Espanha e sul de França sofrem o segundo evento de calor extremo do ano

Tiago Petinga / Lusa

Os máximos de temperatura costumam ser registados em julho ou agosto, mas as ondas de calor têm acontecido mais cedo e com maior frequência.

Um segundo evento de calor extremo do ano está a assolar a Espanha e o sul de França, com temperaturas a atingir máximos apenas registados em julho ou agosto.

Os especialistas já vieram alertar que as ondas de calor de verão estão a acontecer cada vez mais cedo e com maior frequência.

Segundo a agência estatal francesa Météo France, as temperaturas já tinham ultrapassado os 35.ºC perto do Mediterrâneo e que aumentam ainda mais a partir de meio da semana passada, à medida que a massa de ar quente se deslocou para norte, com partes do sudoeste e do vale do Ródano a chegar aos 39.ºC.

Mesmo na Alsácia, em Britanny e na grande região parisiense, as temperaturas chegaram a atingir — e em algumas áreas exceder significativamente — os 30.ºC, sublinha o meteorologista Patrick Galois ao The Guardian.

Galois avisa que estes eventos “muito raramente” ocorrem em junho. “Se este episódio for confirmado, será um recorde em termos de quão cedo ocorreu”, realça.

Episódios anteriores de temperaturas extremas em junho, como em 2005 e 2017, não se começaram a verificar ante de, pelo menos, dia 18 do mês, acrescenta.

O pico da temperatura deve ser alcançado entre quinta-feira e sábado, alertou a Méteo France, acrescentando que estava a ser alimentado por um sistema atlântico de baixa pressão entre as ilhas dos Açores e a Madeira, favorecendo os episódios do ar quente extremo na Europa Ocidental.

Para que um evento de calor extremo seja formalmente classificado como uma onda de calor, as temperaturas devem normalmente exceder os valores estabelecidos de dia e de noite que variam região para região durante um período contínuo de pelo menos três dias.

Em Espanha, as temperaturas do início de junho são as mais quentes registadas em pelo menos 20 anos, tendo atingido 40.ºC durante o fim-de-semana passado em Sevilha e nas proximidades de Córdoba, 42.ºC no vale do Guadiana na Extremadura e 43.ºC noutras partes do sul de Espanha.

“Estamos perante temperaturas anormalmente elevadas para junho“, disse um porta-voz de Aemet, o gabinete meteorológico estatal.

O porta-voz acrescentou ainda que esta última onda de calor foi a terceira mais quente de sempre, e a primeira a chegar tão cedo desde 1981.

O meteorologista afirmou que o aquecimento global faz com que o verão em Espanha comece agora cerca de 20 a 40 dias mais cedo do que há 50 anos atrás.

O ano passado foi o mais quente e seco de Espanha, com temperaturas que atingiram um máximo histórico de 47,4.ºC na província de Córdoba.

Os episódios de calor extremo nos dois países registaram também o mês de maio mais quente de que há registo em França e Espanha.

A França registou temperaturas superiores a 38.ºC — cerca de 17.ºC mais quentes do que a média sazonal — em algumas zonas do sul do país no mês passado.

As cidades do sul de Albi, Toulouse e Montélimar igualaram ou excederam os seus registos anteriores para o mês de maio, com 33.7.ºC, 33.4.ºC e 33.8.ºC, enquanto o noroeste da Normandia atingiu 27.ºC, quebrando o recorde de 1922.

A seca está também a tornar-se uma preocupação crescente, com 35 departamentos franceses já a impor restrições à água.

No caso de Portugal, quase todo o país foi classificado como estando em “seca grave” no final de maio, de acordo com o serviço meteorológico nacional IPMA.

O mês passado foi o mês de maio mais quente do país desde 1931, com a temperatura média mais de 3.ºC acima do habitual e com uma precipitação média ligeiramente inferior a 9mm — cerca de 13% do nível normal. Mais de 97% de Portugal encontra-se em “seca severa”.

“Este défice de precipitação vai de acordo com a tendência dos últimos 20 anos, marcados por períodos secos mais frequentes em resultado das alterações climáticas”, alertou Vanda Pires, climatologista do IPMA, acrescentando que as temperaturas também podem atingir 40.ºC em Portugal esta semana.

  Alice Carqueja, ZAP //

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