Efeito placebo, mas ao contrário. Mais de 60% das reações adversas à vacina da covid-19 são psicológicas

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Jean-Francois Monier / AFP

As principais queixas dos doentes a quem foi dada uma “doce placebo” são dores de cabeça e cansaço, as mesmas reportadas pelos que foram efetivamente vacinados contra a covid-19.

A mente humana é poderosa e não é fácil enganá-la – apesar de esta ser capaz de enganar todo o corpo humano. De acordo com um novo estudo, que contou com a participação de mais de 45 mil pacientes, na maioria dos pacientes que reportou reações adversas após a toma da vacina da covid-19 o que estava em causa era o efeito nocebo, ou seja, o “irmão mau” do efeito placebo, no qual um indivíduo pensa estar a sentir-se mal devido a um tratamento ou à ingestão de medicamentos, algo que já estava à priori.

Através da análise de dados de 12 ensaios clínicos aleatórios tendo em vista a deteção de casos de efeitos placebo, uma equipa do Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC), em Boston, situou em 64% a quantidade de efeitos secundários que podem ser atribuídos a este tipo de atitude. “Efeitos adversos após tratamentos de placebo são frequentes em ensaios aleatórios controlados“, explicou Julia W.Haas, da referida instituição.

“Recolher de forma sistemática evidências relativas à resposta nocebo nos testes à vacina é algo importante para o programa de vacinação contra a covid-19 a nível mundial, já que a preocupação com os possíveis efeitos secundários das principais justificações evocadas para a recusa das doses”, aponta.

Os 12 ensaios clínicos estudados pela equipa incluíram um total de 45,350 pacientes. Destes, 22,802 receberam uma vacina real, ao passo que aos restantes 22,578 foi dado uma versão placebo, ou seja, uma substância sem qualquer impacto para a saúde ou sem qualquer tipo de efeito terapêutico. Depois da primeira injeção, 46,3% dos pacientes que receberam a vacina reportaram efeitos adversos sistemáticos, tais como dores de cabeça ou cansaço. Já 66,7% dos integrantes do mesmo grupo queixaram-se de dores ou inchaços no local da injeção.

Ainda assim, também os chamados “pacientes placebo” dizem ter experienciado afeitos adversos, com 35,2% a referir efeitos sistemáticos e 16,2% efeitos locais.

A equipa de investigadores procedeu, posteriormente, à comparação dos rácios dos dois grupos. Foi aí que descobriram que 76% dos efeitos adversos sistemáticos provinham do “grupo placebo“, assim como 24% dos efeitos adversos localizados – isto após a primeira dose. Na segunda dose, os valores baixaram, com menos “pacientes placebo” a queixarem-se de reações adversas (31,8% para os efeitos sistemáticos e 11,8% para os locais). Contrariamente, nos pacientes que efetivamente receberam as doses da vacina da covid-19, as queixas aumentaram após a toma da segunda dose.

No total, e como referido anteriormente, 64% dos efeitos secundários adversos registados após a toma das duas doses podiam ser atribuídos aos efeito nocebo. “Sintomas não específicos, como dor de cabeça ou cansaço – que demonstrámos ser particularmente sensíveis ao nocebo – fazem parte da lista das reações adversas mais comuns nos folhetos informartivos”, explica Ted J. Kaptchuk, investigador na área do placebo no BIDMC e da Escola de Medicina de Harvard.

“As evidências mostram que este tipo de informação pode fazer com que as pessoas atribuem de forma errônea sintomas habituais do seu dia-a-dia à toma da vacina e daí resultar um estado de ansiedade ou preocupação que faz com que as pessoas ficam extremamente alerta em relação às mudanças corporais.

  ZAP //

7 Comments

  1. Infelizmente estes conceitos devidamente fundamentados e conhecidos da comunidade cientifica são mais difíceis de entender para o cidadão comum, do que do que a charlatonisse de que a vacina provoca cancro ou que possui nano partículas etc…

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