Estudo mostra que nem o dinheiro faz com que as pessoas queiram fazer exercício físico

Agora que se sabe que a vida sedentária está ligada a consequências prejudiciais para a saúde, alguns cientistas estão a criar incentivos, como pagar às pessoas para serem ativas.

A trabalhar com três mil e 515 participantes que usavam rastreio de fitness comerciais, uma equipa de investigadores tentou criar um incentivo monetário que levasse as pessoas a fazerem mais passos por dia.

Segundo os resultados do estudo publicado, na semana passada, na JAMA Open Network, no geral, as pessoas que receberam um incentivo constante por passo percorreram uma média de 306,7 passos a mais por dia do que as pessoas num grupo controlado.

O grupo de investigadores fez três cenários possíveis: no primeiro, 879 participantes receberam um pagamento constante por duas semanas — o que equivale a cerca de 1,80€ por 10 mil passos.

No segundo, foram oferecidos incentivos crescentes a 881 pessoas. Começaram com uma taxa de 45 cêntimos por 10 mil passos, mas em duas semanas essa taxa aumentou para cerca de 3,20€ por 10 mil passos. Na terceira condição, as pessoas receberam cada vez menos dinheiro ao longo de duas semanas.

Os participantes na condição de diminuição registaram, em média, um aumento de 96,9 passos por dia. Já os voluntários na condição de aumento não viram mudanças significativas na contagem de passos em comparação com o grupo controlado.

Os resultados foram claros: o incentivo constante funcionou significativamente melhor do que os pagamentos crescentes e decrescentes.

schroederhund / Pixabay

Fazer com que as pessoas se exercitem é mais complicado do que parece

O incentivo constante também lucrou mais para os seus participantes, do qual o seu grupo ganhou cerca de 14,09 euros durante duas semanas. Já os grupos de pagamento crescente e decrescente ganharam, respetivamente, 13,23 euros e 13,35 euros.

“Nas outras estratégias, receber quantias diferentes por realizar a mesma atividade pode ter sido confuso, ou até mesmo injusto, o que potencialmente pode ter contribuído para a relativa ineficácia destas estratégias”, lê-se no artigo.

O pagamento constante teve ainda outra vantagem. Quando o benefício terminou, as pessoas em incentivo constante deram 329,5 passos a mais do que o grupo controlado, na primeira semana sem receber o pagamento. Na segunda semana depois do fim de testes deram mais 315 passos.

Contudo, os efeitos só se notaram a curto prazo: na terceira semana após os incentivos terminarem, as pessoas voltaram aos seus hábitos antigos.

Mas os autores, liderados por Chethan Bachireddy, foram capazes de mostrar que a criação de um esquema de pagamento certo pode mudar quantos passos adicionais as pessoas fazem e por quanto tempo estas mantêm a mudança  o que sugere que pode haver futuras formas de corrigir o problema a longo prazo.

O estudo evidencia que embora o dinheiro seja uma boa forma de iniciar as pessoas a fazerem exercício físico, não é o suficiente para fazer com que estas mudem os seus hábitos e comportamentos antigos.

DR, ZAP //

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