Cientistas dão um enorme passo no tratamento do cancro do pulmão

Investigadores descobriram que certas características genéticas predispõem os pacientes com cancro a desenvolver efeitos colaterais ou toxicidades à imunoterapia.

Qualquer cancro resulta de um crescimento descontrolado de células que sofreram alterações e, por isso, não realizam a sua função e impedem o desempenho adequado de determinado órgão. O cancro do pulmão é dos tipos de cancro mais frequentes.

Entre 80 a 90% dos doentes com cancro do pulmão fumam ou já fumaram. Além disso, histórico familiar de cancro e exposição a substâncias nocivas são alguns dos principais fatores de risco.

A investigação constante do cancro do pulmão é, inquestionavelmente, necessária. Cada vez se sabe mais sobre as suas causas e sobre a forma como se desenvolve e cresce. Estão, também, a ser estudadas novas formas de o prevenir, detetar e tratar.

Um grande passo no tratamento do cancro do pulmão foi agora dado, com um novo estudo da Edith Cowan University a descobrir como torná-lo ainda mais eficaz, escreve a EurekAlert.

A imunoterapia é uma arma importante na batalha contra o cancro do pulmão de células não-pequenas, que representa entre 80 e 85 por cento de todos os diagnósticos. No entanto, pelo menos 74 por cento das pessoas tratadas apresentam reações adversas a este tipo de tratamento.

Cerca de um em cada cinco casos desenvolve toxicidade de grau três ou quatro, o que pode levar a complicações ao longo da vida que afetam a pele, intestino, fígado ou sistema endócrino. Isto faz com que muitos tratamentos tenham de ser interrompidos.

Estranhamente, as pessoas que sentem estes efeitos adversos da imunoterapia tendem a ter resultados mais positivos quanto à progressão do cancro do que aquelas que não sentem os efeitos colaterais.

“É uma faca de dois gumes”, atira a investigadora Elin Gray, autora da promissora descoberta.

“As imunoterapias libertam o sistema imunitário para reconhecer e matar as células cancerígenas, mas também podem libertar as células imunitárias para atacar o corpo, causando toxicidade”, explicou Gray. “O nosso estudo mostra pela primeira vez que certas características genéticas predispõem os pacientes com cancro a desenvolver efeitos colaterais ou toxicidades à terapia anticancro”.

Em causa estão os antígenos leucocitários humanos (HLAs, na sigla em inglês), que são biomarcadores encontrados na maioria das células do corpo.

Os investigadores analisaram os HLAs de 179 pacientes com cancro do pulmão de células não-pequenas e encontraram uma forte ligação entre a composição genética dos HLAs e a probabilidade de a pessoa desenvolver efeitos colaterais da imunoterapia.

“Se alguém não corre o risco de efeitos colaterais, os médicos podem acelerar o tratamento e ser mais agressivos no combate à doença”, sublinhou Gray. “Se eles estiverem em maior risco, os médicos podem facilitar o tratamento, monitorizá-lo e intervir antes que os pacientes desenvolvam toxicidade de grau 3 ou 4″.

Em qualquer um dos casos, o paciente fica sempre a ganhar. Os resultados do estudo foram publicados recentemente na revista científica European Journal of Cancer.

  Daniel Costa, ZAP //

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