FDA aprova fármaco eficaz contra 5% de todos os tipos de cancro

Annie Cavanagh / Wellcome Images

Células cancerígenas

Células cancerígenas

A agência reguladora dos Estados Unidos aprovou um medicamento contra o cancro que pode ser usado em diversos tipos de neoplasia – não apenas nos tipos mais comuns (cancro de mama, intestino, pâncreas ou pele), mas genericamente em qualquer tipo de cancro.

A FDA, Food and Drug Administration, agência reguladora dos EUA, aprovou no dia 23 o primeiro medicamento de sempre que actua com base em alterações biológicas do tumor. O novo medicamento não é usado em função do órgão atingido pela neoplasia, mas de acordo com os traços biológicos do próprio tumor.

“Todas as abordagens anteriores ao tratamento do cancro baseavam-se no órgão atingido. O que é revolucionário neste fármaco é o facto de alvejar uma característica molecular do cancro, descoberta com exames relativamente simples”, explica Jacques Tabacof, coordenador de Oncologia Clínica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.

Na prática, o medicamento, chamado pembrolizumabe e desenvolvido pela farmacêutica MSD, poderá ser usada em quaisquer tipos de tumor avançado que não respondam ao tratamento convencional, desde que a doença apresente a alteração molecular referida, que se encontra presente em 5% de todos pacientes.

Esta é uma percentagem relativamente reduzida de todos os pacientes com cancro, mas a perspectiva de haver agora mais uma arma que actua em todos os tipos de cancro é encorajadora, em particular contra os pacientes que hoje têm um arsenal exíguo à sua disposição, e abre o caminho para tratamentos futuros com uma abordagem semelhante.

Segundo um artigo publicado na Cancer Therapy Advisor, o medicamento é eficaz no tratamento de neoplasia em adultos e crianças com instabilidade de micro-satélite (MSI-H) ou dMMR, uma deficiência na reparação do ADN.

“A MSI-H é uma alteração nas células que dificulta a reparação no nosso ADN”, explica Jacques Tabacof, “que faz com que uma mutação perigosa, que normalmente seria reparada pelo organismo, continue incólume e possa originar um cancro”.

Mas essa mesma particularidade torna a neoplasia mais vulnerável à acção do pembrolizumabe, medicamento do grupo da imunoterapia, que actua estimulando as células de defesa do próprio organismo a identificarem o cancro e atacarem-no. Este princípio activo já era usado nos EUA contra o linfoma de Hodgkin e nódulos no pulmão.

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