Gaguez afeta cerca de 100 mil portugueses e o preconceito “é a maior dificuldade”

André Kosters / Lusa

Rui Tavares e Joacine Katar Moreira, do Livre, recebidos pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

A Associação Portuguesa de Gagos vê na eleição de uma deputada parlamentar com gaguez uma oportunidade para que mais pessoas assumam a sua condição sem vergonha, contribuindo para derrubar preconceitos.

“Poderá sem dúvida contribuir para colocar na ordem do dia a questão da gaguez, tão dada a mal-entendidos e estereótipos, que contribuem para inferiorizar a pessoa que gagueja. Infelizmente foi o que vimos também acontecer nesta campanha eleitoral, com o propagar de vários mitos”, afirmou à agência Lusa o presidente da Associação Portuguesa de Gagos, a propósito da eleição da deputada do Livre, Joacine Katar Moreira.

Num país que terá cerca de 100 mil pessoas com gaguez, José Carlos Domingues frisou que “a maior fonte de sofrimento para os gagos são, geralmente, os preconceitos”, mais do que a dificuldade em dizer determinadas palavras.

Os preconceitos, referiu, “menorizam a participação na vida em sociedade”, tal como o acontece com o “humor fácil, pouco inteligente e desrespeitoso que por vezes é feito à custa de quem gagueja”.

“Esperamos que mais assumam a sua gaguez como algo de que não têm de se envergonhar e que possam realizar projetos de vida. A aceitação da gaguez é o caminho percorrido pela Associação desde há vários anos”, indicou José Carlos Domingues, advogando uma “visão salutar da gaguez entre quem gagueja, de modo a que a gaguez não impeça a realização pessoal e profissional”.

Segundo a terapeuta da fala Jaqueline Carmona, a gaguez é uma perturbação da fala em que a pessoa sabe exatamente o que quer dizer, mas em que o seu discurso oral é caracterizado por repetições, prolongamentos, pausas ou por bloqueios de som.

“Ainda se pode observar, associado aos anteriores, movimentos faciais ou do corpo enquanto a pessoa fala”, lê-se no texto da terapeuta que é divulgado no ‘site’ da Associação Portuguesa de Gagos.

Estima-se que a gaguez afete cerca de um por cento da população mundial, o que, extrapolando para Portugal, significa que podem existir cerca de 100 mil gagos no país. As causas podem ser genéticas, já que 60% dos gagos têm um familiar com gaguez, neurológicas ou psicossociais.

Está afastada a hipótese de que se trata de um problema emocional, de ansiedade ou nervosismo, esclareceu ainda a Associação. A gaguez não tem cura, mas pode ter tratamento, sendo importante um diagnóstico e intervenção precoces.

As crianças começam a manifestar gaguez, geralmente, entre os dois e os cinco anos. Quanto mais tempo permanecem as características de gaguez e quanto mais tarde surge, menor se torna a probabilidade de desaparecer.

Há, contudo, uma gaguez transitória nas crianças, que aparece e desaparece sem causa e de modo aleatório. Esta gaguez é caracterizada por não ter mais de duas repetições consecutivas, não haver mais de 10 falhas na fluência em cerca de 100 palavras, bem como pelo facto de as repetições não terem tensão física ou esforço associado.

Ainda a propósito da eleição de Joacine Moreira, o presidente da Associação Portuguesa de Gagos recordou, em paralelismo, “o mediatismo conferido à gaguez em 2011”, com o filme “O Discurso do Rei”, que aborda a gaguez do rei George VI, de Inglaterra.

A Associação aproveitou para lembrar outros nomes de “gagos famosos”, como Marilyn Monroe, Joe Biden, Bruce Willis, Winston Churchill ou Ed Sheeran. Em Portugal, destacam-se os casos de Mário Laginha, Raul Solnado ou José Saramago.

ZAP // //

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