Pela primeira vez na história foi revelada a fotografia de um buraco negro. A imagem foi captada graças ao trabalho dos oito telescópios do Event Horizon Telescope e foi anunciada hoje, em conferência de imprensa.

A Comissão Europeia anunciou a semana passada que iria fazer um anúncio bombástico esta semana, e esta quinta-feira, às 14h, apresentou, numa transmissão em direto no YouTube, a primeira fotografia de sempre de um buraco negro.

Nunca antes se tinha captado uma fotografia de um destes míticos fenómenos cósmicos, adivinhados por Albert Einstein, mas tudo mudou hoje com a revelação dos primeiros resultados do Event Horizon Telescope.

A fotografia mostra o interior da Messier 87, uma galáxia localizada a 55 milhões de anos-luz de distância. A fotografia pode parecer banal, mas abre portas para validar a Teoria da Relatividade Geral de Einstein.

Os buracos negros são literalmente invisíveis, uma vez que absorvem toda a luz e matéria em redor. Mas há uma região muito especial de um buraco negro: o event horizon, ou horizonte de eventos. Este é o limiar a partir do qual a força da gravidade se torna suficientemente grande para impedir que qualquer radiação escape ao buraco negro.

O Event Horizon Telescope focou-se nesse nicho e, com o esforço de oito telescópios e mais de 200 cientistas, explica o The Guardian, conseguiu captar a primeira fotografia de um buraco negro.

Os buracos negros são os objetos mais misteriosos do universo. Nós vimos o que pensávamos ser invisível. Tiramos uma foto de um buraco negro“, disse Sheperd Doeleman, diretor do Event Horizon Telescope e investigador na Universidade de Harvard.

A sombra escura que se vê dentro marca a borda do horizonte de eventos, o ponto sem retorno, além do qual nenhuma luz ou matéria pode viajar rápido o suficiente para escapar da inexorável atração gravitacional do buraco negro.

“Aquilo que vemos na imagem é maior do que o nosso Sistema Solar inteiro“, disse o professor da Universidade de Radboud, Heino Falcke, em declarações à BBC. “Tem 5,6 mil milhões de vezes a massa do Sol. E é um dos buracos negros mais pesados que existe. É um monstro absoluto, o campeão dos pesos-pesados de buracos negros“, acrescentou.

Apesar de representar uma descoberta bombástica para a Astronomia, a fotografia “ainda não nos dá uma explicação para o que está a acontecer dentro do buraco negro”, diz Ziri Younsi, um dos colaborados no projeto do Event Horizon Telescope. Isto porque o horizonte de eventos e o buraco negro representam coisas diferentes.

“É notável que a imagem que observamos seja tão semelhante àquela que obtivemos dos nossos cálculos teóricos. Até agora, parece que Einstein está correto mais uma vez“, declara Younsi, referindo-se à Teoria da Relatividade de Albert Einstein.

Como ler em Paris um jornal exposto em Nova Iorque

A capacidade de observação da rede de radiotelescópios com a qual foi obtida a primeira ‘fotografia’ de um buraco negro, apresentada esta quarta-feira, equivale a ler um jornal exposto em Nova Iorque a partir de um café em Paris.

A analogia é feita em comunicado pelo Observatório Europeu do Sul (OES) e pelo Event Horizon Telescope (EHT), uma rede à escala planetária de oito radiotelescópios em solo que foi formada sob colaboração internacional para capturar as primeiras imagens de um buraco negro, objeto no universo completamente escuro do qual nada pode escapar, nem mesmo a luz.

Da equipa de mais de 200 investigadores que participaram na observação do buraco negro  da sua sombra, que se situa no centro da galáxia M87, faz parte o astrofísico português Hugo Messias, do observatório ALMA. O Observatório Europeu do Sul é uma organização astronómica da qual Portugal faz parte.

As observações do EHT foram feitas a partir de uma técnica conhecida como “interferometria de linha de base muito longa”, que sincroniza os diversos telescópios colocados em diferentes pontos do mundo e “explora a rotação” da Terra para formar “um enorme telescópio do tamanho da Terra”.

Durante anos, o Event Horizon Telescope (EHT) varreu a Via Láctea, tentando obter uma fotografia da localização de Sagitário A*, o monstruoso buraco negro da nossa galáxia.

A tarefa não era fácil, uma vez que os buracos negros são literalmente invisíveis. Estas formações cósmicas absorvem toda a radiação eletromagnética, o que significa que nenhum dos nossos telescópios os conseguem detetar – razão pela qual não os conseguimos observar ou fotografar.

Mas há uma região muito especial de um buraco negro: o event horizon, ou horizonte de eventos. Este é o limiar a partir do qual a força da gravidade se torna suficientemente grande para impedir que qualquer radiação escape ao buraco negro.

Neste limiar, o espaço e o tempo comportam-se de forma peculiar, fugindo às leis da física, e foi nisso que os cientistas apostaram para conseguir captar uma imagem da luminosidade residual emitida pelo buraco negro.

Era possível, mas não propriamente fácil, explica o Science Alert.  Para dificultar a tarefa, Sagitário A* está envolto numa espessa nuvem de poeira e gás.

Nos últimos anos, a equipa do Event Horizon Telescope recolheu e analisar dados de telescópios de todo o mundo. A informação obtida por esta rede de instrumentos é tão grande, que teve que ser transportada de avião em discos rígidos, para que os astrónomos façam uma análise detalhada dessa informação.

A ideia do EHT é simples: os telescópios de todo o mundo estão sincronizados com um relógio incrivelmente preciso, pelo que os seus dados podem ser correlacionados e, eventualmente, produzir uma imagem do event horizon de um buraco negro.

E aqui está ela.

EHT Collaboration

A primeira fotografia de um buraco negro.

ZAP // EHT

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4 COMENTÁRIOS

  1. Não existe dinheiro para matar a fome no Mundo mas já existem Milhões investidos para fotografar buracos negros. Continuamos no bom caminho da hipocrisia global.

  2. Até estranho o Costa não vir dizer que esta foto foi graças ao cabeça de lista do PS às Europeias. Como é que se chama mesmo o folião de Loulé?!

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