Física desfaz os sapatos de cristal de Cinderela (e os mitos do Pai Natal e do Super Homem)

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Ilustração da Cinderela

Soa a meia-noite e a Cinderela corre apressada, antes que a magia se desfaça, deixando para trás o seu sapatinho de cristal intacto. O momento-chave do conto de fadas é bem conhecido, mas não seria possível no mundo real por culpa da Física.

É esta ideia que se explica num trabalho de estudantes de Física da Universidade de Leicester, no Reino Unido, que usaram cálculos de stress para apurar a durabilidade do sapatinho de cristal da Cinderela.

Uma abordagem divertida a uma ciência complexa que vem sendo promovida na Universidade britânica, nomeadamente com a divulgação dos melhores trabalhos no Journal of Physics Special Topics.

Na última edição desta publicação, é possível ler investigações sobre assuntos terrenos como quão rápido e forte teria que ser um homem para apanhar uma bala ou se se pode sobreviver ao Everest.

Mas também há estudantes que preferem abordar o mundo da fantasia do ponto de vista da Física, nomeadamente explorando o mito do Pai Natal ou os poderes do Super Homem ou ainda, o conto de fadas da Cinderela.

Cinderela de sapato (e coração) partido

O estudo feito na Universidade de Leicester em torno da história da Cinderela constata que ela poderia ficar de pé nos seus bonitos sapatos de cristal sem problemas, independentemente da altura do seu salto, porque a força descendente estaria equitativamente distribuída pelos dois pés.

Mas o mesmo não se verificaria com ela a caminhar ou a correr, tendo em conta o salto alto com que é habitualmente retratada, onde a força se concentraria num pé de cada vez.

Assim, “para que a Cinderela pudesse fugir do Príncipe à meia-noite, teria que ter um sapato de cristal com um salto de menos de 1.15 cm“, conclui o estudo.

Ora aqui está uma boa justificação para que uma princesa prefira sempre umas sabrinas rasas a uns saltos agulha.

O mito do Pai Natal desfeito

O Pai Natal é conhecido no universo infantil por entregar os presentes de Natal a todos os meninos do mundo, numa única noite.

Para que isso fosse possível, teria que viajar a 0.76% da velocidade da luz durante todo o percurso, constata outro estudo feito por estudantes da Universidade de Leicester.

Isso significaria que o Pai Natal “é 242 segundos mais jovem do que as pessoas na Terra“, apontam estes físicos em potência.

Nesta investigação, foram calculados os efeitos da contracção provocados pela força de elevação causada pelo Pai Natal e pelas suas renas, quando viajando a diferentes velocidades.

E as conclusões indicam que “há uma percentagem máxima de força de elevação que o Pai Natal pode alcançar” e que ocorre quando ele “viaja a cerca de 75% da velocidade da luz”.

A massa não pode viajar à velocidade da luz devido à contracção do comprimento, o que reitera o facto de que a massa não pode viajar à velocidade máxima cósmica”, atira o estudo.

A façanha do Super Homem que destruiria a Terra

Outra investigação divulgada na publicação científica da Universidade de Leicester centra-se no filme do Super Homem de 1978, em que este, amargurado com a morte de Lois Lane, viaja atrás no tempo voando a uma velocidade que faz com que a Terra gire ao contrário.

Absurdo? Não, possível à luz da Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein que determina que um objecto em movimento aumenta em massa à medida que se aproxima da velocidade da luz.

“De modo a conseguir a proeza de reverter completamente a polaridade da rotação, o Super Homem teria que aumentar a sua massa em 13.7 milhões de vezes, viajando extremamente perto da velocidade da luz”, salienta a investigação.

Mas essa força gravitacional atrairia asteróides próximos da Terra, o que provocaria a sua destruição.

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Um dado que leva os estudantes envolvidos neste trabalho a aconselharem para que “não tentem isto em casa”. Fica o aviso!

SV, ZAP

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