O povo perdeu a sua Princesa há 20 anos

Nick Parfjonov / wikimedia

Diana de Gales, a Princesa do Povo

Uma das figuras mais marcantes do século XX, a princesa Diana morreu faz esta quinta-feira 20 anos, mas não sem antes devolver a realeza britânica ao mundo moderno, aproximando-a do povo e promovendo causas como a luta contra as minas terrestres.

Desde que anunciou o seu noivado com o príncipe de Gales, em 1981, até à sua trágica morte num acidente de carro num túnel parisiense a 31 de agosto de 1997, a popularidade da educadora de infância que se tornou na “Princesa do Povo” nunca parou de crescer. E mesmo depois disso o seu legado perdura.

Grande parte desta admiração resultava do forte empenho que dedicou à caridade e às causas humanitárias, em especial pelo grande envolvimento que demonstrou no combate ao HIV/SIDA e na Campanha Internacional pela Proibição de Minas Terrestres (ICBL, sigla em inglês). Mas sobretudo pela forma como se relacionava com o povo.

Esta ligação especial de Diana com os plebeus fez escola e hoje é seguida pelos seus dois filhos: William, o herdeiro real, e Harry. Ambos adotaram a abordagem mais intimista de Diana, prosseguindo a tarefa de humanizar a instituição real britânica.

À sua própria maneira, os dois têm usado a sua posição e experiência para quebrar tabus. Ambos já falaram abertamente sobre os seus problemas de saúde mental – relacionados com a perda da mãe enquanto eram muito novos – tal como, no seu tempo, Diana quebrou tabus ao abraçar doentes com SIDA para acabar com os receios para com a doença.

O maior legado de Diana, no entanto, é a ideia de que as celebridades e as figuras com popularidade podem usar a sua “ligação” – real ou percebida – com milhões de pessoas para funcionar como agente de mudança.

STR / EPA

Princesa Diana e Príncipe Carlos no dia em que anunciaram o noivado

Tendo sido engolida pela máquina real britânica quanto tinha apenas 20 anos, Diana encontrou o seu caminho na vida ao perceber que o público ficava fascinado com tudo o que fazia ou dizia, considera o sociólogo Ellis Cashmore.

Diana conseguia manipular esse interesse público e usá-lo a seu favor, promovendo causas beneméritas, mas também puxando o povo para o seu lado, como quando o casamento com Carlos colapsou, devido ao relacionamento do príncipe com Camilla Parker Bowles.

As celebridades de hoje adotaram esse mesmo modelo – criado numa época em que os jornais e a televisão constituíam a principal fonte de informação – mas atualmente levado a níveis impensáveis, graças às redes sociais Facebook e Instagram.

“Podemos encontrar uma ligação genética entre Diana e Kim Kardashian”, afirmou Ellis Cashmore, citado pela AP.

“Imaginem se no tempo de Diana já houvesse o Twitter ou o Facebook“, questionou o autor de “Elizabeth Taylor: A Private Life for Public Consumption” (Elizabeth Taylor: Uma vida privada para consumo público).

Enquanto hoje todas as aspirantes a celebridade publicam os seus segredos nas redes sociais, nos anos 1990 era inimaginável ver um membro da Família Real a partilhar os seus receios e desejos pessoais com o grande público.

US Federal Government

John Travolta com a Princesa Diana

No entanto, a sentir-se encurralada num casamento falhado com Carlos, Diana escolheu partilhar a história com o grande público que a adorava.

Fê-lo de forma indireta, passando os pormenores da sua vida a um intermediário, que depois gravava cassetes e as passava ao biógrafo Andrew Morton. Desta forma poderia negar ter falado com Morton quando a biografia fosse publicada.

O que ela estava a fazer era extraordinário. (…) A contar os pormenores mais íntimos da sua vida – sobre a Camilla, os seus problemas alimentares, as tentativas de suicídio mal-amanhadas – com um estranho. A falar de coisas das quais uma princesa nunca tinha falado”, disse Morton à agência de notícias norte-americana.

A aposta resultou. Morton contou a história de Diana e o grande público amou-a ainda mais por causa disso. O funeral de Diana reuniu dezenas de milhares de pessoas, apinhadas nas ruas, e montanhas de flores nos palácios de Kensington e de Buckingham.

As emoções dominaram as cerimónias fúnebres, o que resultou num momento que, mais uma vez, transformou a Realeza e o povo britânicos, considera Morton.

“Deixaram de nos ver como uma nação de nariz empinado, do não-me-toques. (…) mas sim como uma nação (…) que não tem medo de se emocionar, de chorar em público”.

Em vida e na morte, Diana transformou a monarquia numa instituição mais acessível e elevou a bitola: agora é o próprio povo britânico que já não quer uma monarquia distante.

// Lusa

PARTILHAR

RESPONDER

Cientistas dão um importante passo na criação de uma Internet quântica segura

Uma nova investigação da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, revelou o elo que faltava para termos uma Internet quântica funcional e prática: uma forma de corrigir os …

Os pedregulhos de Bennu brilham como faróis para a Osiris-Rex da NASA

Este verão, a sonda OSIRIS-REx empreenderá a primeira tentativa da NASA de tocar a superfície de um asteroide, recolher uma amostra e recuar em segurança. Mas, desde que chegou ao asteroide Bennu há mais de …

Cidades subterrâneas podem ser um bom refúgio para futuros desastres

Especialistas ouvidos pelo portal One Zero acreditam que cidades subterrâneas podem ser um bom refúgio para populações que possam vir a enfrentar desastres naturais no futuro potenciados pelas alterações climáticas. À medida que os desastres naturais …

Descobertas três novas espécies de pterossauro em Marrocos

Cientistas encontraram três novas espécies de pterossauro, que viveram no deserto do Sahara, há 100 milhões de anos, em Marrocos. De acordo com o site EurekAlert!, estas três novas espécies de pterossauro faziam parte de um …

Texto português do século XVI mostra eficácia da quarentena

Um especialista australiano descobriu num texto português do século XVI uma prova de que a quarentena ou o isolamento podem impedir a globalização de uma doença como a covid-19, que já provocou mais de 30 …

Coronavírus. Mercados chineses continuam a vender morcegos

Nem com a pandemia de covid-19 a China abre mão dos seus velhos hábitos. Embora o novo coronavírus tenha tido origem num mercado de animais exóticos, em Wuhan, muitos destes sítios continuam a funcionar normalmente …

No Twitter, o discurso de ódio contra chineses cresceu 900%

A L1ght, uma empresa que mede a toxicidade das plataformas digitais, partilhou recentemente um relatório no qual revela que o discurso de ódio contra a China e contra os chineses teve um crescimento de 900%. Donald …

Há mais pessoas em quarentena do que vivas durante a 2ª Guerra Mundial

Um terço da população mundial - 2,6 mil milhões de pessoas - está em quarentena. São mais seres humanos em isolamento do que aqueles que estavam vivos para testemunhar a 2ª Guerra Mundial. Na terça-feira, o …

Biblioteca virtual no Minecraft dá voz a jornalistas censurados de todo o mundo

Enquanto governos de todo o mundo reprimem a liberdade jornalística e censuram a sua imprensa nacional, a Reporters Without Borders está a trabalhar para chegar ao público através de um canal improvável: uma enorme biblioteca …

Há mais 19 mortos em Portugal. Número de casos confirmados perto dos 6.000

Portugal registou, este domingo, mais 19 mortes devido ao surto de covid-19. O número de casos confirmados é de 5.962, mais 792 em relação aos números de sábado. A Direção-Geral de Saúde revelou este domingo o …