Esqueleto do século XIII revela primeiros sinais de tortura em Itália

(dr) MiBAC / Soprintendenza ABAP di Milano

O esqueleto do homem do século XIII, encontrado no norte de Itália, que pode ter morrido por causa do método de tortura “a roda”

A História está cheia de mortes horrendas mas, de todas as formas cruéis de perder a vida, poucas são tão terroríficas como aquela documentada num esqueleto do século XIII recentemente descoberto em Itália.

Segundo o IFLScience, arqueólogos da Universidade de Milão desenterraram o esqueleto de um homem que parece ter morrido depois de um método de tortura doloroso e uma decapitação fracassada.

As primeiras impressões dos seus restos mortais mostraram que o indivíduo, que teria entre 17 e 20 anos, sofreu ferimentos simetricamente posicionados nos braços e nas pernas, o que sugere algum tipo de lesão intencional.



Com base nos registos históricos, os investigadores levantaram a hipótese de o homem ter sido torturado através da “roda”, também conhecida como “roda de despedaçamento” ou “roda de Santa Catarina”.

Este foi um objeto de tortura usado para execuções na praça pública em grande parte da história da Europa até ao início da era moderna (c. 1500). Os relatos de como foi usado por vezes diferem, mas geralmente envolviam o esmagamento dos membros, seguido de outros traumatismos.

Em alguns relatos, os torturadores começavam por largar a pesada roda em cima das pessoas, começando nas canelas e depois subindo para outros membros.

Peter Stubbe Woodcut / Wikimedia

“A roda”, método de tortura usado na Europa até à era moderna

Depois de o corpo estar suficientemente ferido, a pessoa era firmemente presa à roda com uma corda. Os ferimentos seriam então mais dolorosos. Os torturadores usavam lâminas, objetos pontiagudos, fogo, chicotes ou pinças em brasa.

No final, a roda era montada num poste e orgulhosamente pendurada como se fosse uma bandeira. A vítima ficaria ali durante algum tempo — talvez dias ou semanas — até morrer definitivamente ou sendo depois executada.

A técnica de tortura era usada frequentemente contra os acusados por crimes graves mas, no norte de Itália, onde este corpo foi encontrado, este tipo de tortura era geralmente reservado para pessoas suspeitas de serem propagadoras da peste, uma das doenças mais mortíferas daquela época.

“A vítima da roda poderia ter sido considerada diferente pelos seus contemporâneos, e possivelmente essa discriminação pode ter sido a causa da sua condenação final, podendo ter sido sacrificada, como uma ‘aberração’, por uma multidão furiosa, e como um propagador da peste”, escreveram os autores do estudo publicado na revista científica Journal of Archaeological Science.

Como se isso não bastasse, a análise forense do esqueleto também revelou fraturas lineares incomuns na base do crânio. Os cientistas dizem que o mais provável é ter sido o resultado de um forte traumatismo causado por uma arma pesada durante uma “decapitação desastrada”.

Se esta hipótese estiver correta, esta equipa de investigadores poderá ter documentado a primeira evidência arqueológica de um ser humano torturado pela roda, não só no norte de Itália, mas provavelmente em todo o mundo.

ZAP //

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