Há um fármaco que torna o nosso sangue mortal para os mosquitos

Centers for Disease Control and Prevention / Wikimedia

Anopheles, mosquito da Malária

A ivermectina, uma substância antiparasita comummente usada no combate a verminoses, pode ser a nova arma contra os mosquitos transmissores da malária.

Há um fármaco capaz de ser a próxima arma poderosa na luta contra a malária. Cientistas do Quénia e do Reino Unido afirmam que a ivermectina, uma substância antiparasita comummente usada no combate a verminoses, torna o sangue num verdadeiro alvo mortal para os mosquitos transmissores da doença.

As taxas de malária estão a cair drasticamente, uma descida que nunca se verificou até então. No entanto, esta doença ainda atinge mais de 200 milhões de pessoas por ano, principalmente em países não desenvolvidos, tendo sido responsável por quase meio milhão de mortes no ano de 2015, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

Além disso, há suspeitas de que a resistência à artemisinina, usada para combater a malária, possa continuar a espalhar-se para além do sudeste da Ásia.

A esperança pode estar na ivermectina, um fármaco barato e de fácil obtenção, tendo em conta a sua prevalência. No estudo, publicado no dia 27 de março na The Lancet, os cientistas deram a 47 pacientes com malária doses de 600 miligramas de ivermectina durante três dias consecutivos.

Esta dosagem é três vezes superior à dosagem normal, mas os investigadores não hesitaram, tendo em conta a existência de poucos efeitos secundários. Esta alta dosagem faz com que o sangue se torne mortal para os mosquitos. Um outro grupo recebeu uma dosagem de 300 miligramas por dia, mas o efeito não se revelou tão forte.

De acordo com os resultados, 97% dos mosquitos morreram depois de terem sugado o sangue dos pacientes medicados com ivermectina e o sangue permaneceu mortal durante 28 dias, avança a Discover Magazine.

No entanto, ao longo da experiência, alguns pacientes relataram alguns efeitos colaterais. Resta agora saber o quão segura a ivermectina é para as crianças, principalmente em dosagens tão altas. Os autores notam que todos os participantes eram pacientes com malária, razão pela qual os efeitos poderiam diferir em pessoas saudáveis.

Além disso, começam também a surgir preocupações associadas com a resistência à ivermectina. Se o uso começar a ser demasiado generalizado, os mosquitos podem começar a desenvolver imunidade.

É por estes motivos que os autores do estudo defendem a realização de mais estudos, de modo a comprovar se este é um meio eficaz de erradicar a malária. Apesar disso, esta é uma experiência que abre portas a novas ferramentas para combater a doença.

ZAP //

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