Empresas recusam regime de horário flexível a pais de menores de 12 anos

Carol Von Canon / Flickr

A lista de pareceres da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego é dominada pela questão da flexibilização de horários de trabalhadores com filhos menores de 12 anos. Este ano já foram analisados 321 casos e o tema predominante é o mesmo que o do ano passado.

A lei em vigor no Código Trabalho prevê a possibilidade de atribuição de um horário flexível para pais de crianças menores de 12 anos que podem escolher a hora de entrada e de saída, embora com alguns limites.

Contudo, não é o que acontece na maioria dos casos. Se o empregador recusar o pedido do trabalhador, o processo deve ser enviado à Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), que analisa a situação e pode reverter a decisão.

Em 2017, a CITE emitiu 747 pareceres, e o horário flexível dominou as situações apresentadas. Este ano, foram já analisados 321 casos e o mesmo aconteceu, avança esta segunda-feira o Diário de Notícias. O setor da saúde ganha a taça, dado que é um dos que regista muitas recusas em conceder o direito de flexibilização de horários aos pais.

Na maior parte dos casos, adianta a comissão, são as mulheres a pedir a mudança de horário. Todavia, a presidente da CITE, Joana Rabaça Gíria, sublinha que é um sinal de uma mentalidade que é preciso mudar, já que a legislação portuguesa salvaguarda os direitos da conciliação e da igualdade de oportunidades.

“A informação existe, o que falta é uma interiorização; em primeiro lugar dos conceitos, quer da conciliação, quer dos horários, quer dos tempos de trabalho necessários para que essa conciliação seja possível; em segundo, de atitude”, considera.

“Se for o homem a pedir flexibilidade, há casos em que ouve: «A tua mulher não trata disso?» É um exemplo académico mas existe. Falta uma interiorização a todos os níveis, quer dos próprios trabalhadores quer das entidades empregadoras, de que a conciliação entre a vida profissional e a vida familiar é fundamental”, defende Rabaça Gíria.

No caso da paternidade, explica o DN, horário flexível significa adequar os tempos laborais às exigências familiares desde que contenha um ou dois períodos de presença obrigatória, com duração igual a metade do período normal de trabalho diário.

ZAP ZAP //

PARTILHAR

9 COMENTÁRIOS

  1. Empresas portuguesas são da idade da pedra…. Tudo bem que a tendência lá fora seja a da flexibilidade de contratos de trabalho mas aqui dentro e preciso paciência que já acabou…. Desde horas extraordinárias que não são pagas, pressão para trabalhar mais e sem ter direito a vida familiar, baixos salários conjugados com estágios que só servem pra explorar pessoas…. Pessoas rudes que só sabem fazer bulling…. Contratos de trabalho que tratam as pessoas como lixo no final de 6 ou 3 meses…. Haja paciência!! …… E adicionado a isto tudo se juntar mos a falta de justiça e a desordem governativa…. Esta criado o velho oeste de cowboys e índios sem lei sem roque…

    • Acrescente à lista os recibos verdes, pior ainda que um contrato de 3 ou 6 meses, zero regalias e o trabalho depende da necessidade da empresa podendo mesmo depois de estar no local de trabalho ser dispensado porque não é preciso.
      Isto são coisas que não lembram a ninguém e o mais grave é que estamos a falar do sector da saúde há bulling e tratam abaixo de cão os jovens de inicio de carreira.
      É este o portugal que temos uns são filhos outros entiados.

  2. A expressão é “Sem Rei nem Roque”, mas o Mark tem toda a razão. quando me vêm com conversas de que no estrangeiro há flexibilidade de contratos, eu respondo logo que também há salários mínimos adequados ao custo de vida e também há mais oportunidades de emprego. Muitas vezes é o empregado que manda o patrão dar uma volta porque outro patrão oferece melhores condições, até porque o talento é mais valorizado. Isto para não falar de que em paises como o Reino Unido, idade não é uma limitação… É um valor acrescentado devido à experiência de vida… E quanto mais velho, mais alto o salário mínimo.

    O mundo anda todo ele a favorecer os poucos da mó de cima e reprimir e empobrecer os muitos da mó debaixo… Aumentando as desigualdades e destruindo a classe média. Em Portugal existe uma caricatura desse fenómeno, o qual pelo menos desde a viragem do milénio se tem vindo a acentuar vertiginosamente. O mundo laboral espelha isso.

    Em Portugal o salário mínimo além de ser inconcebível para o nosso custo de vida, é consequência de uma economia toda ela concebida para espremer a cidadania das classes média e baixa, como se fossem um sumo. Isto nota-se especialmente no facto de em Portugal o salário mínimo não ser o salário das pessoas que ganham excepcionalmente mal, mas sim o salário de quase toda a gente. Num país de senhores doutores em que toda a gente quer escrever no perfil do Facebook que é empresário, a maior parte das empresas ou são Unipessoais ou se tem muitos empregados, geralmente têm um CEO que ganha balúrdios, um ou outro quadro alto (amigos que mal lá metem os pés) a ganhar 2 ou 3 mil euros, e depois tudo corrido a ordenado mínimo. Licenciados, mestrados… Tudo a 600 euros ou menos.

    Portanto a grande diferença é que em Portugal, o salário mínimio não é nem a excepção, nem uma situação de início de carreira. É a norma e é a forma como muitas empresas que não devíam existir se viabilizam. Vivemos num país onde as empresas sem precisarem de combinar entre elas, praticam a cartelização de salários: “Não pagues mais que o ordenado mínimo aos teus empregados, que eu também não… Assim eles não fogem da tua empresa prá minha nem vice-versa”.

    Enquanto não houver uma lei que proiba as empresas de terem mais do que uma determinada percentagem de pessoas a ganhar ordenado mínimo… E enquanto não houver outra lei que simultaneamente proiba pagar ordenado mínimo a pessoas com determinado tempo de experiência em determinada profissão, o tecido empresarial deste país vai continuar a ser um mero sorvedor de recursos humanos e um parasita das competências profissionais.

  3. As empresas ??? Por que haveriam de cumprir quando o estado que cria as leis não as cumpre?
    Eu sou funcionária de uma universidade pública e depois de quase 1 ano de espera (após pedido oficial) vi recusado por escrito este pedido pelo meu superior hierárquico, tinha duas filhas menores de 2 e 9 anos e o marido trabalhava fora… Reclamei desta decisão ao responsável máximo da instituição (Reitor) e a resposta foi que não podia ir contra uma decisão do Diretor da faculdade…
    Como diz o ditado “Faz o que eu digo , não faças o que eu faço”…

    • Maria deveria fazer novo pedido formal, e entregar os documentos legalmente exigidos.
      Senão existir resposta por escrito por parte do empregador dentro do prazo ou se a mesma for recusada envie para a cite.

      O mal…. … enquanto pais é delegarmos aos outros (avós /tios/amas) a educação e acompanhamento dos nossos filhos.

      Infeliz continuamos a ser um país muito atrasado no que toca à conciliação da vida pessoal com a vida familiar

  4. MAria, porque não reporta ao CITE para que emita o seu parecer, que muito provávelmente será favorável.
    Medo ? Não tenha medo.

Ministério Público abre inquérito para averiguar adjudicações de vereador de Coimbra

A Procuradoria-Geral da República afirmou esta terça-feira que instaurou um inquérito para averiguar as alegadas adjudicações feitas pelo vereador Jorge Alves, que renunciou ao cargo, nos Transportes Urbanos de Coimbra a uma empresa detida pelo …

Reino Unido. Dados sobre assassinos e violadores não foram enviados para a UE

A condenação no Reino Unido de 109 assassinos, 81 violadores e um indivíduo que cometeu ambos os crimes não foi transmitida aos países da União Europeia (UE) devido a uma falha informática e ao consequente encobrimento …

Vaga de frio no Texas. Mulher processa empresa de energia depois de receber conta de 9.000 dólares

Uma mulher residente no estado do Texas, nos Estados Unidos, avançou com uma ação coletiva de mil milhões de dólares contra o seu fornecedor de energia depois de a empresa apresentar uma conta de eletricidade …

Sérgio Conceição elogia SC Braga e fala de pessoas "subservientes" que querem "tachinhos"

Na antevisão do jogo com o SC Braga, marcado para esta quarta-feira, a contar para a segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal, Sérgio Conceição referiu-se a algumas incidências do último dérbi, mostrou-se desagradado …

Arábia Saudita. Repórteres sem Fronteiras pedem acusação do príncipe herdeiro pela morte de Khashoggi

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) entrou com uma ação judicial na Alemanha, na qual pede a acusação do príncipe herdeiro saudita Mohammed Bin Salman por crimes contra a humanidade, incluindo o assassinato do jornalista …

População prisional reduziu 18% nos últimos quatro anos

A ministra da Justiça salientou hoje que, nos últimos quatro anos, a população prisional baixou de 13.779, no final de 2016, para 11.300 no final de 2020, o que traduz uma redução de cerca de …

"A rebeldia de João Félix". Imprensa espanhola destaca o temperamento do avançado

João Félix volta a ser o centro das atenções da imprensa desportiva espanhola, depois de na última jornada da La Liga o internacional português celebrar o seu golo com recurso a alguns palavrões em direção …

Debaixo de fogo devido a comparações a Hitler, Amazon altera ícone da sua aplicação

A Amazon mudou o novo logótipo da sua aplicação de smartphone depois de várias vozes críticas terem comparado a imagem ao ditador alemão Adolf Hitler. A gigante do comércio eletrónico lançou o novo ícone em janeiro …

Este ano não vai haver NOS Primavera Sound. Festival regressa em 2022

Após já ter sido adiada de 2020 para 2021, a 9ª edição volta a ser reagendada e já tem novas datas. O NOS Primavera Sound é o primeiro grande festival de verão português a anunciar …

Vice-presidente do Zimbabué demite-se após acusações de abuso sexual

O vice-presidente do Zimbabué, Kembo Mohadi, acusado de assédio sexual, anunciou esta segunda-feira a sua demissão do cargo, tendo reafirmado a sua inocência. "Demito-me do cargo de vice-presidente da República do Zimbabué com efeito imediato", escreveu …