Afinal, fóssil de “folha” com 570 milhões de anos é de um animal

(dr) Jennifer Hoyal Cuthill

Um misterioso organismo, semelhante a uma folha, floresceu em águas rasas. Agora, depois de décadas de discussão, os cientistas chegaram à conclusão de que este organismo era mesmo um animal.

Durante décadas, os cientistas não sabiam se esta “folha” era um fungo, uma alga, um protozoário ou mesmo um animal. A discussão perdurou até agora, altura em que novos fósseis sugerem que este organismo era, de facto, um animal.

Se se confirmar, estes organismos estariam entre os primeiros animais no registo fóssil, datando de, pelo menos, 571 milhões de anos atrás – a era dos fósseis de frondes mais antigos. Esta data é cerca de 30 milhões de anos antes da Explosão Cambriana, quando muitos dos grupos de animais de hoje entraram em cena pela primeira vez.

Os misteriosos fósseis de frondes datam do período Ediacarano, que durou entre 635 e 542 milhões de anos atrás. As impressões fossilizadas sugerem que os organismos eram muito macios e que alguns frondes se ramificavam como as algas marinhas. Mas, mesmo 60 anos após esta descoberta, os cientistas continuavam sem saber o que eram essas “folhas”.

Agora, num artigo publicado este mês na Paleontology, a paleontóloga Jennifer Hoyal Cuthill e Jian Han, descreveram a descoberta de 206 fósseis de um animal diferente, o Stromatoveris psygmoglena, datado de aproximadamente 518 milhões de anos atrás. Os fósseis foram encontrados em Chengjiang, na China, e somam-se à coleção de oito fósseis de S. psygmoglena descobertos em 2006.

S. psygmoglena também tinha as tais misteriosas folhas e eram muito parecidos com os antigos fósseis de frondes Ediacaranos. Os cientistas usaram, inclusivamente, um computador de modo a comparar os dois grupos, analisando as suas relações evolutivas e as suas características físicas, com base em mais de 80 fotografias de fósseis.

Cuthill e Han descobriram que ambos os conjuntos de fósseis pertenciam ao mesmo grupo na árvore da vida chamado Petalonamae, o que significa que os organismos ediacaranos também tinham de ser animais.

“Esta descoberta sugere que as espécies animais estavam a diversificar-se muito antes da Explosão Cambriana”, afirmou Cuthill.

Dado que estas criaturas podem ser encontradas durante dezenas de milhões de anos no registo fóssil, é muito provável que Petalonamae tenha evoluído com sucesso. Como o registo fóssil dos organismos ediacaranos parecia ter desaparecido quando surgiu o cambriano, os investigadores pensaram que os organismos haviam sido extintos.

No entanto, a nova análise sugere que, afinal, viveram nos primeiros 20 milhões de anos do período Cambriano.

O facto de os cientistas terem encontrado mais de 200 fósseis significa ainda que estes organismos eram muito comuns, o que indica que “esta espécie era um membro importante no seu ecossistema“, conclui a investigadora.

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