EUA sem consenso sobre prémios russos para atacar tropas. Trump fala com Putin, mas não toca no assunto

Heikki Saukkomaa / Lehtikuva Handout / EPA

O Presidente dos EUA, Donald Trump, e o seu homólogo russo, Vladimir Putin

A Casa Branca disse na segunda-feira que “não há consenso” entre os serviços de inteligência sobre a veracidade dos alegados prémios prometidos pela Rússia aos talibãs para matarem tropas norte-americanas no Afeganistão. Enquanto isso, o Presidente Donald Trump continua a falar com o homólogo Vladimir Putin, mas sem tocar nesse assunto.

“Não há consenso dentro da comunidade de inteligência sobre estas acusações e, por isso, há opiniões em desacordo de alguns elementos desta comunidade quanto à veracidade da informação veiculada”, realçou a porta-voz da Casa Branca, Kayleigh McEnany, em conferência de imprensa, citada pela agência Lusa.

De acordo com a agência EFE, em causa estão as informações publicadas pelo New York Times, na sexta-feira, de que os serviços de informações norte-americanos concluíram há vários meses que responsáveis russos ofereceram recompensas por ataques bem-sucedidos a militares norte-americanos, em 2019, quando os EUA e os talibãs negociavam um fim para o conflito no Afeganistão.

Segundo Kayleigh McEnany, a veracidade daquelas acusações “continua a ser avaliada”.

O New York Times, que citava, sob anonimato, responsáveis conhecedores das informações, afirmava que estas foram apresentadas a Trump e ao Conselho de Segurança Nacional em finais de março, após o que foram preparadas potenciais respostas, começando por um protesto diplomático junto das autoridades russas, mas que a Casa Branca não autorizou, até ao momento, nenhuma das iniciativas.

No total, 20 norte-americanos morreram em combate no Afeganistão no ano passado, mas não é possível associar algum dos casos a esta ligação com a Rússia.

 

O Washington Post revelou também que se “acredita que as recompensas oferecidas pela Rússia tenham resultado na morte de vários soldados americanos, segundo dados obtidos em interrogatórios militares de mercenários capturados nos últimos meses”.

Kayleigh McEnany insistiu que “os EUA recebem milhares de relatórios por dia nas agências de inteligência”, que são submetidos a rigoroso escrutínio e que, nesse caso, a veracidade dessas alegações não pode ser verificada.

A porta-voz da Casa Branca confirmou ainda que a diretora da CIA, Gina Haspel, o conselheiro de Segurança Nacional, Robert O’Brien, e o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, podem confirmar que nem Trump nem seu vice-Presidente foram informados sobre o assunto.

“Isso não foi reportado ao Presidente, porque, de fato, não foi verificado”, afirmou.

soldiersmediacenter / Flickr

Soldado norte-americano no Afeganistão

Na segunda-feira, a Rússia negou ter pago dinheiro ao Talibã para assassinar os militares dos EUA no Afeganistão. “Essas alegações são uma mentira”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, citado pela imprensa local.

No dia anterior, domingo, Trump negou ter sido informado pelos serviços de informações sobre alegados prémios prometidos pela Rússia aos talibãs.

“Ninguém me informou ou me disse, ao vice-Presidente [Mike] Pence ou ao chefe de gabinete Mark Meadows sobre alegados ataques às nossas tropas no Afeganistão por russos, como noticiado através de uma ‘fonte anónima’ pelo ‘fake news’ New York Times”, escreveu Trump no Twitter. “Toda a gente o nega e não houve muitos ataques contra nós…”, acrescentou.

Contudo, como noticiou o Expresso na terça-feira, embora o Presidente norte-americano  tenha indicado não ter sido informado, desde que a notícia foi divulgada, pessoas que trabalham na Casa Branca disseram à CNN e a New York Times que, entre fevereiro e março, este recebeu informações sobre o esquema da unidade 29155 da GRU, a agência de informações militares russa, mas terá escolhido não agir.

Como apontaram no sábado analistas da CNN, citados pelo Expresso, já em junho 2018, durante uma cimeira entre os EUA e a Rússia, Trump negou que as suas próprias agências de informações tivessem razão quando concluíram que os russos tentaram interferir nas eleições presidenciais de 2016.

Quando o jornalista de investigação Carl Bernstein, que ajudou a denunciar o Watergate, publicou um artigo na CNN sobre o que fontes da Casa Branca chamam “telefonemas desmiolados” do Presidente com dirigentes mundiais, as críticas à Administração subiram. As fontes de Bernstein apontam sobretudo com as chamadas entre Trump e Putin.

Segundo as fontes ouvidas para o artigo, Trump nunca mencionou a Putin as suspeitas sobre as mortes de militares no Afeganistão e as suas conversas revelam elogios a Putin e ao Presidente turco Recep Erdogan, assim como uma postura ofensiva em relação a Alemanha e o Reino Unido.

Uma fonte da Casa Branca referiu que os serviços de informações estão em permanente alerta porque, sendo Trump muito pouco informado sobre política internacional, receiam que partilhe algo que venha a ser usado contra os EUA ou os seus aliados.

Nessas conversas telefónicas, além de dizer mal dos antecessores, Trump mencionou várias vezes os seus interesses pessoais e eleitorais ao telefone, tentando obter promessas de apoio e ajuda à reeleição junto de chefes de estado e governo.

“Está oferecer numa bandeja as vantagens que adquirimos na Guerra Fria, em parte porque dá a Putin e à Rússia uma legitimidade que nunca teriam. A Rússia é um país em declínio”, disse uma das pessoas que ouviram as chamadas. A decisão de retirar as tropas da Síria é vista como uma das mais graves. “Ele deu-lhes a loja”, disse uma fonte, referindo-se à Turquia e à Rússia.

 

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