DNA de Ricardo III revela infidelidades na família real

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Ricardo III por William Hogarth (1697–1764)

Ricardo III por William Hogarth (1697–1764)

Análises ao DNA do rei inglês Ricardo III surpreenderam os cientistas e estudiosos por trazer à tona indícios de infidelidade na família do monarca, que governou a Inglaterra no século XV.

Os investigadores que estudaram o material genético dos restos mortais de Ricardo III, encontrados num estacionamento em Leicester, em Inglaterra, dizem que a descoberta pode ter profundas implicações históricas.

Dependendo do ponto da árvore genealógica em que ocorreu, a infidelidade pode levantar dúvidas sobre o direito ao trono do próprio Ricardo e seus sucessores – que são os famosos monarcas da dinastia Tudor: Henrique V, Henrique VI, Henrique VIII e Elizabeth I.

Mas, segundo o estudo, publicado na revista científica Nature Communications, os cientistas não analisaram eventuais desdobramentos dessas descobertas até à família real que ocupa actualmente o trono britânico, já que não está claro se de facto houve quebra na linhagem da realeza.

Além disso, Kevin Schurer, pró-vice-reitor da Universidade de Leicester, recorda que a reivindicação do trono era baseada em mais do que o sangue real, mas também em casamentos arranjados entre nobres e vitórias em batalhas.

Segundo Schurer, a actual família real, que tem em parte uma linha de descendência Tudor, não tem que se preocupar.

“Não estamos de forma alguma a dizer que a rainha Elizabeth II não devia estar no trono”, assegurou Schurer.

A curvatura da coluna do "esqueleto 1" encontrado no parque de estacionamento em Leicester é um dos indícios que confirma a identidade dos restos mortais: Ricardo III de Inglaterra

A curvatura da coluna do “esqueleto 1” encontrado no parque de estacionamento em Leicester é um dos indícios que confirma a identidade dos restos mortais: Ricardo III de Inglaterra

Descoberta no estacionamento

Retratado por Shakespeare como um tirano corcunda, Ricardo III foi morto na Batalha de Bosworth, em 1485, mas os seus restos mortais tinham-se perdido com o tempo.

Até que em 2012 arqueólogos encontraram os seus restos, num estacionamento em Leicester, que antes acolhia a abadia onde o rei tinha sido enterrado.

Os cientistas conseguiram extrair material genético dos restos encontrados. A análise científica mostra que o DNA, do lado materno, é igual ao dos parentes vivos do rei.

Mas a informação genética do lado paterno não.

A partir de outros detalhes que permitiram aos cientistas confirmar que se trata do corpo de Ricardo III,  concluíram que a infidelidade é a causa mais provável dessa discrepância.

“Quando juntamos todos os dados, há provas esmagadoras de que estes são os restos mortais de Ricardo III”, diz a investigadora Turi King, da Universidade de Leicester, responsável pelo estudo.

A infidelidade feminina na linhagem de Ricardo III pode ter ocorrido em qualquer ponto das numerosas gerações que separam o monarca do 5º duque de Beaufort (1744-1803), cujos descendentes vivos providenciaram amostras de DNA para serem comparados com os restos mortais do rei.

“Podemos ter solucionado esse quebra-cabeças histórico, mas com isso abrimos um quebra-cabeças novo“, diz Schurer à BBC.

ZAP / BBC

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