Enfermeiros temem o caos (já para a semana)

Os enfermeiros temem “um período caótico” e “de rutura” na maioria dos hospitais a partir de domingo, devido à passagem de milhares de profissionais para 35 horas de trabalho semanais sem a concretização das contratações pedidas pelas instituições.

A situação torna-se mais grave por acontecer no início do período de férias, alerta a Ordem dos Enfermeiros e o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), avisando que o Algarve e o interior do país serão os mais prejudicados.

“Estava previsto que houvesse, nestes primeiros seis meses, um processo ou um plano de contratação de enfermeiros para que, chegados a esta hora, a transição para as 35 horas pudesse ser feita de uma forma o mais calma possível”, mas isso não aconteceu, lamentou à agência Lusa a dirigente do SEP Guadalupe Simões.

Não tendo sido contratados, até ao momento, os cerca de 2.000 enfermeiros necessários para compensar a redução das 40 para as 35 horas semanais, “o que se avizinha é um período caótico e mesmo de rutura na maioria das instituições, já para a semana”, alertou.

Mesmo que se confirmem as contratações até domingo, os enfermeiros vão necessitar de um período de integração que, mesmo que seja curto”, terá de existir, “porque ninguém começa a trabalhar numa instituição de saúde sem, no mínimo, saber como está organizada”, disse Guadalupe Simões.

“Tudo isso são entraves e coloca obstáculos ao funcionamento regular dos serviços e tudo poderia ter sido feito de outra forma” se o plano de contratação já tivesse avançado, mas “o ministério da Saúde deixou tudo para o fim”, lamentou, defendendo que o ministro “terá de ser responsabilizado” pela situação criada.

Estas preocupações são partilhadas por Ana Rita Cavaco, bastonária da Ordem dos Enfermeiros, que não compreende porque ainda não foram autorizadas as contratações. “Em cima disto” existe “o problema das férias, que se concentram maioritariamente entre julho e setembro, disse a bastonária.

Os enfermeiros “não são robots, têm de tirar férias, já têm problemas de horas a mais, com um problema grave de aumento de risco naquilo que fazem todos os dias por causa das condições de exaustão”, frisou.

“O grande problema deve-se ao ministério das Finanças ter engolido o da Saúde, que deixou de ter autonomia”, diz a bastonária. “Eu não entendo como querem gerir a saúde assim, nunca vi uma gestão desta natureza”, comentou.

Atividade hospitalar reduzida a partir de domingo

Os administradores hospitalares alertam que atividades programadas como cirurgias terão de ser reduzidas, caso não seja reposto o número de profissionais necessário para garantir a qualidade do serviço, na sequência da aplicação das 35 horas de trabalho semanais.

Em declarações à agência Lusa, Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares adiantou que “a grande preocupação”, já manifestada ao Governo e aos grupos parlamentares, se prende com “os níveis de serviço” que são possíveis prestar a partir desta data.

Atualmente, os hospitais já têm uma “elevada carência de recursos humanos”, principalmente de assistentes operacionais, assistentes técnicos e enfermeiros, disse.

Por esta razão, “se não existir a reposição dos níveis de disponibilização de recursos humanos que existem atualmente, e que já são escassos para garantir a qualidade, será necessário reduzir a atividade programada que existe atualmente”, ao nível de camas de internamento e do número de cirurgias realizadas diariamente.

Não se trata de “uma situação de rutura do serviço”, mas de “redução de serviço”, vincou Alexandre Lourenço.

A semana passada, o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, anunciou no parlamento, a contratação, numa primeira fase, de 2.000 profissionais em julho. A secretaria de Estado da Saúde adiantou que o “planeamento dos recursos humanos tem sido feito de forma regular e atempada” e que “muito do esforço de contratação dos últimos dois anos e meio” visou criar condições para esta transição.

Para Alexandre Lourenço, “as contratações são uma boa notícia, mas são diminutas, observando que a redução equivale a cerca de 12,5% dos recursos existentes nos hospitais. “Mesmo que venham a ser contratados estes recursos humanos não está previsto qualquer reforço orçamental para que seja possível que estes custos sejam cobertos pelos orçamentos que estão atualmente disponíveis nos hospitais”, sublinhou.

Sem os reforços necessários à contratação destes profissionais, “os hospitais verão a sua capacidade de oferta de cuidados aos portugueses muito diminuída“, rematou.

Lusa // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Quiseram as 35 horas, não foi? Agora fazem greves não é? E ficam todos admirados do caos que ai vem.
    Pois as regalias de uns são pagas por outros que não são funcionários públicos e por isso não tem todas essas regalias mas são os que irão pagar o caos no SNS

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