Identificada a causa da morte de Ricardo III: golpes no crânio

DP / Wikimedia

Ricardo III por William Hogarth (1697–1764)

Ricardo III por William Hogarth (1697–1764)

 “Um cavalo! Um cavalo! O meu reino por um cavalo!”, grita o monarca antes de morrer, na peça de Shakespeare. Investigadores confirmam agora que o rei estava mesmo apeado antes do ataque fatal.

Quase dois anos após a descoberta do esqueleto do rei Ricardo III, num estacionamento na cidade de Leicester, em Inglaterra, investigadores identificaram a causa da morte do monarca, que viveu entre 1452 e 1485.

Dois ferimentos na cabeça e um no quadril foram fatais para Ricardo III. O rei estava sem capacete e morreu durante a batalha de Bosworth, no dia 22 de agosto de 1485.

Cada um dos três ferimentos é suficientemente grave para matar uma pessoa rapidamente, afirmou o estudo, publicado esta quarta-feira na revista especializada The Lancet.

le.ac.uk

Sarah Hainsworth, professora na Universidade de Leicester, cientista forense especializada em facas

Sarah Hainsworth, professora na Universidade de Leicester, cientista forense especializada em facas

A análise forense do esqueleto real foi feita por uma equipa de investigadores da Universidade de Leicester.

“As lesões de Ricardo retratam uma agressão longa ou um ataque de várias pessoas com armas do final da Idade Média”, disse a investigadora Sarah Hainsworth, citada pela DW.

Os investigadores descobriram no esqueleto do monarca 11 ferimentos, nove dos quais na cabeça, usando técnicas como tomografia computorizada e raios-x.

Como não foram encontradas lesões nos braços, acredita-se que Ricardo III usava armadura.

Os investigadores deduziram que o capacete do rei tinha sido retirado ou perdido durante a batalha.

Golpes na cabeça

As duas lesões que provavelmente causaram a morte foram provocadas na base do crânio, diz o especialista em medicina legal Guy Rutty. “Os inimigos do rei atingiram-no na cabeça com espadas, adagas e alabardas”, acrescenta Rutty.

O estudo afirma que o ferimento grave no quadril deve ter sido provocado depois da morte, pois estaria protegido com o modelo de armadura existente na época.

Pelas lesões na cabeça, os médicos acreditam que Ricardo III estava de joelhos e com a cabeça inclinada. “Isso confirma os relatos de batalha que diziam que Ricardo III tinha deixado o seu cavalo, que teria ficado preso na lama”, reforçou Rutty.

Após a morte, para humilhar o rei, os seus inimigos colocaram o seu corpo despido num cavalo e levaram-no para Leicester.

Os historiadores acreditam que o rei foi enterrado numa igreja franciscana, destruída no século 16. O esqueleto foi encontrado num estacionamento, construído no local onde estava o altar-mor da igreja.

University of Leicester / Flickr

Ricardo III na sua sepultura

Ricardo III na sua sepultura

Imortalizado na obra de Shakespeare

Ricardo III governou a Inglaterra entre 1483 e 1485 e foi o último rei inglês a morrer num campo de batalha.

A sua morte foi decisiva para o fim da Guerra das Rosas, pelo trono inglês, que já durava há 30 anos e que marcou a queda da dinastia de York, à qual Ricardo III pertencia. Após a sua morte, o trono passou para as mãos dos Tudor.

O monarca foi imortalizado na peça homónima de William Shakespeare, que o descreveu como um soberano cruel e louco por poder, uma imagem que os historiadores gostariam de corrigir.

Ao contrário da representação feita pelo dramaturgo inglês, por exemplo, os estudos já revelaram que Ricardo III não era corcunda.

Os restos mortais de Ricardo III deverão ser enterrados na Catedral de Leicester em março de 2015. A cerimónia marcará o fim de uma série de eventos sobre o jovem monarca.

ZAP / DW

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