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Estudos reforçam: coronavírus surgiu em Wuhan. “E nem faz sentido pensar em laboratório”

Análise apresenta mais evidências que demonstram que os primeiros casos de COVID-19 surgiram no mercado de frutos do mar de Huanan.

A evidência científica demonstrou, desde cedo, que há ligações epidemiológicas fortes entre o aparecimento do coronavírus e o mercado de frutos do mar de Huanan, em Wuhan (China). Mesmo assim há controvérsia e, por isso, Michael Worobey e Robert Garry lideraram uma nova análise.

Os dois estudos foram apresentados no sábado passado (mas que ainda não foi revisto e, por isso, ainda não foi publicado numa revista científica).

Tal como já tem sido veiculado, o vírus terá mesmo surgido em animais e rapidamente espalhou-se para seres humanos, no final de 2019, naquele espaço na China.

A análise geográfica foi a base para um estudo, que confirma que os primeiros casos conhecidos da pandemia surgiram mesmo, “ou perto, ou centrados” no mercado de Huanan.

E amostras ambientais que deram positivo para o coronavírus estão fortemente associadas a fornecedores de animais vivos.

O outro estudo centra-se nas duas principais linhagens virais que foram o resultado de, no mínimo, dois eventos em que o vírus cruzou espécies em humanos.

A primeira linhagem da pandemia remonta, ou ao final de Novembro de 2019, ou ao inicio de Dezembro de 2019. A segunda linhagem terá aparecido algumas semanas depois.

Estes estudos repetem ainda uma ideia: o vírus não teve origem num laboratório. Os estudos demonstram que não há qualquer evidência dessa ligação.

Michael Worobey, em declarações à CNN, considerou que estes novos resultados são uma “vitória” sobre essa teoria sobre o laboratório: “Já nem faz sentido imaginar que isto começou de outra maneira“.

“Foi como o fogo-de-artifício. Começou no mercado, explodiu para vários lados e começou logo a infiltrar-se na comunidade local”, descreveu o especialista.

A grande maioria dos primeiros casos ocorreu na secção ocidental do mercado de Huanan, “onde a maioria dos fornecedores de mamíferos vivos estava localizada”.

Durante as investigações foi detectada uma barraca do mercado com um pico de casos positivos. Nessa barraca existiu uma gaiola com cães-guaxinim.

Robert Garry, outro co-autor do estudo, lançou o aviso: “Precisamos de fazer um trabalho melhor na agricultura e na regulamentação desses animais selvagens. E precisamos de investir em infra-estruturas em locais onde os vírus se espalham”.

E Worobey reforçou o alerta: “Devemos estar atentos, esta não foi a última vez“.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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