/

Dois objetos vermelhos vivem no Cinturão de Asteroides (e não deviam lá estar)

3

Cientistas mostram num novo estudo que dois objetos avistados no Cinturão de Asteróides parecem ter-se originado para além de Neptuno.

Estes dois objetos, chamados 203 Pompeja e 269 Justitia, foram recentemente descobertos pela agência espacial japonesa, JAXA. Segundo conta o The New York Times, orbitam a cerca de 2,7 e 2,6 vezes a distância Terra-Sol, dentro do Cinturão de Asteróides, entre as órbitas de Marte e Júpiter.

O 203 Pompeja tem cerca de 113 quilómetros de diâmetro e parece estar estruturalmente intacto, enquanto o 269 Justitia, com cerca de 56 quilómetros, é provavelmente um fragmento de uma colisão anterior. Ambos têm órbitas circulares estáveis, o que significa que se devem ter estabelecido neste espaço há muito tempo.

De acordo com o jornal nova-iorquino, os cientistas descobriram que os dois têm uma cor incomum: são extremamente vermelhos, mais do que qualquer outro objeto já avistado no Cinturão de Asteróides.

A descoberta, se estiver correta, poderá oferecer evidências da migração planetária no início do Sistema Solar, dando particularmente força a um cenário de evolução chamado Modelo de Nice, em que Saturno, Urano e Neptuno se moveram para fora, enquanto Júpiter ligeiramente para dentro, ao longo de algumas centenas de milhões de anos.

Segundo o jornal, isto teria perturbado os asteróides carregados de orgânicos remanescentes da formação dos planetas, enviando-os para girar à volta do Sistema Solar.

Atualmente, a maioria destes objetos remanescentes são conhecidos como objetos trans-Neptunianos e orbitam no Cinturão de Kuiper, área que se estende para lá da órbita de Neptuno. Muitos têm uma cor vermelha, como o Arrokoth (na imagem de destaque), sendo que o 203 Pompeja e o 269 Justitia combinam com eles.

“Os resultados espectroscópicos sugerem a presença de materiais orgânicos complexos na camada superficial destes asteróides”, escreveram os investigadores no seu estudo, “sugerindo que se podem ter formado nas proximidades de Neptuno e sido transplantados para a região principal do cinturão durante uma fase de migração planetária”.

Ou seja, estas descobertas podem um dia dar-nos evidências diretas do caos que existia no início do Sistema Solar.

O estudo foi publicado, a 26 de julho, na revista The Astrophysical Journal Letters.

  ZAP //

3 Comments

  1. Caro ZAP,
    Em 1869 ou 1887, evidentemente, não existia ainda a JAXA, agência espacial japonesa.
    Por favor corrijam esse erro grotesco.

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.