“Turistas energéticos” acumulam contratos de luz e gás para fugir a dívidas

A Associação de Comercializadores de Energia no Mercado Liberalizado (ACEMEL) vai propor à ERSE a criação de uma lista negra de devedores que colecionam contratos de fornecimento de energia, deixando para trás um rasto de dívidas.

Chamam-se “turistas energéticos” e são clientes que trocam constantemente de fornecedor de energia, deixando um rasto de dívidas que, ao fim de seis meses, acabam por prescrever. Para acabar com este fenómeno, a Associação de Comercializadores de Energia no Mercado Liberalizado vai propor à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos a criação de uma lista negra de devedores, que na maior parte das vezes são domésticos.

Segundo Ricardo Nunes, presidente da ACEMEL, o problema afeta mais as empresas de menor dimensão. A Luzigás, a Logica Energy e a Rolear Viva foram algumas das associadas que chamaram a atenção para este fenómeno. Mas, avisa o líder da ACEMEL ao Diário de Notícias, “estes turistas energéticos rodam todos”.

No entanto, a tarefa de criar uma lista negra não é fácil, uma vez que existem “dificuldades legais para controlar este fenómeno”. A isto acrescenta-se o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD) que “torna quase impossível a criação de listas negras de devedores”. Segundo o líder da ACEMEL, a solução apresentada passa pela criação de, pelo menos, um sistema de comunicação entre empresas para troca de informação.

Ricardo Nunes alerta para uma descida artificial nas tarifas em 2018 e 2019 anunciada pela ERSE e pelo Governo, tendo em conta a tendência de aumento dos preços da energia no mercado grossista, que já atingiram recordes históricos no ano passado.

A distorção de preços, só no ano passado, ficou avaliada em 45 milhões de euros – que 1,1 milhões de clientes do mercado regulado pagaram a menos e 5,1 milhões de clientes do mercado livre pagaram a mais.

Ricardo Nunes referiu, ainda, que acredita que o próprio mercado vai fazer aumentar a concorrência entre comercializadores e, por isso, prevê também um movimento de concentração, verticalização e aquisições no mercado de energia.

“São demasiados players para os consumidores decidirem qual a melhor opção em termos de preços e ofertas. Vamos ter menos empresas, que vão estar presentes nas diferentes áreas da cadeia de valor”, acrescentou.

ZAP //

 

 

 

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5 COMENTÁRIOS

  1. Pois, eu conheço é empresas como a Iberdrola, que mesmo depois de denunciado o contrato nos 14 dias iniciais, que foi obtido por vendedores burlões, continuam a enviar facturas, e ainda recorrem a empresas de cobrança de crédito, a quem nunca sequer foi sua cliente!
    Ou como a Endesa que demorou mais de 1 ano para devolver um valor inferior a 20 euros, cobrados a mais, após fecho do serviço!

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