e gaivotas poderia ser evitado por apenas uma pequena mudança comportamental.

Além disso, quem fica a ganhar não são apenas os humanos, uma vez que não se sabe se comer alimentos fritos embebidos em óleos prejudica a saúde da gaivota. Esta incógnita é exatamente o próximo passo na investigação da equipa.

ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. Pela descoberta tão infantil estes cientistas devem mesmo viver em cidade e apartamento e pouco mais devem conhecer do mundo que os rodeia.

  2. O veneno dos ratos, ou pressão de ar, mantém algumas gaivotas, fora de causar perigo.
    Além de poderem causar lesões, por atacarem os olhos das vitimas, são umas pragas, em certas zonas, onde me inclúo.

  3. Eu percebo que este truque possa funcionar, mas a maior parte dos “ataques” de gaivotas é pelo ar e inesperado. Os vídeos na Internet assim o mostram também. Não posso fazer troca de olhares com uma gaivota que me anda a espiar lá de cima e “ataca” em menos de 3 segundos.

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