Estado não sabe quantos funcionários públicos tem (nem quanto ganham)

Nuno Fox / Lusa

O ministro das Finanças, Mário Centeno

Uma auditoria da Inspeção-Geral de Finanças (IGF) concluiu que o organismo que gere a informação sobre os recursos humanos do Estado não sabe ao certo o número de funcionários públicos.

Segundo uma auditoria da Inspeção-Geral de Finanças (IGF) ao Sistema de Informação da Organização do Estado (SIOE), a Direção-Geral da Administração e Emprego Público (DGAEP) não sabe ao certo quantos funcionários públicos existem nem quanto ganham.

O Jornal de Negócios avança esta quinta-feira que este relatório surge num momento particularmente sensível para o Governo de António Costa, isto porque ainda está a decorrer o processo de integração dos precários do Estado nos quadros – o PREVPAP.

“O SIOE não disponibiliza a informação necessária à completa e adequada caracterização dos recursos humanos da Administração Pública”, lê-se no resumo das conclusões, dado que o documento integral ainda não é público.

O documento adianta ainda que “o SIOE não dispõe de informação suficiente por forma a caracterizar adequadamente os recursos humanos da AP (v.g. número de funcionários públicos existentes, remunerações, avaliações e qualificações, horas trabalhadas e distribuição nas carreiras), manifestando ainda obsolescência funcional”.

Ao Negócios, o Ministério das Finanças afirmou que a informação recolhida no SIOE “possui caráter genérico e é recolhida de forma agregada, dependendo a sua atualização do carregamento trimestral por cada uma das entidades abrangidas”.

Por esse motivo, “estão já em curso trabalhos no sentido de proceder à reforma e robustecimento do sistema de informação atualmente existente e à alteração da estrutura da informação de caracterização das entidades públicas e dos seus recursos humanos”.

O objetivo, acrescenta, é “obter dados mais ricos, que potenciem e fundamentem a elaboração de análises estatísticas e de estudos técnicos, contribuindo para uma melhoria substancial nos dados para suporte à decisão e definição das políticas públicas“.

ZAP //

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10 COMENTÁRIOS

  1. Por isso a recuperação da carreira dos professores tanto pode custar 600 milhões ( para o Governo ) como 200 milhões ( para os Sindicatos ).
    Com tanta descentralização e passagem de responsabilidades para entidades regionais ou Empresas Municipais, até me admira como o OE consegue prever o valor de ordenados !!!!!

  2. Pois é, este senhor deveria ser presenteado com o prémio Nobel de geringonça. Quer dizer que não sabe que sou FP à 39 anos, isso diz-me uma coisa, um patrão que não sabe quem é, com quem trabalha, nem sabe o número mecanográfico. Nota-se que é um excelente ministro da incultura e da retórica….
    Finalmente, e dizer-lhe ainda bem que não nos conhecemos, por uma simples razão; “Não pretendo lavar a cabeça a burros” nem inversamente.

    • Caro JMAbreu, fico deveras pasmado ao ler o que escreveu: «que não sabe que sou FP à 39 anos».
      Um FP com 39 anos de serviço e ainda não sabe o que diz sobre a Administração Pública? é obra!
      Das duas, uma: ou FP quer dizer outra coisa, ou se é realmente funcionário do Estado, faz uma linda figura ao expor-se dessa maneira.
      E por aqui a esta hora? Não trabalha? Está de férias ou de baixa fraudulenta?
      Por isso não falta quem diga mal dos funcionários públicos! Agora compreendo melhor.
      Que FP!

      • Repare bem meu caro Sr. Sérgio, no meu texto, quando digo que o Sr. Ministro não sabe quantos Funcionários Públicos tem, logo à partida este senhor “ministro” desconhece que eu seja Funcionário à trinta e nove anos. Do restante leia melhor a minha explanação. Certo?!! grato pela atenção.

  3. Não sabe nem quer saber, bastava que num determinado mês o ordenado, só fosse pago mediante um recibo, com o nome, o nif e claro o valor do ordenado.
    Mas isdo descredibilizava as ” plataformas informáticas”, os programas caríssimos tão fundamentais à redução de pessoal, e isso não interessa, pois dá um ar de país do fáz de conta.

    • Se és tão ignorante que nem sequer sabes a diferença entre Estado e Governo (geringonça); porque insistes em mandar bitaites?!
      Em Portugal não há “Maduros”… pelo menos enquanto a população fôr mais inteligente e esclarecida do que tu!…

  4. Deve de haver umas centenas de milhares a receber sem sequer sair de casa… E outros tantos no descanso profundo na quinta do sr abade…….

  5. A bem dizer, foi “descoberto” mais um departamento do estado onde os funcionários públicos só existem para usufruir do “tacho”, trabalhar, que é bom, não se mostra adequado.
    Engraçado, sem graça nenhuma, é que o estado sabe de imediato, e publicita, todas as compras que os cidadãos fazem onde indiquem o NIF mas não sabe quantos funcionários tem nem quanto ganham, mas paga-lhes… Irónico, não?

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