Drogas psicadélicas podem causar a mesma sensação de uma experiência de quase morte

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O uso de substâncias psicadélicas pode reduzir o receio da morte, originando nos consumidores uma sensação comparável à relatada por indivíduos que tiveram experiências de quase morte.

Esta é uma das conclusões de um estudo publicado recentemente na PLOS One, no qual investigadores da Johns Hopkins Medicine, nos Estados Unidos (EUA), compararam experiências decorrentes do uso de drogas psicadélicas e experiências de quase morte, num projeto que contou com mais de 3192 participantes.

Depois de terem passado pelas experiências referidas, tanto as pessoas que quase morreram como aquelas que consumiram as substâncias psicadélicas afirmaram ter menos medo de morrer. Além disso, relataram que a situação em causa teve um impacto positivo duradouro, fornecendo-lhes um sensação de propósito.

De acordo com o Sci Tech Daily, os resultados estão em consonância com uma série de estudos anteriores, que mostraram melhorias duradouras na ansiedade e na depressão entre doentes com cancro, produzidas por uma única dose de psilocibina – uma substância alucinogénica.

Num desses estudos, realizado pela Johns Hopkins Medicine e divulgado em 2016, foi constatado que sessões de psicoterapia, aliadas à administração de uma dose controlada e elevada de psilocibina, aumentaram significativamente a aceitação da morte e ajudaram a diminuir a ansiedade em relação a esse cenário.

Nesta investigação recente, os participantes foram divididos em grupos: 933 pessoas experimentaram experiências de quase morte e as restantes tiveram experiências psicadélicas desencadeadas pelo consumo de dietilamida do ácido lisérgico (LSD), psilocibina, ayahuasca ou dimetiltriptamina.

Cerca de 90% dos participantes de ambos os grupos relataram uma diminuição no medo da morte, enquanto a maioria (grupo quase morte, 85%; grupo substância psicadélica, 75%) classificou a experiência entre as cinco mais significativas da sua vida. Relataram ainda mudanças positivas moderadas a fortes no seu bem-estar.

O grupo dos indivíduos com experiência de quase morte percebeu mais facilmente que a sua vida estava em perigo (47%, contra 3% do grupo que consumiu drogas) e
o tempo de duração da experiência (40% contra 7%).

Os investigadores dizem que são necessários estudos futuros para melhor compreender os benefícios do uso clínico de substâncias psicadélicos para tratar o medo associado à morte.

  ZAP //

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