Dinossauros com penas eram muito mais fofinhos do que pensávamos

Dragos Andrei / wikimedia

Ilustração de um Velociraptor Mongoliensis.

Um novo estudo feito em torno das penas dos dinossauros chegou a conclusões surpreendentes que podem mudar a forma como olhamos para estes grandes animais extintos. Para já, é certo que alguns deles eram mas fofinhos do que pensávamos.

Investigadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido, dedicaram-se ao estudo das penas de um grupo de dinossauros carnívoros, conhecidos como paraviantes, de que é exemplo mais famoso o Velociraptor e de quem os actuais pássaros são descendentes.

Conseguiram, assim, a que pode ser “potencialmente, a descrição mais precisa até à data de qualquer espécie de dinossauro”, conforme salienta a Universidade de Bristol (UB) num comunicado sobre a investigação.

Estes cientistas analisaram um fóssil de um destes paraviantes, o Anchiornis, um dinossauro com 160 milhões de anos do tamanho de um corvo, comparando as suas penas com as de outros dinossauros e pássaros extintos. Para o efeito, tiraram partido das suas excelentes condições de preservação e de técnicas de alta resolução de imagem, como explicam no artigo científico publicado no jornal Paleontology.

Assim, detectaram nas penas em torno do corpo do Anchiornis, as chamadas penas de contorno, uma nova forma de pena primitiva e extinta. Trata-se de “uma pena curta com farpas longas, independentes e flexíveis, irrompendo da pluma, em ângulos baixos, para formar duas palhetas e uma forma de pena bifurcada”, aponta a UB.

University of Bristol

Comparação das penas de fóssil de Anchiornis com as de pássaros modernos.

Estas penas agora descobertas davam ao Anchiornis uma “aparência fofa, em comparação com os corpos aerodinâmicos dos pássaros modernos, cujas penas possuem palhetas bem fechadas, formando superfícies contínuas”, acrescenta a UB.

Por outro lado, as penas destes dinossauros seriam menos aerodinâmicas, e logo menos eficientes para o voo, em comparação com as dos pássaros actuais, pecando também no controle da temperatura e na capacidade de repelir a água.

Mas para compensar estas circunstâncias, os Anchiornis tinham quatro asas, penas longas nas pernas e também uma franja de penas em torno da cauda. Tinham, ainda, “várias fileiras de penas longas na asa, ao contrário das aves modernas, onde a maior parte da superfície da asa é formada por apenas uma fila de penas”, refere a UB.

Rebecca Gelernter

Novo “visual” do dinossauro Anchiornis, com as penas de contorno primitivas agora descobertas e quatro asas.

Foi com base nestas conclusões, e considerando também outros estudos científicos, nomeadamente quanto aos padrões de cor, que a ilustradora científica Rebecca Gelernter deu uma nova forma a estes dinossauros.

Trata-se de uma imagem completamente nova que “representa uma mudança radical” nas ilustrações que tínhamos, até agora, dos dinossauros com penas, conforme assume a UB.

E não é à toa que, em jeito “provocativo”, “o Anchiornis é apresentado, neste trabalho artístico, a escalar à maneira dos passarinhos hoatzin, o único pássaro vivo cujos juvenis mantêm uma relíquia do seu passado dinossauro, uma garra funcional”, explica o investigador Evan Saitta, um dos autores do estudo.

O cientista repara que se trata de um grande “contraste” com outras ilustrações que colocam “os paraviantes empoleirados em cima de ramos, como os pássaros modernos”. Ora, esse cenário seria “improvável dada a falta de um dedo do pé invertido, como nas aves de pouso modernas”, esclarece Saitta, concluindo que “a escalada é consistente com os braços e as garras bem desenvolvidas nos paraviantes”.

Os investigadores detectaram características semelhantes ao Anchiornis em, pelo menos, outro dinossauro com penas, o que faz admitir que mais animais destes tivessem uma plumagem similar.

Estas conclusões levam-nos a deitar um olhar completamente novo sobre os dinossauros com penas e podem ter “implicações alargadas quanto à forma como representamos uma grande variedade de dinossauros” e também como vemos a própria “função e evolução das penas“, concluem os investigadores no artigo científico.

SV, ZAP //

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