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Algumas fêmeas de beija-flor “disfarçam-se” de macho (para não serem assediadas)

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samiamx / Flickr

Beija-flor da espécie Florisuga mellivora

Cientistas descobriram que um número significativo de fêmeas de uma espécie de beija-flor apresenta cores brilhantes, tal como os machos, para evitarem ser “assediadas”. 

De acordo com o site EurekAlert!, ao observar jacobins de pescoço branco (Florisuga mellivora) no Panamá, a equipa de investigadores descobriu que mais de um quarto das fêmeas apresenta as mesmas cores brilhantes do machos.

“No caso dos pássaros, isto é realmente incomum porque, quando os machos e as fêmeas são diferentes, os mais jovens normalmente parecem-se com as fêmeas adultas, não com os machos. E isto acontece com quase todos os pássaros. Portanto, foi claro para nós que alguma coisa se passava”, começou por explicar Jay Falk, da Universidade de Washington e primeiro autor do estudo publicado, a 26 de agosto, na revista científica Current Biology.

Os machos desta espécie de beija-flor são conhecidos por terem cores brilhantes e vistosas, enquanto as fêmeas tendem a apresentar cores mais monótonas, o que lhes permite misturar-se com o ambiente que as rodeia. A equipa descobriu, no entanto, que cerca de 20% das fêmeas adultas também tem cores vistosas como os machos.

Enquanto são jovens, todas apresentam essas cores vistosas, mas esses 20% não mudaram para as cores mais suaves à medida que envelheciam. Não está ainda claro se este fenómeno é genético ou provocado por fatores ambientais.

Contudo, os investigadores descobriram que se deve provavelmente ao facto de as fêmeas tentarem escapar do “assédio” dos machos, como comportamentos agressivos durante o acasalamento ou a alimentação (por exemplo, bicadas e pancadas).

Para saber porque é que algumas das fêmeas mantiveram as cores vistosas, a equipa montou um cenário com beija-flores e observou os pássaros reais a interagir com eles. Os cientistas descobriram que os machos “assediaram” sobretudo as fêmeas, o que favorece a hipótese de que as cores mais vivas são causadas pela seleção social.

Além disso, a maioria das fêmeas apresentou cores brilhantes durante o período juvenil e não durante o período reprodutivo. Isto significa que a única vez que tiveram essas cores é justamente durante o período em que não estão à procura de companheiros. Em combinação com outros resultados do estudo, isto indica que não é a seleção sexual que está a causar este fenómeno.

  ZAP //

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