Fundação Dalí quer desmascarar a “Casa de Papel”

(dr) Antena 3

A máscara usada pelos personagens de “A Casa de Papel” está a causar polémica. A fundação Gala-Salvador Dalí está a estudar ação jurídica para regularizar uso do disfarce.

Salvador Dalí e Gala sempre tiveram fama de gostar muito de dinheiro, mas não a ponto de considerarem assaltar um banco. O mestre do surrealismo, que morreu há 30 anos, virou um inusitado protagonista do crime, ou pelo menos no falso crime.

As máscara usadas na muito popular série espanhola que o Netflix recuperou, “A casa de Papel”, usam a famosa imagem de Dali e dos seus bigodes pontiagudos.

Na série, os criminosos pretendem roubar 2,4 mil milhões de euros do Fábrica Nacional de Moeda de Espanha e, durante os episódios, usam uma máscara que remete para uma representação da cara do artista espanhol.

A máscara virou símbolo da série reconhecido mundialmente, mas a Fundação Gala-Salvador Dalí, criada pelo pintor em 1983, com o objetivo de fomentar, proteger, e defender o seu legado está preocupada com a associação à série da Netflix.

“Estamos a tratar de regularizar os usos do direito de imagem de Salvador Dali”, informaram fontes da fundação ao El País.

A série estreou em Espanha em 2017, mas só quando foi adquirida pelo Netflix, que exerceu a sua influência para trabalhar os episódios e depois distribui-os por todo o mundo.

O sucesso foi tal que se tornou a série de língua não inglesa, mais bem sucedida da plataforma de streaming. Os fãs aguardam em 2019 pela nova temporada, que está a ser gravada desde novembro de 2018 e em que a máscara icónica provavelmente voltará a ser usada.

A Fundação Dali não está no entanto, satisfeita, com o disfarce, que em 2018 foi um sucesso de vendas para festas de Carnaval e Halloween. Pior do que isso, há casos de assaltantes que as usaram para roubar bancos, em Santiago do Chile ou em Buenos Aires, imitando os personagens da televisão.

Ora, se cabe à fundação gerir os direitos imateriais derivados da obra e da pessoa Salvador Dalí, o problema não é “económico”, sublinha a instituição. “Qualquer pessoa que deseje exercitar ou explorar algum destes direitos tem de obter autorização prévia da fundação. Se a fundação tem conhecimento que estes direitos foram violados, tenta regularizar os usos não autorizados”. Ainda assim, agora que a série está nas mãos da Netflix, a fundação reconhece que o assunto “se torna mais complexo“.

A produtora inicial da série, a Vancouver Media disse que os disfarces dos personagens, um macacão vermelho e a máscara, foram uma ideia que a direção da série achou interessante. “A máscara é um desenho que faz lembrar Salvador Dalí, mas um bigode assim qualquer um pode usá-lo, mesmo que tenha sido Dalí a popularizá-lo”.

Chegaram a considerar usar um disfarce que fizesse lembrar “D. Quixote” mas optaram por uma máscara que fizesse lembrar Dalí. Ainda avaliaram se era necessário pedir autorização. “Mas o nosso departamento jurídico decidiu que não era necessário por se tratar de uma caricatura”, explicaram.

A mesma opinião tem o Netflix, que reitera que a máscara se vai manter e que “a decisão de utilizar Dalí foi dos criadores“, com apoio do gabinete jurídico. A empresa sublinha ainda que a série “fez com que o pintor seja conhecido em pontos do planeta que doutra maneira não o conheceriam. É o melhor marketing para Dalí em todo o Mundo”.

ZAP ZAP //

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