Focas ajudam cientistas a recolher dados em zonas remotas dos oceanos

=mc2 / Flickr

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Focas equipadas com sensores estão a ajudar cientistas a recolher dados nos cantos mais remotos dos oceanos, contribuindo para a pesquisa sobre aquecimento global, gelo oceânico e meteorologia.

Os cientistas envolvidos no projeto, que conta com participação brasileira, lançaram esta segunda-feira o portal Mamíferos Marinhos Exploradores dos Oceanos de Polo a Polo com os resultados recolhidos durante a investigação, que começou em 2004 e já envolveu mais de 1.000 focas.

“Estão a captar informação em locais de onde praticamente não havia dados antes, é único”, disse à AFP Mike Fedak, chefe da Unidade de Pesquisa de Mamíferos Marinhos na universidade de Saint Andrew’s, no Reino Unido, onde os sensores foram desenvolvidos.

“Estes dados podem ser usados de muitas formas diferentes, incluindo para medir o impacto do movimento dos glaciares nos oceanos”, acrescentou o investigador.

Os sensores, colocados na cabeça das focas, têm uma bateria com autonomia para vários meses de funcionamento e recolhem medições de salinidade e temperatura da água que são depois transmitidas para os investigadores via satélite em curtas mensagens.

Outros sensores em desenvolvimento medirão o nível de oxigénio na água e a quantidade de clorofila – o pigmento verde responsável pela fotossíntese nas plantas-, dados úteis para medir os níveis de dióxido de carbono e controlar o fenómeno da acidificação dos oceanos.

Desde o início do projeto, foram produzidos cerca de 400 mil “perfis ambientais” com os dados que são recolhidos durante os mergulhos das focas, que podem chegar até aos 2.100 metros de profundidade.

“A informação enviada de volta dá-nos detalhes sobre o ambiente físico imediato das focas, é como twittar”, revelou Lars Boehme, professor em St. Andrew’s.

Os sensores não são invasivos e caem quando as focas mudam periodicamente de pele. Também já foram experimentados em cerca de 100 espécies marinhas, incluindo tartarugas, baleias e tubarões.

Segundo Mike Fedak, os aparelhos “não são fáceis de construir, requerem software sofisticado e têm energia limitada”, sendo necessário “aproveitar ao máximo a bateria” para que esta dure 10 meses no inverno antártico.

O projeto envolve um consórcio internacional de 11 países e inclui cientistas do Reino Unido, Austrália, Canadá, China, França, Alemanha, Gronelândia, Noruega, África do Sul, Estados Unidos e Brasil.

/Lusa

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