Encontrado o “elo perdido” dos buracos negros (mesmo no meio da Via Láctea)

Hubble / ESA / NASA

A emissão de gás detectada parece uma versão em menor escala do buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia

Perto do coração da Via Láctea há evidências da existência de um buraco negro escondido em uma nuvem molecular de gás, com uma massa 100 mil vezes maior do que o Sol – o que o torna algo nunca visto: um buraco negro “médio”.

Até agora, apenas tinham sido encontrados buracos negros “normais” ou “supermassivos”. O “elo perdido” dos buracos negros foi finalmente encontrado, e estava “escondido” numa nuvem de poeira galáctica no meio da Via Láctea.

Segundo um estudo da Universidade de Keio, no Japão, publicado esta segunda-feira na Nature Astronomy, este pode ser o primeiro buraco negro de massa intermédia alguma vez localizado pelos astrónomos, e talvez possa proporcionar informações importantes sobre como poderão ter sido criados os buracos negros supermassivos.

Os cientistas sabem que há gigantescos buracos negros, com massas que chegam a ser de 10 mil milhões de vezes maior que a do Sol, mesmo no centro das galáxias – entre as quais, a nossa Via Láctea.

Mas ninguém sabe como é que conseguem tal quantidade de massa, especialmente quando parece que estes buracos negros existem desde que o universo era relativamente jovem – apenas algumas centenas de milhões de anos.

De acordo com o estudo agora divulgado, esse enigma poderia ser resolvido se existissem buracos negros de poucas centenas de milhares de massas solares – que fossem uma espécie de “sementes” para os seus “irmãos mais velhos”, com massa muito maior.

No entanto, até agora esse tipo de buraco negro de massa intermédia não tinha sido detectado, e havia “poucos candidatos convincentes” a serem incluídos nessa categoria.

O professor Tomoharu Oka, da Universidade Keio, Japão, e a sua equipa usaram o sistema ALMA, Atacama Large Millimeter/Submillimeter Array, composto por 66 radiotelescópios situados no deserto do Atacama, no Chile, para observar uma nuvem de gás molecular a 195 anos-luz do centro da Via Láctea.

Com a ajuda de simulações computorizadas, a equipa de cientistas japoneses pode concluir que a cinemática do gás nessa nuvem só poderia ser explicada pela presença de um buraco negro de massa intermédia escondido no seu interior.

Além disso, descobriram os astrónomos, a emissão de gás da nuvem assemelha-se a uma versão em menor escala da do buraco negro supermassivo estático do centro da nossa galáxia  – o “nosso” buraco negro.

Os investigadores irão agora focar-se em acompanhar a evolução das emissões detectadas confirmar a sua natureza – e usar a mesma técnica para descobrir outros buracos negros de massa intermédia, que possam ajudar-nos a perceber como se formam afinal os gigantescos buracos negros supermassivos que pululam pelo Universo…

// EFE

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