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Documentos mostram que Austrália ajudou a CIA no golpe contra Salvador Allende

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fundaciongap / Flickr

O ex-Presidente do Chile, Salvador Allende

Documentos desclassificados do Governo australiano revelam que o país ajudou a CIA no golpe de Estado, em 1973, contra o Presidente chileno Salvador Allende.

De acordo com o jornal The Guardian, documentos desclassificados do Governo australiano provam que, em dezembro de 1970, o ministro dos Negócios Estrangeiros Billy McMahon, que mais tarde se tornaria primeiro-ministro, aprovou um pedido da Australian Secret Intelligence Service (ASIS) para abrir uma base em Santiago, no Chile.

A partir de 1971, e durante 18 meses, de acordo com o Arquivo de Segurança Nacional dos Estados Unidos, a ASIS aparentemente conduziu operações secretas no país sul-americano para ajudar a CIA (Central Intelligence Agency) a desestabilizar o Governo chileno.

Entre as várias operações estão, por exemplo, lidar com ativos chilenos recrutados pela CIA na capital chilena e tratar de relatórios enviados para a sede da CIA em Langley, na Virgínia.

Os documentos revelam ainda como o sucessor de McMahon, Gough Whitlam, eleito em dezembro de 1972, menos de um ano depois ordenou que o então diretor da ASIS, William Robertson, encerrasse as operações no Chile.

Tal como escreve o jornal britânico, estes documentos desclassificados oferecem a primeira prova oficial de que a ASIS participou na campanha de desestabilização que precedeu o golpe militar, a 11 de setembro de 1973, que depôs o Presidente Salvador Allende e que instaurou a ditadura do general Augusto Pinochet.

Estes documentos estão entre outras centenas divulgados a Clinton Fernandes, autor e professor de Estudos Internacionais e Políticos da Universidade de Nova Gales do Sul, que tem pressionado o Governo australiano a desclassificar ficheiros de segurança nacional sobre operações secretas da ASIS em países como o Chile, Camboja e Indonésia.

O Governo e as agências de segurança têm vindo a argumentar que confirmar ou negar a existência de registos de operações da ASIS, inclusive no Chile, prejudicaria o interesse nacional.

A questão já chegou mesmo à via judicial e o Tribunal de Recursos Administrativos da Austrália (AAT) está agora a considerar a possibilidade de obrigar o Estado a divulgar as versões completas dos mesmos documentos de arquivo.

“O Governo australiano fala muito em lutar contra a interferência estrangeira, mas ajudou a derrubar um Governo democrático no Chile. De seguida, opta pelas classificações de segurança nacional nos seus registos para evitar que o público saiba o que aconteceu. A segurança nacional deve ser um objetivo, não um álibi”, afirmou.

Estas revelações são feitas nas vésperas do 48.º aniversário deste golpe de Estado, que acabou por levar à sangrenta ditadura de Pinochet (1973-1990), que causou mais de três mil mortos.

  ZAP //

5 Comments

  1. Mas também há testemunhos de antigos agentes secretos cubanos, que serviam de “” guarda costas “” a Allende, que receberam ordens de FIDEL para MATAR Allende e fazer dele um símbolo da ruindade de Pinochet para todo o mundo, em especial, na América Latina.

    É que Allende queria render se e dialogar com os revoltosos…
    Mas FIDEL queria um mártir do fascismo.

    Esses testemunhos foram feitos há alguns anos.
    Porque não são notícia?????

  2. O objectivo é fabricar a “história” que convém…., ou seja branquear os amigos estalinistas e sujar os inimigos!
    Em Portugal, quem assassinou Humberto Delgado foi malta de esquerda com quem se tinha incompatibilizado. Sabendo que tinha um acordo com o regime de regressar com a condição de não fazer pol~itica, embora politicamnte já estivesse morto e sofresse de cancro hepático, matá-lo seria a forma de acusar o regime, criando-lhe uma má imagem…daí a doentia insistência nesta figura que foi um dos jovens tenentes do 28 de Maio de 1926.

  3. A Austrália nunca foi de fiar, que o digam os aborígenes ou, mais recentemente, os timorenses!…
    De resto, a ditadura chilena foi mais um belo serviço dos EUA…

  4. Não só Australia, mas também as Monarcas de Inglaterra e Países Baixos em conluio com o Vaticano tinham financiadas o golpe contra Allende, provavelmente através da Royal Shell

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