Dissidente Alexey Navalny viola prisão domiciliária para ir a manifestação

varfolomeev / Flickr

O líder da oposição russa, Alexei Navalny, numa manifestação de apoio a prisioneiros políticos

O líder da oposição russa, Alexei Navalny, numa manifestação de apoio a prisioneiros políticos

Alexei Navalny, um dos principais opositores do Presidente russo, condenado hoje a prisão domiciliária, voltou a ser detido no momento em que se preparava para integrar uma manifestação no centro de Moscovo.

As primeiras imagens da detenção, captadas pela estação de televisão Dozhd, mostram o momento em que agentes da polícia cercam Navalny que, de imediato, é levado para o interior de um autocarro das forças de segurança na Praça Manezhnaya.

Entretanto, o próprio detido – que violou a prisão domiciliária – difundiu um autoretrato e várias mensagens através da rede social Twitter, encontrando-se já no interior do veículo policial.

“Apelo a todos para que não abandonem a manifestação a não ser que sejam forçados. Eles não podem prender toda a gente”, escreveu Alexei Navalny no seu Twitter, dirigindo-se aos manifestantes que se encontram no centro de Moscovo onde se registam dez graus negativos.

Milhares de manifestantes encontram-se no local em protesto contra a decisão judicial que condenou Navalny e o irmão, Oleg.

Navalny foi condenado a três anos e meio de pena suspensa e o irmão, Oleg, a prisão efetiva, também de três anos e meio, ambos pelo crime de fraude.

À saída do tribunal, Navalny afirmou à imprensa que o irmão é “refém” das autoridades russas e apelou aos apoiantes para se manifestarem contra o regime de Vladimir Putin que, acusou, “não tenta apenas destruir os opositores, mas também os seus familiares”.

Este regime não merece existir, deve ser destruído”, disse.

Pouco depois, e com o protesto já marcado para as 19:00 locais (16:00 TMG e Lisboa), um responsável da câmara municipal de Moscovo advertiu que as autoridades tencionavam impedir “qualquer manifestação não autorizada”.

Na rede social Facebook, a meio da tarde, mais de 17.000 pessoas tinham anunciado a sua participação no protesto, perto da Praça Vermelha.

A condenação dos irmãos Navalny surpreendeu sobretudo porque a acusação tinha pedido a pena mais pesada – 10 anos de prisão – para o opositor e a menos pesada – oito anos – para o irmão.

“É o pior sofrimento psicológico que podia ser infligido a Alexei Navalny“, afirmou a advogada do opositor, Olga Mikhailova, que qualificou a decisão de ilegal.

Aos 38 anos, Alexei Navalny é considerado o mais carismático e crítico opositor do presidente Vladimir Putin, no poder há 15 anos.

Acusado pelos detratores de ser apoiado pelo Ocidente, Navalny, advogado de formação que se tornou conhecido como ‘blogger’ crítico da corrupção da elite russa, foi julgado por desvio de fundos de uma filial russa da empresa francesa de cosméticos Yves Rocher, à qual sobrefaturou serviços de transporte da empresa que detinha com o irmão.

A Yves Rocher apresentou queixa dos irmãos Navalny, mas retirou-a mais tarde, afirmando, através do diretor financeiro da filial russa, Christian Melnik, que não “sofreu nenhum prejuízo” na colaboração com a empresa dos Navalny, acusados pela justiça de desviarem 27 milhões de rublos (cerca de 390 mil euros).

A possibilidade de uma condenação de Navalny à prisão já tinha suscitado apelos para manifestações no dia da leitura da sentença, inicialmente marcada para 15 de janeiro.

No entanto, o tribunal anunciou na segunda-feira que a leitura era antecipada para hoje, argumentando apenas “já ter tido tempo de a redigir”.

/Lusa

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