Festa “bling-bling” de Macron está a revoltar os franceses

Ian Langsdon / EPA

Emmanuel Macron

Emmanuel Macron

Após ter discursado como um presidente já eleito, Emmanuel Macron foi festejar os seus 23,5% na primeira volta das eleições francesas para uma cervejaria chique, em Paris, e deixou muitos eleitores zangados.

Emmanuel Macron, ex-ministro da Economia de França, foi o candidato mais votado na primeira volta das eleições presidenciais francesas, com 23,5% dos votos, pouco mais do que Marine Le Pen, que amealhou 21,5% das escolhas.

O resultado é histórico para a Frente Nacional, sendo o melhor resultado de sempre do partido de extrema-direita numa eleição presidencial.

Le Pen e Macron vão, agora, disputar a segunda volta eleitoral, a 7 de maio, para decidir, de vez, quem será o próximo presidente de França, mas o candidato centrista já discursou como um verdadeiro ocupante do Eliseu, provavelmente, a contar com o apoio dos candidatos derrotados que apelaram ao voto contra a extrema-direita.

Mas o que é certo é que Macron ainda não foi eleito e há quem lhe note a falta de tacto por ter ido celebrar, como se a eleição já estivesse ganha, numa cervejaria da moda – a La Rotonde – no exclusivo e chique bairro de Montparnasse, em Paris.

A festa contou com a presença de várias celebridades, nomeadamente os actores Pierre Arditi, François Berléand e Line Renaud, o animador de rádio e televisão Stéphane Bern, o escritor Erik Orsenna, o economista Jacques Attali e ds políticos Daniel Cohn-Bendit, Jack Lang e Frédéric Mitterrand, entre outros.

Macron como Sarkozy

O repasto comemorativo de Macron e dos seus apoiantes está a ser comparado à festa organizada pelo ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, em 2007, no restaurante Fouquet´s, depois de ter vencido Ségolène Royal na corrida presidencial.

Aquele momento no célebre e exclusivo espaço, que além de restaurante é também um hotel e é considerado um monumento histórico, deu início à que ficou conhecida como a presidência “bling-bling, conforme repara a imprensa francesa, notando que os 5 anos de mandato de Sarkozy foram, irremediavelmente, “envenenados” pelo episódio.

Ora, Macron ainda nem sequer foi eleito para o Eliseu, mas tem já apontados sobre si os dedos de milhares de franceses. Nem o facto de o La Rotonde ser um restaurante bem menos chique – e bastante menos caro – do que o Fouquet´s serve de atenuante para as críticas ao ex-ministro.

O regresso da “esquerda caviar”

No site do La Rotonde anuncia-se um menu do dia a 46 euros, com entrada, prato principal e sobremesa. E nas redes sociais há quem relembre declarações de Macron, notando que “para quem tem apenas 35.000 euros de poupanças“, convidar cerca de “200 amigos” para um restaurante com menus de quase 50 euros é um verdadeiro luxo.

E se há quem note a atitude “inconsequente” de Macron, outros evidenciam o seu pretensiosismo, por agir como se a vitória fosse certa. Por outro lado, há quem saliente que “ou se tem sentido de Estado ou não”, enquanto também há quem fale no regresso da “esquerda caviar”.

https://twitter.com/alain_gateau/status/856423214100164608

Frente Nacional reage com ironia

A Frente Nacional já está a aproveitar o episódio para “bater” em Macron, com o intuito de lhe roubar votos na segunda volta eleitoral. Foi assim, que o vice-presidente do partido de extrema-direita, Florian Philippot, recorreu à ironia para comentar o caso, em declarações à BFMTV, avançando que provavelmente, o Fouquet’s estava fechado.

Mas as críticas não chegam só da direita. O secretário nacional do partido ecologista francês Europe Écologie Les Verts (EELV), David Cormand, usou o seu perfil do Twitter para apontar que “a festa no La Rotonde é bastante indigna numa situação política onde a extrema-direita se qualificou para a segunda volta”.

Macron fala num “momento do coração”

À saída do restaurante, Macron afastou qualquer comparação com a festa de Sarkozy, notando ainda, que não tem “lições a tirar deste meio parisiense”.

“Vocês não entendem a vida, foi o meu momento do coração”, disse também. “E de resto, penso que no Fouquet’s, não havia muitas secretárias, nem oficiais de segurança”.

“Vocês estiveram lá, viram quem estava à mesa”, acrescentou Macron, indo de encontro à ideia defendida por uma fonte próxima da sua entourage, que disse ao jornal Le Parisien que a festa visou apenas “agradecer aos artesãos do sucesso desta primeira volta”.

SV, ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. Votem neste e passados poucos dias após as eleições os franceses ir-se-ão aperceber de que vão ter mais do mesmo por mais uns anitos!.

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