Ameaça de morte a Marcelo. Ex-militar já tentou extorquir PGR e “pode causar uma desgraça”

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António Cotrim / LUSA

Marcelo Rebelo de Sousa

O suspeito já tinha antecedentes e foi condenado anteriormente por tentar extorquir outras altas figuras do Estado, como Lucília Gago e Luís Neves. A PJ considera que o homem é perigoso e tem um “QI elevadíssimo”.

Marco Aragão, o homem que estava a planear um atentado contra Marcelo Rebelo de Sousa, foi oficial do miliciano exército e também trabalhou como inspector na Inspeção-Geral da Saúde, relata o Correio da Manhã.

Aragão, também conhecido como “Terrulas”, terá enviado em Outubro uma carta com uma bala ao Presidente da República. A carta tinha também um contacto telefónico e o número de uma conta bancária para a qual exigia uma transferência de um milhão de euros.

O suspeito de 40 anos foi detido esta terça-feira e será presente a um juiz esta quarta-feira para conhecer a pena de coacção. Em causa estão crimes de coacção agravada a um órgão de soberania, tentativa de extorsão e posse de arma proibida.

Recorde-se que o chefe de Estado desvalorizou a situação, considerando a ameaça “sui generis“, e afirmou que não estava em Belém quando a carta foi recebida. “Vim a saber mais tarde, mas não vi a carta, que pedia uma quantia avultada, que aliás eu não teria. Desvalorizei, claro. Mas respeito as intervenções das autoridades competentes”, frisou Marcelo.

Esta não é a primeira vez que Marco Aragão arranja problemas com a justiça, dado que já tentou extorquir várias outras figuras do Estado, como procuradores e espiões, incluindo Lucília Gago, Procuradora-Geral da República, e Luís Neves, director nacional da Polícia Judiciária (PJ).

No seu julgamento anterior por estas tentativas de extorsão, o suspeito escapou à cadeia devido aos seus distúrbios mentais. No entanto, a PJ alerta para o perigo que o homem representa, visto já ter conseguido aceder ilegalmente ao sistema informático da Segurança Social quando lá trabalhava.

Foi precisamente com estes dados pessoais que Aragão obteve informações sobre altas figuras do Estado, tendo ameaçado divulgar os dados pessoais de Luís Neves e de Lucília Gago e exigido meio milhão de euros em troca do seu silêncio.

Tudo isto aconteceu em 2019, quando estava a fazer um estágio para se tornar inspetor superior. Através das credenciais de um colega, conseguiu obter as informações privadas de várias figuras do Estado. O suspeito foi detido na altura e ficou em prisão preventiva após voltar a repetir as ameaças.

Marco Aragão acabou por ser condenado pelos crimes de extorsão agravada na forma tentada e acesso ilegítimo. O homem foi diagnosticado com problemas psiquiátricos, tendo assim sido condenado a uma pena de 10 anos de internamento em ambulatório em março de 2020.

Ainda antes de ter tentado extorquir Lucília Gago e Luís Neves, o suspeito já tinha sido condenado por um crime de burla informática, tendo recebido uma pena suspensa. Uma vez mais, Marco Aragão não foi preso devido aos seus problemas mentais, tendo apenas sido obrigado a ir a consultas de psiquiatria, a que repetidamente faltava.

“Tem um QI elevadíssimo”

O caso de Marcelo Rebelo de Sousa distingue-se dos outros casos de Marco Aragão por fazer uma ameaça à integridade física. Até ao momento, não se sabe se o suspeito alguma vez se aproximou do chefe de Estado.

“Estas personagens não podem ser desvalorizadas. Fixam um alvo e podem cometer uma desgraça”, conta uma fonte da PJ ao Observador, sublinhando que a investigação “deu muito trabalho”.

A Polícia Judiciária considera ainda que “Terrulas” é perigoso. “É um homem com um QI elevadíssimo, mas como uma perturbação de personalidade. Tem uma grande capacidade de intrusão do ponto de vista ciber”, refere uma fonte.

A investigação demorou três meses porque o suspeito não usou os seus dados pessoais na carta que enviou a Marcelo. “Se o número de telemóvel e a conta bancária fossem dele, não teríamos demorado todo este tempo a apanhá-lo”, refere a Polícia Judiciária.

As autoridades detiveram o homem esta terça-feira numa operação feita “com todos os cuidados”, já que a PJ não sabia se “Terrulas” estava armado. O suspeito foi detido em casa, onde vive com a mulher e com os filhos.

  Adriana Peixoto, ZAP //

6 Comments

  1. Atenção ZAP: não é “oficial do exército miliciano”. Quem é miliciano é o oficial não é o exército. Portanto, será : “oficial miliciano do exército. Obrigado.

  2. Se tem ou não um QI elevado é o que deve menos interessar se um dia meter na cabeça que vai fazer alguma vamos ver se o QI está quem estiver na mira dele

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