Europa quer “solução aceitável para todos” na bazuca contra a covid-19

Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, confirmou que “alguns” países continuam a rejeitar aprovar o orçamento comunitário plurianual e o Fundo de Recuperação, pelo que prosseguirão as discussões “para encontrar uma solução aceitável para todos”.

No final de uma videoconferência dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia, Charles Michel indicou que, ao ser abordada a questão do mecanismo que condiciona o acesso aos fundos ao respeito pelo Estado de direito, “a vasta maioria dos Estados-membros concordam com o compromisso sobre a mesa, enquanto alguns indicaram que não estão em condições de apoiar a maioria”.

Sem mencionar os países em questão – que são Hungria e Polónia, que contam agora com o apoio de Eslovénia -, Charles Michel disse que as discussões irão continuar, em busca de uma solução que seja aceite pelos 27.

“Como sabem, em julho acordámos por unanimidade o Quadro Financeiro Plurianual e o Fundo de Recuperação, e precisamos de manter a união nesta questão. Este pacote financeiro é essencial para a nossa recuperação económica. Precisamos de o implementar tão cedo quanto possível”, sublinhou.

Charles Michel disse acreditar que os líderes europeus conseguirão ultrapassar mais este obstáculo, até porque, argumentou, “a magia da UE é conseguir encontrar soluções mesmo quando se pensa que é impossível”, e congratulou-se com a vontade de todas as partes de “trabalhar intensamente” nos próximos dias para chegar a uma solução.

Também a presidente da Comissão Europeia sublinhou a importância de o atual impasse ser rapidamente ultrapassado, apontando que “milhões de empresas e cidadãos europeus estão à espera da resposta” para os ajudar a superar esta “crise sem precedentes”.

“A força da nossa União sempre foi superar situações difíceis. Por isso, continuamos a trabalhar arduamente para alcançar um acordo em breve”, declarou Ursula von der Leyen, que reiterou o apoio da Comissão ao compromisso alcançado este mês entre os negociadores do Conselho e do Parlamento Europeu, que precisa de ser agora aprovado pelos 27.

Fontes diplomáticas já haviam indicado, pouco após o arranque dos trabalhos, que a discussão sobre o veto de Hungria e Polónia foi curta (menos de 20 minutos) e inconclusiva, ressalvando que o objetivo não era chegar a um acordo na videoconferência.

Após uma introdução de Charles Michel, a chanceler alemã Angela Merkel fez, pela parte da presidência rotativa alemã do Conselho da UE, o ponto da situação das discussões em curso, tendo então tomado a palavra os primeiros-ministros da Hungria, Victor Orbán, e da Polónia, Mateusz Morawiecki, e ainda o da Eslovénia, Janez Jansa, que na véspera se colocou do lado dos seus homólogos húngaro e polaco nesta matéria.

De acordo com várias fontes, a tranquilidade em torno do debate foi calculada, de modo a não extremar ainda mais as posições, tendo Charles Michel contactado todas as delegações antes do início da reunião para assegurar que a discussão se mantinha “sob controlo”, até porque “uma videoconferência não é o formato apropriado para discutir um assunto tão complexo”.

Essa postura apaziguadora foi confirmada por Charles Michel durante a conferência de imprensa, quando questionado sobre se não considera as posições de Hungria e Polónia “uma traição ou chantagem”. “Não quero dizer nada que torne a situação ainda mais difícil”, respondeu.

Na última segunda-feira, a Hungria, apoiada pela Polónia, concretizou a ameaça de bloquear todo o processo de relançamento da economia europeia – assente num orçamento para 2021-2027 de 1,08 biliões de euros, associado a um Fundo de Recuperação de 750 mil milhões – , por discordar da condicionalidade no acesso aos fundos comunitários ao respeito pelo Estado de direito.

A ameaça de um veto de Hungria e Polónia, que já era acenada há algum tempo pelos primeiros-ministros Orbán e Morawiecki, concretizou-se durante uma reunião das representações permanentes dos Estados-membros junto da União Europeia, na qual era suposto os 27 selarem o compromisso alcançado pela presidência alemã.

Sem a habitual cumplicidade dos outros membros do chamado Grupo de Visegrado – Eslováquia e República Checa não se associam a Hungria e Polónia nesta matéria -, húngaros e polacos, sem força para vetar o mecanismo sobre o Estado de direito, já que este elemento do pacote necessitava apenas de uma maioria qualificada para ser aprovado, vetaram então outra matéria sobre a qual não têm quaisquer reservas, a dos recursos próprios, pois, esta sim, precisava de unanimidade, bloqueando então todo o processo.

Na quarta-feira, Orbán e Morawiecki ‘ganharam’ no entanto outro aliado, o primeiro-ministro conservador da Eslovénia, país que curiosamente forma, com Alemanha e Portugal, o atual trio de presidências da UE, recebendo o ‘testemunho’ da presidência portuguesa no final do primeiro semestre do próximo ano.

Lusa ZAP // Lusa

PARTILHAR

RESPONDER

Bactérias benéficas do leite materno mudam ao longo do tempo

De acordo com um novo estudo, a mistura de bactérias benéficas transmitidas pelo leite materno muda significativamente com o tempo. Este pode atuar como uma injeção de reforço diário para a imunidade e metabolismo infantil. Os …

Quando um tigre vale mais morto do que vivo: A sórdida realidade das quintas de procriação

Em alguns países asiáticos, quintas de procriação de tigres exploram até ao tutano o valor económico do animal, submetendo-o a condições de vida degradantes. Tigres já foram puderam ser encontrados em grande parte da Ásia, do …

Ana Estrada Ugarte. Em decisão histórica, Peru abre as portas à eutanásia

Numa decisão histórica esta quinta-feira, o 11.º Tribunal Constitucional do Superior Tribunal de Justiça de Lima, no Peru, ordenou ao Ministério da Saúde do país que respeitasse a vontade de Ana Estrada Ugarte de acabar …

Árbitros estrangeiros na próxima época? APAF recusa "atestado de incompetência"

A Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) tem a certeza de que o Conselho de Arbitragem (CA) não irá passar um "atestado de incompetência" aos árbitros portugueses, chamando estrangeiros para encontros de Ligas nacionais. Segundo …

Depois do desconforto que a série causou na Família Real, Harry defende "The Crown"

Durante uma entrevista a James Corden, para o programa americano The Late Late Show, o príncipe Harry defendeu a série The Crown da Netflix, explicando que embora não seja “estritamente precisa”, retrata a pressão da …

Benfica vai apresentar queixa por ameaças de morte a Vieira e vandalismo

O Benfica vai avançar com queixas devido às ameaças de morte ao presidente do clube em tarjas colocadas nas imediações do Estádio da Luz, mas também pela vandalização de várias casas benfiquistas. Segundo o jornal online …

Submarino civil transparente pode levá-lo ao local do naufrágio do Titanic

A Triton, uma empresa com sede na Florida, fabrica submarinos civis de última geração há mais de uma década. Agora, vai fazer nascer o Triton 13000/2 Titanic Explorer, que para além de oferecer aos passageiros …

Catorze detidos nos novos protestos em Barcelona a favor de Pablo Hasél

Pelo menos 14 pessoas foram detidas pela polícia catalã, este sábado, durante os distúrbios que se seguiram a mais uma manifestação em Barcelona a reclamar a libertação do rapper Pablo Hasél. Segundo o jornal Público, pelo …

Procuradores avançam para tribunal contra nomeações de chefias

O Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) está envolvido numa nova polémica, depois do concurso que culminou na indigitação de José Guerra para a Procuradoria Europeia. Segundo avança o Jornal de Notícias, este domingo, um concurso para …

A partir de segunda-feira, eletrodomésticos vão ter novas etiquetas energéticas

As organizações não-governamentais ambientalistas saúdam as novas etiquetas energéticas, que entram em vigor esta segunda-feira, mas pedem “mais atenção” ao consumidor e “maior rapidez” na reclassificação de “mais produtos”. Em comunicado, a cooligação Coolproducts, um grupo …