“Já se come três vezes ao dia” na Venezuela. Dirigente do Podemos defende Maduro

Secretaría de Cultura de la Nación / Flickr

O político espanhol, Iñigo Errejón

O dirigente e candidato do Podemos à autarquia de Madrid, Íñigo Errejón, defendeu a política levado a cabo por Nicolás Maduro na Venezuela, considerando que foram já feitos muitos avanços democráticos. “Já se come três vezes por dia”, exemplificou o político. 

“O processo político na Venezuela tem alcançado inúmeros avanços numa transformação de sentido socialista, inequivocamente democrática, onde os direitos e as liberdades da oposição são respeitados – que diz, quase todos os dias por quase todas as televisões viver numa ditadura”, disse Errejón em entrevista ao jornal chileno The Clinic nesta terça-feira.

Confrontado pelo jornalista sobre o facto de ter sido imposta uma Assembleia Constituinte sem a participação da oposição, dando-lhe conta do contraditório, o candidato do Podemos manteve a sua postura, considerando que “houve avanços muito importantes”.

“Eu só vejo retrocessos”, retorquiu o repórter. O político espanhol contrapõe a afirmação do jornalista: “Não, não, na Venezuela já se come três vezes ao dia”, disse.

Face às declarações de Errejón, o jornalista rebate: “Mas a população da Venezuela perdeu em média dez quilogramas nos últimos anos”. O político espanhol admite neste momento não ter este dados, ao que o jornalista se mostra disponível para os apresentar.

Uma vez mais, o político mantêm a sua postura, ignorando os dados apresentados pelo entrevistador: “Foram feitos muitos avanços, por exemplo, ao conseguir que as pessoas tenham acesso à saúde pública, à educação…”.

Sobre a área da educação, o jornalista nota que muitas pessoas emigram para países vizinhos, como a Colômbia, quando têm familiares doentes. Face a isto, o candidato do podemos diz conhecer “centros de saúde gratuitos onde se fazem radiografias gratuitas” a pessoas que não as podem pagar.

“Mas há falta de medicamentos“, contrapõe o jornalista. “Isso é outra coisa. E não é que não haja medicamentos, é que os medicamentos vendem-se mais caros na Colômbia”, nota Íñigo Errejón.

“Então porque é que as pessoas fogem [da Venezuela]?”, questionou o jornalista. “Acredito que há uma situação com a segurança que se torna muito incómoda para lá viver”, começou por dizer o político espanhol.

“Há uma tensão e polarização política no país muito dura e, acredito, a liderança política não tem sido capaz de garantir um bom combate contra a inflação e a escassez de alimentos e isso fez com que as pessoas procurassem uma vida melhor noutros países”, justificou por fim Íñigo Errejón.

A posição do político espanhol do Podemos faz parte de uma entrevista ao jornal chileno The Clinic, estandos, estas declarações acima apresentadas, agrupadas num subtítulo intitulado de “A defesa de Maduro”.

Imprensa espanhola reage

As declarações de Errejón, um dos co-fundadores do partido, rapidamente se fizeram ecoar na vizinha Espanha, sendo consideradas pelos média espanhóis como um elogio a Nicolás Maduro e ao seu regime.

“Errejón defende o regime de Maduro na Venezuela”, escreveu o El Mundo em reação à entrevista agora divulgada. “A Venezuela e o regime de Nicolás Maduro sempre esperam pelo Podemos ao virar da esquina. De vez em quando, a formação roxa e os seus líderes tropeçam neste país”.

Por sua vez, escreve o El Economista, “Errejón celebra avanços da Venezuela de Maduro”. “Errejón, o defensor da ‘democracia’ de Maduro”, considera o Catalunya Press.

Também o El Pais noticia o caso, dando conta da indignação dos Venezuelanos que vivem na Espanha face a entrevista, notando ainda que esta vai ser uma “munição” para a oposição que frequentemente associa o partido de esquerda ao Governo da Venezuela.

3,7 milhões subalimentadas na Venezuela

Segundo dados divulgados esta quarta-feira pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a Venezuela é o país da América Latina com maior número de pessoas subalimentadas – 3,7 milhões de cidadãos.

“No caso da Venezuela, o aumento de pessoas subalimentadas foi de 600 mil, entre 2015 e 2017. Com este aumento, a prevalência da subalimentação atinge 11,7% [da população], 3,7 milhões de pessoas)”, explica o relatório.

Os dados foram apresentados durante uma conferência de imprensa no Chile, pelo representante regional da FAO, Júlio Berdegué, que explicou que a crise política, económica e social venezuelana travou os avanços no combate à subalimentação registados no país.

SA, ZAP // Lusa

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7 COMENTÁRIOS

  1. Já se come três vezes ao dia? Mas comem o quê? E o esquerdalho do podemos ainda apoia o rei do pernil. Fico à espera que o jerónimo e a cachopinha catrina confirmem isso!

  2. ele podia ir para lá Venezuela e depois falar, têm tanto de altura como de estupidez, garotada já agora comem 3 vezes carne podre, o maduro é que come bem, eu cá em portugal como quantas vezes quiser.

  3. Vergonhoso. Este e outros foram comprados com lingotes de ouro , que o Maduro roubou ao Povo e agora dá aos políticos que se vendem para , serem mentirosos e defenderem os Ditadores e Assassinos.

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