Estrela anã vermelha invadiu o Sistema Solar

Michael Osadciw / University of Rochester

Conceito artístico deuma estrela anã vermelha e da sua companheira anã castanha (em primeiro plano) na sua passagem pelo Sistema Solar, há 70.000 anos. O Sol aparece como a estrela brilhante ao fundo. As estrelas estão agora a 20 anos-luz de distância.

Conceito artístico deuma estrela anã vermelha e da sua companheira anã castanha (em primeiro plano) na sua passagem pelo Sistema Solar, há 70.000 anos. O Sol aparece como a estrela brilhante ao fundo. As estrelas estão agora a 20 anos-luz de distância.

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu que uma estrela invasora passou pelo nosso Sistema Solar, há apenas 70 mil anos. Nenhuma outra estrela chegou tão perto do nosso sistema.

Segundo os investigadores, a estrela chegou a estar cinco vezes mais perto da Terra do que o nosso vizinho mais próximo, a estrela anã Próxima Centauri.

O objecto, uma estrela anã vermelha conhecida como estrela Scholz, passou pela área externa do Sistema Solar, uma região conhecida como Nuvem de Oort.

A Scholz não passou sozinha pelo Sistema Solar – veio acompanhada por um objecto conhecido como uma anã castanha, um corpo celeste que não tem a massa necessária para gerar fusão nos seus núcleos.

Observações da trajectória da estrela sugerem que, há 70 mil anos, esta invasora passou a 0,8 anos-luz do Sol. Proxima Centauri, por exemplo, está a 4,2 anos-luz.

A descoberta foi publicada na revista especializada Astrophysical Journal Letters.

Muito perto

A equipa de cientistas, liderada por Eric Mamajek, astrónomo da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, afirma que há 98% de certeza de que a estrela Scholz passou pela “Nuvem de Oort Externa”, uma região no limite do Sistema Solar, com milhares de milhões de cometas.

Esta região é como uma “casca” esférica em volta do Sistema Solar e pode estender-se até 100 mil Unidades Astronómicas. Uma UA é a distância entre a Terra e o Sol.

University of Rochester

Eric Mamajek, astrónomo da Universidade de Rochester

Eric Mamajek, astrónomo da Universidade de Rochester

Para determinar a trajectória da estrela, os investigadores precisavam de duas informações: a mudança na distância do Sol para a estrela (a sua velocidade radial) e o movimento da estrela pelo céu (a sua velocidade tangencial).

A estrela Scholz está actualmente a 20 anos-luz de distância, ou seja, é um sistema razoavelmente próximo. Mas a Scholz revelou ter um movimento tangencial muito lento, para uma estrela tão próxima.

Tal indica que a estrela estaria ou a distanciar-se do nosso sistema, ou a vir em nossa direcção para um encontro próximo com o Sistema Solar no futuro.

As medidas da velocidade radial confirmaram que o sistema estelar binário está, na verdade, a distanciar-se do nosso sistema.

Ao rastrear os seus movimentos no passado, os cientistas conseguiram descobrir a passagem da Scholz pelas proximidades do Sol, há 70 mil anos.

‘Insignificante’

Uma estrela que passasse pela Nuvem de Oort poderia causar problemas gravitacionais nas órbitas dos cometas da região, arremessando-os para trajectórias dentro do nosso Sistema Solar.

Mas Eric Mamajek acredita que os efeitos da estrela Scholz na nossa vizinhança cósmica foram “insignificantes”.

NASA

Esquema da Núvem de Orrt

Esquema da Núvem de Orrt

“Há biliões de cometas na nuven Oort e há a possibilidade de que alguns deles pudessem ter sido perturbados por este objecto. Mas, até agora, parece que a Scholz não desencadeou uma chuva de cometas”, explicou o cientista à BBC.

A estrela Scholz passou relativamente perto, mas o sistema binário – a estrela anã vermelha e sua companheira, a anã castanha – tem pouca massa e estava a passar a alta velocidade.

Estes factores combinados contribuíram para que o efeito da passagem da Scholz pela Nuvem Oort fosse pequeno.

Apesar de esta ter sido a passagem mais próxima já detectada de uma estrela, Mamajek acredita não ser invulgar que estrelas se aproximem de nosso Sol.

O cientista afirma que provavelmente, uma estrela passa nas proximidades da Nuvem de Oort aproximadamente de 100 mil em 100 mil anos.

Mas Mamajek sugere que uma passagem tão próxima como esta, ou mais próxima ainda, é, de alguma forma, mais rara.

Segundo o astrónomo, as simulações matemáticas mostram que um evento como o que envolveu a Scholz ocorre, em média, a cada 9 milhões de anos.

É uma estranha coincidência que tenhamos conseguido descobrir uma que passou tão perto nestes últimos 100 mil anos”, disse.

ZAP / BBC

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1 COMENTÁRIO

  1. Admitem Hercólubus enquanto o negam ao mesmo tempo. A própria tentativa de refutá-lo é a admissão da sua existência.

    A anã vermelha é o Sol Tylar e a anã marrom é Hercólubus ou Nibiru.

    Vamos ver até quando os céticos irão rir…

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