Ex-guarda nazi julgado aos 100 anos por cumplicidade em assassinatos

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larskjensen / Flickr

Campo de concentração nazi de Buchenwald, no oeste da Alemanha

Um homem de 100 anos que supostamente serviu como guarda num campo de concentração nazi será julgado em outubro por cumplicidade no assassinato de mais de 3.500 pessoas durante a Segunda Guerra Mundial, informou a media alemã no domingo.

O homem, não foi identificado devido às leis de privacidade do país, foi acusado em fevereiro por ter atuado no campo de concentração de Sachsenhausen, a cerca de 32 quilómetros de Berlim, entre 1942 e 1945, de acordo com o jornal Welt Am Sonntag, citado pelo Washington Post. Em 1945, o campo mantinha 11.000 prisioneiros judeus.

Esta acusação revela como as autoridades estão a correr contra o tempo para encerrar os casos interpostos por sobreviventes do Holocausto e pelas famílias, à medida que os funcionários nazis e as suas vítimas evelhecem.

Até 2011, os promotores alemães eram obrigados a provar que os réus haviam cometido atos específicos, contra vítimas específicas, para condená-los por crimes cometidos durante a Segunda Guerra Mundial. O anonimato dos guardas e à diminuição do número de testemunhas décadas após a guerra dificultavam os processos.

Contudo, naquele ano, um tribunal de Munique considerou John Demjanjuk culpado de cumplicidade em assassinato enquanto guarda em Sobibor, abrindo caminho para condenações que dependiam em grande parte do facto de o réu ter servido em campos de extermínio. Demjanjuk, que morreu em 2012, negou ter sido guarda.

O homem de 100 anos que será julgado em outubro é um de vários suspeitos idosos recentemente levados a julgamento por terem supostamente trabalhado para o regime nazi. Irmgard Furchner, de 96 anos, será julgada este ano por suposta cumplicidade no assassinato de mais de 11.000 pessoas, no campo de concentração de Stutthof.

No ano passado, Bruno Dey, de 90 anos, que servia como guarda também em Stutthof, foi considerado culpado num tribunal de Hamburgo por cumplicidade em mais de 5.200 assassinatos, cometidos entre 1944 e 1945. Foi condenado com pena suspensa. Mais de 60.000 pessoas terão morrido nesse campo de concentração.

Em fevereiro, Friedrich Karl Berger, de 95 anos, foi deportado dos Estados Unidos (EUA) para a Alemanha, após o Departamento de Justiça norte-americano ter considerado que este participou como voluntário no tratamento desumano a prisioneiros num campo de concentração perto da fronteira germano-holandesa. Posteriormente, os promotores alemães retiraram as acusações devido à falta de provas.

Entre 2001 e 2018, 105 pessoas foram condenadas, deportadas ou extraditadas por autoridades da América do Norte e da Europa por terem supostamente participado de crimes durante a Segunda Guerra Mundial, revelou o Simon Wiesenthal Center, um grupo judeu de direitos humanos sediado em Los Angeles, nos EUA.

  Taísa Pagno //

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