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Documentos revelam que EUA ponderaram ataque nuclear à China em 1958

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Os militares norte-americanos ponderaram um ataque nuclear à China para evitar uma possível invasão de Taiwan, mesmo sabendo do perigo de uma retaliação por parte da URSS para apoiar o seu então aliado, o que poderia ter desencadeado uma guerra nuclear de larga escala.

De acordo com o documento agora publicado pelo jornal New York Times, peritos militares norte-americanos remeteram à Casa Branca planos para usar armas nucleares contra a China durante a chamada crise do Estreito de Taiwan, em 1958.

Tal como recorda a rede televisiva RT, quando o Partido Comunista chinês chegou ao poder em 1949, depois de uma sangrenta guerra civil, o governo do líder nacionalista Chiang Kai-shek retirou-se para a ilha de Taiwan.

Considerada por Pequim como parte do seu território, a ilha tornou-se nas décadas seguintes, e até aos dias de hoje, palco de vários confrontos, que atingiram o seu ponto máximo em 1958. Nesse ano, os ataques chineses levantaram rumores de uma iminente invasão comunista, levando Washington a apoiar militarmente o seu aliado Kai-shek.

O plano dos Estados Unidos incluía a elaboração de planos de ataques nucleares contra a China continental, segundo o documento confidencial agora divulgado pelo ex-analista do Pentágono Daniel Ellsberg.

O documento revela que o comando militar dos EUA assumiu o risco da possível intervenção da União Soviética para defender o seu então aliado, Pequim, o que poderia ter desencadeado uma guerra nuclear de larga escala.

Na altura, o general Nathan Twining, presidente do Estado-Maior Conjunto, deixou claro que se os ataques nucleares contra bases aéreas chinesas não interrompessem o conflito, “não haveria alternativa a não ser conduzir ataques nucleares no interior da China até Xangai”, cita o jornal nova-iorquino.

Ellsberg, agora com 90 anos, é conhecido por ter divulgado, em 1971, vários documentos confidenciais sobre a Guerra do Vietname, mais conhecidos como os “Pentagon Papers”.

O ex-analista, que também copiou o estudo secreto sobre a crise no Estreito de Taiwan, está a revelar agora estes documentos, numa altura em que as tensões entre os Estados Unidos e a China, em relação a Taiwan, aumentam.

  ZAP //

3 Comments

  1. Caros senhores ZAP:
    Depois do lead, os senhores escreveram nos 2.° e 3.° parágrafo: “(…) quando o Partido Comunista chinês chegou ao poder em 1949, (…) o governo do líder nacionalista Chiang Kai-shek retirou-se para a ilha de Taiwan.

    (…) a ilha tornou-se nas décadas seguintes palco de vários confrontos, que atingiram o seu ponto máximo em 1958”.

    Não sei se é perceptível o que pretendo salientar. Em todo o caso não é muito lógica esta redacção. Entre 1949 e 1958, passaram, não várias décadas, mas apenas nove anos. Percebe-se o que pretendem dizer. Não é, todavia, a redacção mais feliz. Talvez se passassem as décadas seguintes para o singular ficasse melhor. Mas é apenas uma sugestão. Poderiam acrescentar que a tensão se mantém até hoje. Em todo o caso, o ajuste mais fácil seria o singular. Cumprimentos

    • Caro leitor,
      Obrigado pelo seu reparo.
      Entendemos o seu ponto, mas parece-nos que a redação está correta. Seria o mesmo que ter escrito algo como:
      “… a ilha tornou-se entre 1949 e 1979 palco de vários confrontos, que atingiram o seu ponto máximo em 1958”.
      Entretanto, acrescentámos antes da frase a sua sugestão acerca da continuação dos confrontos, o que pode ajudar a clarificar o texto.

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