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Índice de contágio sobe em Espanha e França vai multar reuniões com mais de seis pessoas. Suíça com certificado de vacinação já no verão

Nas últimas 24 horas, o índice de contágios por covid-19 em Espanha voltou a subir, mas o país não irá avançar com novas restrições. Por outro lado, França vai multar reuniões com mais de seis pessoas no exterior e a Suíça já prepara certificados de vacinação para o verão. O novo ministro da Saúde brasileiro prometeu vacinar um milhão de pessoas por dia.

Espanha registou 7.026 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, elevando para 3.241.345 o total de infetados até agora no país, no dia em que que o índice de contágio voltou a subir.

Segundo dados divulgados hoje pelo Ministério da Saúde espanhol, foram também contabilizadas mais 320 mortes atribuídas à covid-19, passando o total de óbitos para 74.064.

O nível de incidência acumulada (contágios) em Espanha voltou a aumentar, pelo terceiro dia consecutivo, de 130 (terça-feira) para 132 casos (quarta-feira) diagnosticados por 100 mil habitantes nos 14 dias anteriores.

As regiões com os níveis mais elevados são as de Madrid (228), País Basco (200), Catalunha (172), Astúrias (159) e Aragão (131).

Nas últimas 24 horas a entrada nos hospitais em todo o país foi de 820 pessoas com a doença (919 na terça-feira), das quais 198 em Madrid, 194 na Catalunha e 125 na Andaluzia.

Por outro lado, diminuiu para 7.806 o número de hospitalizados (7.926), o que corresponde a 6% das camas, das quais 1.855 pacientes em unidades de cuidados intensivos (1.880), 19% das camas desse serviço.

O Ministério da Saúde espanhol e as comunidades autónomas, que têm autonomia nesta área, discutiram esta tarde se deviam ser tomadas medidas adicionais para conter o aumento dos contágios na Páscoa, tendo decidido não avançar com mais restrições.

Durante as férias da Páscoa será aplicado o mesmo dispositivo mínimo em todo o território espanhol, podendo cada uma das comunidades aplicar medidas mais restritivas.

As medidas gerais incluem, entre outras, a proibição de viajar entre comunidades autónomas e um recolher obrigatório entre as 22h00 e as 06h00, bem como limitar as reuniões em espaços públicos ou privados a um máximo de quatro pessoas.

França multa reuniões com mais de seis pessoas na rua

Em França, com a aceleração da epidemia, o ministro do Interior pediu às forças da ordem para começarem a multar reuniões com mais de seis pessoas no exterior e mais três regiões devem ter novas medidas de confinamento a partir de quinta-feira.

Com o aumento do número de contaminações e entradas nos hospitais, o ministro do Interior, Gerald Darmanin, pediu em comunicado enviado aos prefeitos de todas as regiões do país para que as forças da ordem implementem sempre esta medida.

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A medida está prevista na lei desde outubro, mas até agora a polícia não tinha aplicado as sanções a reuniões com mais de seis pessoas no exterior de forma rigorosa.

Esta quarta-feira, à saída do Conselho de Ministros, o porta-voz do Governo, Gabriel Attal, disse que mais três regiões se devem juntar aos 16 departamentos já em confinamento nesta quinta-feira. As medidas exatas a adotar nesses territórios vão ser detalhadas quinta-feira pelo primeiro-ministro.

Ainda no Conselho de Ministros, Gerald Darmanin apresentou um novo decreto que prevê a possibilidade de que as pessoas positivas à covid-19 que cheguem aos aeroportos parisienses fiquem automaticamente em isolamento.

Estão atualmente internadas nos hospitais franceses 26.876 com a covid-19 e desses pacientes, 4.651 estão nos cuidados intensivos, mais 300 pessoas do que na véspera.

Morreram desde terça-feira 248 pessoas devido vírus, elevando assim o total de mortes 93.183.

Suíça vai ter certificados de vacinação a partir do verão

O departamento federal suíço de Saúde Pública anunciou esta quarta-feira que vai poder emitir certificados de vacinação da covid-19 a partir do verão, assegurando que serão “internacionalmente reconhecidos e não podem ser falsificados”.

A diretora do departamento de Saúde Pública, Anne Lévy, avançou que a Suíça está a acompanhar de perto a evolução deste tipo de certificado na União Europeia, embora admita atuar de forma independente caso a iniciativa seja adiada nos países vizinhos.

A Comissão Europeia já informou que está a analisar a emissão de certificados de vacinação contra a covid-19 para os cidadãos dos 27 países membros, para permitir uma mais segura circulação entre fronteiras em época de pandemia.

Embora não faça parte da União Europeia, a Suíça integra o espaço do acordo de Schengen, que decorre de uma convenção sobre abertura das fronteiras e livre circulação de pessoas entre os países signatários.

O certificado suíço de vacinação contra a covid-19 deve ficar disponível em formato físico e digital, permitindo que os seus titulares superem certas restrições, especialmente em termos de viagens.

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Numa primeira fase, o documento não levará em consideração se o seu portador já foi previamente infetado com covid-19 ou se apresentou resultado negativo nos testes, embora esta informação possa vir a ser inserida a longo prazo, afirmou Lévy, em declarações à estação de televisão suíça RTS.

Um milhão de vacinados por dia no Brasil

O novo ministro da Saúde brasileiro, Marcelo Queiroga, prometeu esta quarta-feira triplicar o ritmo da campanha de vacinação contra a covid-19 no país, de forma a atingir um milhão de imunizados no país diariamente, num curto espaço temporal.

“Temos condições de vacinar muitas pessoas. Atualmente, nós vacinamos 300 mil indivíduos todos os dias. O ministro da Saúde e o Governo assumem o compromisso de, num curto prazo, aumentar pelo menos em três vezes essa velocidade de vacinação para um milhão de vacinas todos os dias. É uma meta que é plausível, eu digo que é plausível”, afirmou o cardiologista.

Naquele que foi o seu primeiro pronunciamento à imprensa após tomar posse como ministro, Queiroga anunciou ainda a criação de uma secretaria específica no seu ministério para discutir medidas de combate à pandemia.

O governante garantiu também que recebeu “absoluta autonomia” do Presidente, Jair Bolsonaro, para construir a sua equipa.

“O senhor Presidente da República deu-me absoluta autonomia para indicar o secretariado do Ministério da Saúde. E eu o fiz, buscando as melhores pessoas para que tenhamos maior sucesso na concretude das políticas públicas”, declarou Queiroga no Palácio do Planalto.

“Estamos agora com um firme propósito (…) de instituir uma secretária especial para o combate à pandemia. Essa secretaria vai cuidar somente da pandemia, porque sabemos que, além da pandemia, as pessoas continuam tendo outros males“, acrescentou o cardiologista.

Marcelo Queiroga tomou posse na terça-feira, mais de uma semana após a sua nomeação, numa cerimónia discreta em Brasília, sem a presença da imprensa.

A gestão do seu antecessor, um militar sem experiência médica, general Eduardo Pazuello, tem sido amplamente criticada, à medida que o país avança numa crise de saúde descontrolada.

O ministro aproveitou a conferência de imprensa de hoje para pedir um “voto de confiança” dos jornalistas.

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“Vamos colocar os dados de maneira clara, não somente óbitos, mas também sobre disponibilização de camas, diagnósticos. Vamos fazer de maneira transparente para que a sociedade brasileira tenha confiança no Estado brasileiro”, prometeu o ministro.

Sobre o polémico “tratamento precoce” defendido por Bolsonaro, que consiste no uso de medicamentos como a cloroquina e que não têm eficácia comprovada contra a covid-19, o ministro disse que é uma decisão que compete aos médicos.

“É uma relação médico-paciente e deve ser decidida caso a caso, mas a minha opinião em relação a essa questão é que temos de olhar para a frente e buscar o que existe de comprovado. E é isso que o Ministério da Saúde vai fazer”, reforçou Queiroga.

O Brasil, que tem alcançado sucessivos recordes de óbitos e novos casos de Covid-19, totaliza 298.676 vítimas mortais e 12.130.019 diagnósticos de infeção, sendo o segundo país do mundo mais afetado pela pandemia, atrás dos Estados Unidos.

A pandemia de Covid-19 provocou, pelo menos, 2.735.411 mortos no mundo, resultantes de mais de 124,1 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

  ZAP // Lusa

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